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terça-feira, dezembro 12, 2006

Viagens (47): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (5)

4º Dia (3ª Feira / manhã)

Para este dia estava planeada uma visita a San Gimignano e Siena. Na Hertz diligenciei o aluguer de uma viatura. O que é que haveria de calhar em sorte? ...Pois, mais um Ford Ka.
A estrada que vai até Siena não sendo propriamente uma auto-estrada, tem faixas separadas, com óptimo piso e não tem portagem. A paisagem toscana está repleta de colinas e é verdejante. Vêm-se muitas casas de quintas. A natureza é ao mesmo tempo exuberante e civilizada. Predominam vinhedos e bosques.
Passei por Poggibonsi, cidadezinha de 20.000 habitantes, com ar próspero. É um dos centros de produção do vinho Chianti. Logo a seguir, consegue-se divisar ao longe San Gimignano, com as suas treze torres. Está no cimo de uma colina, amuralhada. A invasão turística que assolava Florença estendia-se até aqui, produzindo, desde logo, dificuldades para estacionar em qualquer um dos terreiros no exterior da muralha. Não há cidade fora da muralha e lá dentro todas as casas são medievais. Nem Óbidos consegue ter um aspecto tão homogéneo e coerentemente antigo, embora esta cidade seja maior, mais populosa e mais visitada, talvez, numa escala de dez vezes mais... As tais torres, são de palácios aristocráticos e sugerem-nos aquela Toscana medieval onde imperavam rivalidades entre cidades, príncipes e condottieri. Aqui, nesse passado convulso, cada nobre pretendia suplantar o nobre vizinho pela altura da sua torre. Este espírito puerilmente vaidoso é, ao fim e ao cabo, o mesmo que esteve na base do mecenato. É claro que o resultado atenta contra todas as noções de harmonia e proporção, mas não deixa de ser pitoresco. Algures antes dos finais da Idade Média, San Gimignano parou no tempo. O esplendor das vizinhas Florença e Siena determinaram o seu estertor. Apenas se manteve uma activa produção vinícola. Assim chegou aos nossos dias esta anacrónica pérola medieval. Renasce agora em função do turismo.
Estava um calor ainda mais insuportável que o nos dias anteriores. À hora de almoço, encontrei refúgio numa loja com ar condicionado, que vendia sanduíches e proporcionava ao mesmo tempo mesas e bancos para se comer. Assim, nesta espécie de self service rústico acabei por comer e, muito bem, ademais por um preço que, em Itália, é magnífico. Entre outras coisas, foi-me apresentada a mais popular cerveja italiana, a Moretti, assim como a Broschetta, que consiste numa fatia de pão frito com tomate e mais alguns condimentos.

Viagens (46)

Condé Nast Traveler, Nov 2006: Top ten cities Europe
O número de Novembro da revista norte-americana de viagens Condé Nast Traveler divulgou listas do que, segundo os critérios próprios, é o melhor em diferentes itens de viagens e turismo. Eis aqui o top ten das cidades europeias:

1 Florença 86,8
2 Roma 85,0
3 Veneza 82,9
4 Istambul 81,3
5 Paris 80,8
6 Barcelona 79,7
7 Siena 79,6
8 Bruges 78,3
9 Londres 78,3
10 Viena 78,1

sexta-feira, novembro 10, 2006

Viagens (45): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (4)

