quarta-feira, agosto 04, 2004

Para siempre boleros! (2)

Esta tarde vi llover (1967)

Esta tarde vi llover
vi gente correr
y no estabas tú

La otra noche vi brillar
un lucero azul
y no estabas tú

La otra tarde vi
que un ave enamorada
daba besos a su amor ilusionada
y no estabas tú

Esta tarde vi llover
vi gente correr
y no estabas tú

El otoño vi llegar
al mar oí cantar
y no estabas tú

Ya no se cuanto me quieres

si me extrañas o me engañas
solo sé que vi llover
vi gente correr
y no estabas tú

Armando Manzanero

Para siempre boleros! (1)

Armando Manzanero
Manzanero é um grande compositor de boleros. A generalidade dos críticos fica neste plano encomioso, acresentando ser um pianista de créditos firmados (começou, aliás, como pianista). A verdade é que este mexicano de Yucatán, índio de sangue maya, é tudo isso, mas, para muitos, também é um grande cantor, com uma voz sui generis, fora de todos os cânones, com um timbre andrógeno, singular e expressivo. O tempo áureo de Manzanero já não é o tempo áureo do bolero. Quando nos anos sessenta as ondas da rádio do mundo de língua espanhola começam a ser invadidas pelos seus êxitos (Somos novios, Esta tarde vi llover, Adoro, No, Cariño mío...) já os tempos de esplendor desse género tinham passado e começava o desembarque do poderoso exército da pop e do rock anglo-saxónico. Pero yo me quedo con Manzanero....

terça-feira, agosto 03, 2004

Mariachi y tequila (1)

Livro: Arturo Pérez-Reverte - A Rainha do Sul (La Reina del Sur) (2002)
É a mais recente novela de Arturo Pérez-Reverte. A trama desenvolve-se à volta de uma personagem (Teresa), cujo acidentado percurso de vida entre Sinaloa (México) e o Sul de Espanha, acaba por a alcandorar a uma posição cimeira no mundo do narcotráfico. Um dos aspectos curiosos é a frequente alusão a Paquita la del Barrio (e também a Los Chunguitos e, sobretudo, a Los Tigres del Norte), como artistas da preferência da heroína.
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Rádio (2)

Cadena Dial
A partir da emissora Radio Callao, em Madrid, e da emissora Radio Corazón, em Barcelona, consituiu-se, em finais da década de 80, a Cadena Dial, de carácter exclusivamente musical. O seu lema, então, era "24 horas de música en español", o que deixava entrever um ecletismo apenas sujeito à limitação idiomática. Ao longo dos anos houve alterações neste conceito de fórmula musical, mas manteve-se, basicamente, fiel ao lema inicial. Hoje é uma das mais importantes cadeias de rádio com quase cem emissoras.
Dei por mim várias vezes a pensar o seguinte: até que ponto realidades como a Cadena Dial e Radiolé poderiam ter em Portugal algum tipo de equivalente?

domingo, agosto 01, 2004

Rádio (1)

Radiolé
Esta emissora começou em Madrid, em finais dos anos 80, pertencia, então, ao grupo radiofónico Antena 3. Hoje constitui uma cadeia de emissoras, em que a maioria está na Andaluzia. Faz parte do império radiofónico do grupo PRISA. Há pouco tempo mudou de nome - já não se chama apenas Radiolé, mas sim Radiolé Éxitos. Entretanto, afastou-se de um certo purismo inicial, quando o essencial da sua programação era copla e flamenco, embora estes géneros ainda predominem nas suas listas. Ouvia-se razoavelmente no Sotavento algarvio, já que a tinha uma emissora em Lepe (a famosa localidade dos morangos) que fica a poucos quilómetros da fronteira.