Viagem ao Norte de Itália (Julho/Agosto de 2001) 3º Dia

De manhã, ao sair do hotel, pude finalmente constatar aos encantos de Florença. A luminosidade e a ausência de fadiga permitia-me uma visão diferente. Deparei-me logo com a imponência do Palazzo Strozzi e com a igreja de Santa Maria Novella, que tem uma fachada onde sobressai o contraste entre as linhas entremeadas de cinzento claro e de cinzento escuro, o que se repete, aliás, em vários outros edifícios religiosos e laicos.
Um dos problemas que afectou a estadia foi a avalanche turística que me dissuadiu de engrossar as longuíssimas bichas para entrar em sítios fundamentais. Porém, ainda pior foi a onda de calor, com temperaturas máximas em torno dos 37º e mínimas que não desciam dos 23º. Florença foi protagonista desta vaga e os telejornais repetiam imagens de turistas banhando-se nas fontes.
A Catedral de Santa Maria del Fiore (Duomo) é um dos ex-libris da cidade. A grandiosidade da cúpula, de Brunelleschi, contrasta com a graciosidade das linhas de todo o edifício, em particular com a fachada e o Campanille (torre sineira). Há formas geométricas nos mesmos tons de Santa Maria Novella. Sempre tive queda pelos excessos barrocos, contudo, o classicismo florentino, nomeadamente o que se pode apreciar no Duomo, é de insuperável elegância, sem renunciar a pormenores decorativos. Ainda assim, o interior pareceu-me não estar à altura do exterior. O baptistério, edificado à parte (em Pisa também é assim), bem no centro da praça, é imponente. A Porta do Paraíso (Leste) atraía uma descomunal fila de turistas, cuja maioria, talvez, não soubesse estar perante uma réplica. O original está no vizinho Museo dell’opere del Duomo. Todo este conjunto monumental, visto de cima não deixaria de se assemelhar a torrões de açúcar atacados por um formigueiro. Os turistas são aqui uma completa amostra da humanidade - pude ver, por exemplo, uma excursão de turistas hindus.... Muitos faziam parte de grupos guiados que se embrenhavam por ruas esconsas. Mesmo em sítios aparentemente comuns paravam, banhados em suor, escutando o guia. Em boa verdade, qualquer recanto pode exalar história e a arte pode assaltar a partir de um qualquer saguão. Pouca coisa comum deve haver no centro de Florença... O vulgar turista, mesmo aquele que detém alguma sensibilidade para as coisas da arte e da história, corre o risco de enfartamento. Mas, não se pense que é uma cidade museu, no sentido, em que esteja desprovida de vida normal. Tem cerca de meio milhão de habitantes e um intenso tráfico adaptado às contingências de uma morfologia medieval. Contudo, note-se, que não se vislumbra em todo o centro um único edifício moderno! Este e outros sintomas denotam que a cidadania está orgulhosa do estatuto ímpar da sua urbe.
A Via dei Calzaiuoli é o eixo que atravessa o centro. Um pouco mais ampla que as restantes ruas, exclusivamente reservada a peões, vem desde o Duomo, passa perto da Piazza della Repubblica e desagua na Piazza della Signoria. A Piazza della Repubblica está composta por edifícios novecentistas, de linhas clássicas, ocupados por companhias de seguros. Está rodeada de cafés com esplanadas, onde os turistas são alegremente espoliados pelo consumo de um Cinzano ou de um gelato. A Piazza della Signoria é a ágora – o coração cívico. Impressionei-me quando lá cheguei e dei de caras com o ex-libris máximo, o Palazzo Vecchio e a sua torre comunale. Lá estão estátuas célebres como Perseu, de Benvenuto Cellini e, sobretudo, Davide, de Michelangelo. Mas, é evidente que são réplicas... Naquela manhã de primeira segunda-feira de Agosto, aquele lugar parecia palco de um quase tumulto, tal era a quantidade de turistas emocionados que tropeçam uns nos outros, de máquina fotográfica em riste. Com efeito, muita gente chega aqui com a emoção com que um muçulmano chega Meca. Perante a visão do Davide com a moldura do Palazzo Vecchio atrás, sente que cumpriu um desígnio superior – muitos não se contêm e tratam de utilizar o telemóvel para participar o evento a um algum ente querido distante. Para mim não foi muito distinta a sensação de atravessar a Ponte Vecchio, que até os nazis não tiveram coragem de bombardear... Todas as lojas da ponte, com uma única excepção, são ourivesarias. As montras ostentavam peças a preços inalcançáveis. Mas mais importante foi comprovar que dessa ponte mítica se pode apreciar um pôr de sol especial... Toda o dia foi ocupado em deambulações pedestres – é a única forma adequada de conhecer a cidade. Quando caiu a noite foi uma surpresa verificar que não havia gente na rua na quantidade que seria de esperar. Depreendi que em Itália há pouca animação exterior nocturna, sobretudo, atendendo às potencialidades dos espaços e ao que ocorre, por exemplo, em Espanha.

domingo, outubro 01, 2006

Viagens (44): Valladolid, Oviedo e Zamora / 2006 (5)












Zamora

Quando decidi abreviar a minha estadia em Oviedo, irritado com a chuva, considerei duas hipóteses: regressar pela Galiza e, finalmente conhecer Lugo (a única capital provincial galega que ainda não conhecia) ou por Castela de modo a, finalmente, conhecer Zamora. À partida, atraía-me mais Lugo que Zamora, mas consciente de que a chuva também é um visitante fiel das terras galegas, afiancei-me na aridez dos planaltos castelhanos. Em boa hora o fiz.
Uma vez mais, transposta a cordilheira cantábrica, deu-se uma radical mudança climática. Não só a chuva desapareceu de todo, como o céu ficou limpo. Voltou o calor. Gosto dos amplos horizontes dos campos castelhanos. O caminho para Zamora deu-me mais uma dose deles. O que eu já conhecia da província de Zamora, era a parte mais setentrional, a montanhosa região de Sanabria, que tem características diferentes. Mas a capital está implantada num cenário muito distinto, bem castelhano, junto ao Douro. Tem cerca de 70.000 habitantes e é uma das mais pequenas capitais provinciais espanholas. Todos os guias referem ser uma cidade interessante por ter uma grande quantidade de templos românicos. Para além disso, é daquelas cidades cujo nome ecoa na história… Sabia tudo isto, mas, ainda assim, transcendeu as minhas expectativas.
Há um certo espírito das cidades com o qual pode existir uma indefinível sintonia, que nos leva a simpatizar ou antipatizar, sem que, necessariamente, se possam alinhar argumentos racionais. Ora, sucede que sintonizei com Zamora. A parte antiga (ainda parcialmente rodeada por muralhas) é extensa e tem sobrado carácter. Aí se pode ver o que é uma cidade setentrional da meseta, com casas escuras e galerias de marquises tradicionais. Há ainda marcas de rusticidade que advêm da ligação com actividades agrícolas e pecuárias, o que se nota na abundância de comércio de produtos artesanais, desde enchidos a mantas. O românico, efectivamente, está omnipresente, através de numerosos edifícios religiosos - é este o factor que mais lhe confere um carácter rústico. Contudo, e de forma surpreendente, há vários edifícios modernistas, da primeira metade do século XX. Muitos deles notáveis e quase todos excelentemente conservados. Do contraste entre rusticidade e modernismo resulta uma personalidade citadina original. Como se não bastasse, apresenta ainda as consabidas qualidades das cidades espanholas: ruas centrais exclusivamente para peões, cheias de animação; um centro cívico bem reconhecível. No primeiro caso, Santa Clara é uma rua pedonal extensa que, além do mais, tem a vantagem de nos ir introduzindo progressivamente no coração da cidade através de uma transição gradual. No segundo caso, a Plaza Mayor, ostenta um templo românico que, se, por um lado, lhe retira a amplitude característica das plazas mayores, por outro, dá-lhe uma personalidade original.
Situada perto de Valladolid e Salamanca, Zamora parece, ainda assim, ter encontrado um espaço de afirmação próprio. Não ficou parada no tempo. Com efeito, a área moderna é mais extensa do que se possa supor e tem uma inesperada monumentalidade para uma cidade com menos de 100.000 habitantes, capital de uma província com menos de 500.000. Contudo, o diário de Valladolid, El Norte de Castilla, tem uma edição específica para a província e vê-se nos quiosques e nas mãos dos transeuntes com a mesma frequência que o diário local La Opinión / El Correo de Zamora. De algum modo isto é um sintoma de inserção na área de influência directa da capital regional. Por outro lado, a leitura de um artigo de opinião no diário local, levou-me a perceber que existe, sob o ponto de vista cultural, uma dependência em relação a Salamanca.
Fiquei com vontade de voltar a Zamora e, se possível, na Semana Santa, já que, então, as múltiplas confrarias locais se esmeram em procissões, cuja grandiosidade nada fica a dever às mais afamadas da Andaluzia. E não é só uma questão grandiosidade, pois parece existir um clima emocional de autenticidade. A forma como vive essa quadra é hoje em dia o ponto mais alto da afirmação da sua cidadania.