Castilla (3): Madrid

Madrid /Anos 80
Subindo no tempo e subindo a Gran Via até Callao. À direita temos o Palácio de la Prensa. Em contraste com os pretéritos pergaminhos de respeitabilidade da instituição, no piso térreo instalou-se uma Sex Shop. Talvez por esse facto, este passeio nobre da cidade passou a acolher um multiétnico mosaico de putas, pelo menos a partir de umas certas horas nocturnas. Isto, mesmo em frente da FNAC, que ocupa todo um edifício que antes acolhera as Galerías Preciados. Anos 80 - são esplenderosos tempos de La Movida - e apetece ouvir alguns daquelas bandas dessa era: Nacha Pop, Radio Futura, Gabinete Caligari, Tino Casal, Golpes Bajos, Semen-Up, Siniestro Total, Presuntos Implicados, Mecano e muitos e muitos outros equivalentes, por exemplo, ao nosso António Variações, pela originalidade e imaginação. Já o Generalíssimo estava mais que defunto. A Espanha vital emergira como um vulcão.

Complexo de Aljubarrota (1)

Federico González - Reflexões de um espanhol em Portugal (2004)
Sempre senti atracção por Espanha. Na verdade, Espanha e Itália por umas razões, Grã-Bretanha por razões de outro tipo, são os países que mais me atraem. Sempre viajei muito por Espanha e posso dizer que conheço Espanha e os espanhóis melhor que a maioria dos portugueses. Este conhecimento foi reforçado pelo facto de ter o meu filho a estudar no Instituto Espanhol e pelo seguimento que faço dos meios de comunicação do país vizinho. Sempre li muito sobre assuntos relacionados com Espanha, podendo dizer que conheço bastante da sua história e geografia.
É um dado conhecido, mas não devidamente tido em conta, o mútuo desconhecimento dos vizinhos ibéricos; melhor dizendo – ambos pensam que se conhecem bem e, na realidade, estão longe de se conhecer bem. O desconhecimento consegue ser ainda maior pelo lado de lá. Ora, sobre isto impõe-se a leitura de Reflexões de um espanhol em Portugal, de Federico González, o qual, com certeiro poder de observação, se deu conta da dimensão do equívoco. O livro é, aliás, delicioso e deveria ser de leitura obrigatória para portugueses e espanhóis que têm de se aturar mutuamente.

sábado, julho 31, 2004

Castilla (2): Madrid

Madrid / Anos 50
Temos aqui quase a mesma vista do postal dos anos 20, mas agora mais virada para a Gran Via. Já estamos nos anos 50. Aquele Madrid pejado de tranvías (eléctricos) dá lugar a um Madrid de autocarros de 2 pisos. Dos tempos da suave ditadura (ditablanda) de Primo de Rivera passamos aos tempos do Generalíssimo. Dizia-se que o paternal diatdor frequentava os prostíbulos da má vida, enquanto que o Generalíssimo odiava esse tipo de fraquezas carnais. Pelo meio, Madrid - da efervescência cultural e social dos anos 20 e 30 para a rançosa pax franquista dos anos 40 e 50. Lá ao fundo vê-se o emblemático edifício da Telefónica, que foi nos finais dos anos 20 e durante quase toda a década seguinte o mais alto edifício da Europa (imagine-se...). Ainda hoje, apesar de tudo, domina o cenário.

Castilla (1): Madrid

Madrid / Anos 20
Gosto de Madrid. A avaliar por este velho postal dos anos 20, a confusão e animação foram sempre características suas. Numa noite quente de Verão, em 1981 ou 1982, lembro-me de ter ficado surpreendido por um engarrafamento na Gran Via... às duas e tal da madrugada. Saíam as famílias dos teatros e cinemas e e gozavam, com castelhana extroversão, as delícias de uma noite quente. Na verdade, gosto especialmente da Gran Via, de que aqui no postal, apenas se entrevê o início, do lado direito. Mais que a Puerta del Sol e até do que a Plaza Mayor é o epicentro do caldeirão madrileno. Na última vez que por lá andei fiquei surpreendido porque em dois pontos nevrálgicos (Red San Luís e Callao) um exército de putedo (boa parte dele composto por mulatonas espampanantes) havia aí consolidado posições aparentemente inexpugnáveis. Era ver o passeio do Palácio de la Prensa transformado em trottoir... Definitivamente uma certa forma deliciosa de decadentismo havia ganho "el corazón del império". Entretanto, é um facto, uma boa parte da tradicional animação desertara desses passeios.