Diputación Provincial de Zamora

quinta-feira, setembro 28, 2006

Viagens (43): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (4)

Viagem ao Norte de Itália (Julho/Agosto de 2001) 2º Dia (tarde / noite)
É claro que em Portofino o almoço tinha que ser junto à marina. Mas, por prudência, em vez da faustosa esplanada de um ristorante, optei pela mais simples de uma trattoria. Nem por isso me livrei de uma conta de dificultosa digestão…
A viagem tinha de prosseguir, mas, renitente em abandonar estas paisagens, resolvi prosseguir fora da auto-estrada. Assim, tomei a marginal que desafia a encosta escarpada e onde, através de curvas e contra-curvas, se disfrutam de belas panorâmicas sobre a baía. Quando cheguei à cidadezinha de Chiavari impunha-se retomar a auto-estrada. Aliás, a costa, a partir daí, vai-se tornando ainda mais acidentada e deixa de haver estrada marginal. É a região de Cinque Terre, nome alusivo a cinco povoados cujo acesso só é possível por barco.
Não faltou muito que entrasse na Toscana. As montanhas de Carrara anunciavam-na. Daqui são extraídos os famosos mármores e, por causa disso, as montanhas apresentam um aspecto escalavrado. Tinha planeado seguir pela auto-estrada e fazer incursões a Lucca e Pistoia, mas havia a alternativa de passar por Pisa, a qual, contudo, implicava chegar a Florença mais tarde, por uma estrada comum. A opção acabou por ser a última.
Pisa é uma cidade de quase 100.000 habitantes nas margens do Arno. Na Idade Média fora um importante porto que sustentara rivalidade com Génova. Pois, agora está a cerca de 20 quilómetros do mar e o Arno está longe de ser navegável. O mar recuou e o rio assoreou. Foi o mesmo que sucedeu na cidade flamenga de Bruges. A torre e o conjunto monumental que a rodeia são imponentes e apresentam o mesmo estilo renascentista que encontraria em Florença. A torre pareceu-me ainda mais inclinada do que supunha. O acesso ao seu interior é interdito. Dois factos desagradáveis começaram a salientar-se: um calor excessivo e um vasto exército de turistas. Isso, juntamente com a necessidade de não chegar demasiado tarde a Florença, determinaram uma visita curta. Assim, depois de feito o abastecimento de recordações (existe uma sortido espantoso de quinquilharia alusiva ao ex-libris local), deixei a cidade de Galileo Galilei.
A chegada a Florença não esteve à altura das expectativas. Entrei por uma zona residencial moderna que se liga em transição incaracterística ao centro histórico. Além disso, rapidamente me achei consumido por um quebra-cabeças: como chegar ao destino, Hotel Medicis, em pleno centro e estacionar aí? Para grandes males, grandes remédios: como estacionar só seria possível numa garagem, pagando avultada maquia, resolvi antecipar a devolução do carro à Hertz, que tinha um escritório ainda aberto no aeroporto local. Chegar lá e encontrar, previamente, uma gasolineira aberta para deixar o depósito cheio (como era imperioso pelo contrato de aluguer), num domingo à noite, revelou-se uma aventura que descambou em sofrido transe… Era já meia-noite quando, finalmente entrei no quarto do hotel. Era um quarto grande mas fora do hotel propriamente dito. Ou seja, era um anexo exterior que estava num edifício de habitação, numa estreita rua com o sugestivo nome de Via delle Belle Donne. Tinha acabado de pagar uma brutalidade pelo aluguer do carro, outra brutalidade por uma corrida de táxi e estava cansado…

sexta-feira, agosto 18, 2006

Viagens (42): Valladolid, Oviedo e Zamora / 2006 (4)

Oviedo
Já tinha estado em Oviedo, de passagem, em Abril de 2000. Na altura, fiquei com uma excelente impressão da cidade, como, de resto, de toda Astúrias. Pena foi, então, que a meteorologia não tivesse ajudado. Fiquei com a firme intenção de voltar, mas em pleno Verão.
Vindo de Valladolid, atravessei Tierra de Campos, rumo a Norte, passando à ilharga de León. O calor amainara muito desde o dia anterior, de modo que a viagem prometia, tanto mais que o céu, se bem que já não inteiramente limpo, permanecia pouco nublado. Pareciam, assim, reunidas as condições ideais para viajar. É certo que ao aproximar-me da Cordilheira Cantábrica ficou mais nublado, mas nada deixava prever o que se seguiria. Efectivamente, depois do longo túnel de Caldas de Luna, que culmina uma série de túneis num troço de cerca de 20 Km de alta montanha, desaguei, num outro universo meteorológico. Um série de alarmes luminosos na parte final do túnel indicava o eminente perigo de nevoeiro cerrado e a necessidade de manter uma velocidade constante de 80 Km, nem mais, nem menos. Ao sair deparei-me com as mais difíceis condições de conduzir em auto-estrada: sem ver nada, em pleno nevoeiro cerradíssimo sob chuva torrencial. O termómetro do carro passara de 24º, antes dos túneis, para 16º. Era meio-dia e parecia noite. Afinquei-me à rectaguarda de um camião TIR para, através do correspondente vulto, ter um referente visual que me orientasse entre o espesso nevoeiro. Se a isto se acrescentar o pavimento escorregadio e as
acentuadas inclinações descendentes por curvas e contracurvas, temos o quadro de emoções fortes que me acolheu na verde Astúrias... Foi assim quase até Mieres. Aí o nevoeiro cerrado desapareceu, mas a chuva não. Entrei em Oviedo sob chuva torrencial e dei facilmente com o hotel que era o edifício mais alto da cidade e estava localizado praticamente em cima da estação de caminho-de-ferro. Depois, tratei de estacionar o carro e refugiar-me no conforto do hotel. Os atavios de verão eram um absurdo na intempérie, mas não tinha nada previsto para um cenário assim. Ficar no hotel era a única alternativa. Ironicamente, ao ligar a TV deparei-me com insólitas imagens de uma vaga de calor pelo centro da Europa... Uma vez mais, Astúrias caprichava em demonstrar de forma eloquente a razão pela qual é tão verde... Eram 7 da tarde quando finalmente a chuva parou e saí. O crepúsculo de um dia tão cinzento não era promissor para tirar fotos. Mesmo assim tirei algumas. Toda a cidade é agradável, com o seu composto ar burguês, mas o centro histórico é uma pérola. A catedral e todo o perímetro em seu torno constitui um dos cenários urbanos mais interessantes que conheço. Está bem cuidado e tem vários palácios. Muitos edifícios comuns são também interessantes, com as suas galerias de marquises tradicionais. O próprio pavimento é bonito e está adaptado às funções exclusivamente pedestres da maior parte das ruas e praças. Fora deste perímetro a cidade tem muito de interessante, quer em edifícios, quer na ordenação da malha urbana. Há uma zona, Llamaquique, onde existem grandes edifícios modernos de linhas arrojadas, entrecortados por abundantes espaços ajardinados. Numa outra zona, junto à estação, todas as linhas ferroviárias foram soterradas sob uma alameda ladeada por fileiras de edifícios de configuração original. Há ainda um grande parque central, Campo de San Francisco, muito aprazível. O eixo que vai desde Escandalera, junto ao Teatro de Campoamor, até à estação, por Uria, é um catálogo de bom-gosto arquitectónico da primeira metade do século XX. Pena é que nesta última artéria extensas obras perturbassem o cenário. Comércio e serviços não faltam. Desde um centro El Corte Inglés até comuns centros comerciais. Há uma magnífica livraria, Cervantes, como só é comum encontrar em grandes cidades. Além disso, embora não tivesse lá ido, há uma FNAC num centro comercial situado a meio caminho da auto-estrada que liga a Gijón e Avilés. É uma cidade com mais movimento do que a sua dimensão (200.000 habitantes) possa levar a supor, por causa do comércio e das suas funções de capital de uma região com 1.000.000 de habitantes. Com efeito, alberga todas as delegações estatais. Ostenta também reconhecidos elementos da identidade asturiana: a sede da Academia de Língua Asturiana, por exemplo, assim como, num plano distinto, numerosas sidrerías, ou seja, bares especializados em servir essa característica bebida regional.
Esta apreciação decorreu nesse penumbroso fim de dia e, sobretudo, na manhã seguinte, a qual, apesar de cinzenta, parecia anunciar um dia menos chuvoso. Seja como for, desanimado pela inusitada invernia, esta já se me afigurava ser aqui uma fatalidade perene. Assim, tomei a decisão de antecipar o regresso. Desisti, portanto, de ver as duas famosas ermidas pré-românicas da periferia e de visitar Gijón e Avilés. Iria para a Galiza ou Castela. Saí ao meio-dia e resolvi optar, de novo, pela secura castelhana, já que a Galiza também é amiga da chuva.


sexta-feira, agosto 11, 2006

Viagens (41): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (3)



Viagem ao Norte de Itália (Julho/Agosto de 2001) 2º Dia (manhã)

O dia começou em esplendor: abrindo as persianas, eis o espectáculo do Lago Maggiore e dos Alpes numa manhã luminosa! Contudo, após um breve passeio pela marginal, impunha-se começar uma jornada de 500 quilómetros rumo a Sul.
Rapidamente se atingiu a auto-estrada que vem de Domodossola, na fronteira com o cantão suíço de Vaud, e vai até à costa lígure, atravessando o Piemonte. Após uma profusão de túneis, chegámos à planície Padana. Passámos à ilharga de Novara, Vercelli e Alessandria. Aqui não pude deixar de evocar a figura do músico Paolo Conte, meu ídolo, que é desta zona.
Foi no Piemonte que se forjou o nascimento da Itália (Rissorgimento). Era uma parte do reino da Sabóia. É curioso, pois, essa entidade não era genuinamente italiana, já que as suas origens estavam em território hoje francês. Na corte e nos ambientes cultos, a língua dominante foi, nos séculos XVII e XVIII, o francês, o qual só a partir do século XIX começou a ceder perante o toscano (italiano). Note-se, porém, que entre o povo, que falava um romance de filiação gálica, o idioma de Dante não era menos estranho que o francês...
Ao entrarmos na Ligúria a auto-estrada embrenha-se nas montanhas. Daqui para diante e por muitos quilómetros o percurso foi feito mais sob túneis do que à superfície. Não imaginava que houvesse auto-estradas com tantos túneis. A Ligúria é uma região litoral e montanhosa. As localidades aparecem implantadas sobre penhascos, com uma característica torre de igreja e um pequeno castelo. Génova, a principal cidade, é populosa e ostenta uma rica tradição comercial e marinheira. Entre várias glórias, basta dizer que foi aqui que mais provavelmente nasceu Cristóvão Colombo. A fisionomia desta cidade é original, pois estende-se por uma longa faixa costeira alcandorada em encostas íngremes. A beira-mar é um porto contínuo – o mais importante da Itália. A auto-estrada passa pelas suas entranhas num percurso intermitente de túneis e fragas escavadas. A cidade foi-se mostrando, assim, em flashes, com zonas residenciais em socalcos. Eram edifícios comuns, mas sujeitos a homogeneidade de cores. Tal como acontece em Espanha, são muitas as varandas que dispõem de toldos iguais (o mesmo padrão cromático para cada prédio) e muitas têm flores.
A seguir tomámos o desvio para Portofino. Entrámos na estância de Rapallo e aí começou um trajecto que reforçou o meu fascínio pelo Mediterrâneo. É uma costa acidentada, revestida de vegetação arbustícia, mas onde a presença humana se distingue pelo bom gosto. Não se avista blocos de apartamentos ou torres de hotéis como os que enxameiam o Algarve e a costa mediterrânea espanhola. Não estamos perante uma área despovoada (bem pelo contrário), o que sucede é que tudo parece ter sido construído entre a Belle Époque e os anos 50. São numerosas as casas apalaçadas e não raras as mansões. A arquitectura é de bom-gosto.
Rapallo é um aperitivo para a estância seguinte, Santa Margherita Ligure. Esta, por sua vez, prepara a entrada para Portofino. As praias, propriamente ditas são acanhadas, com areia grossa ou mesmo só seixos e rochas. Naquele concorrido domingo a estrada estava bordejada por um enxame de “vespas” e motas.
Portofino é um rincão do paraíso. Só há casas de estilo genovês – altas, estreitas e de cores suaves. Nas colinas em redor só se vislumbram vivendas apalaçadas. O porto alberga iates de luxo. Não admira que os estilistas milaneses venham para aqui fazer os seus desfiles… É um cenário de anúncio Martini. O tema Love in Portofino, seja no original de Johnnny Dorelli ou na versão de Dalida, ainda traduz bem a atmosfera do lugar. Também podem ser convocados clássicos de temática estival como Sapore di Sale ou Estate

quarta-feira, agosto 09, 2006

Viagens (40): Valladolid, Oviedo e Zamora / 2006 (3)







Valladolid
A capital de Castilla y León é uma cidade desconcertante. Alberga um punhado de jóias monumentais, mas a sua estrutura urbana não valoriza esse património. Assim, ao contrário de Burgos ou León, e, muito menos, de Salamanca, cresceu de costas voltadas para a sua história. E cresceu demais. Infelizmente, em Espanha, há muitos exemplos análogos, mas o que aconteceu com Santa María de la Antigua, em pleno centro de Valladolid, é inaudito. A igreja possui uma esbelta torre. Diz-se que é a mais bela torre de Castela. Pois sucede que se encontra rodeada por grandes prédios, construídos nos anos 50 e 60, o que além de lhe roubar espaço de presença, diminui a percepção da sua torre. Felizmente que, junto à ampla Plaza de San Pablo, quer a famosa igreja do mesmo nome, quer o Colegio de San Gregorio (onde está instalado o Museo Nacional de Escultura), com belas fachadas, tiveram melhor sorte com o enquadramento. Curiosamente, ambas estavam a ser alvo de trabalhos de conservação e havia tapumes artísticos e imaginativos que minimizavam os seus efeitos.
A
Plaza Mayor está longe de poder ombrear com outras mais conhecidas, mas é, sob o ponto de vista de funcionalidade urbana, um exemplo perfeito do que é uma plaza mayor castelhana. É o centro efectivo da urbe. Com os edifícios todos pintados com a mesma côr ocre (anteriormente era apenas a do Ayuntamiento), tem harmonia e carácter. A limitação quase total do tráfico automóvel reforçou o seu protagonismo. Aí vão ter várias artérias comerciais, quase todas exclusivamente pedonais, com um carácter bem espanhol. O mesmo carácter se pode aplicar a esse "passeio público" que é o Paseo de Zorrilla, cujo início está junto do parque do mesmo nome. Meia cidade sai a passear e a fazer compras ao fim da tarde e uma boa parte converge para o eixo que começa na Plaza Mayor, vai pela pedonal Santiago e desagua no referido Paseo. Ou seja, o eixo que vai da Plaza Mayor até ao maior centro do El Corte Inglés da cidade. Há muitos edifícios modernos de grande porte por todo lado e o mal, é que, mesmo o centro histórico está, como já referi, pejado deles. O problema não é que sejam edifícios feios - a maioria tem um aspecto digno, ainda que algo banal, num modelo mais ou menos comum à maioria das cidades espanholas; o problema é que descaracterizaram o centro histórico. Além disso, os edifícios mais imponentes não têm tanto interesse como é costume suceder nas maiores cidades espanholas. Só um ou outro banco assinalam a existência de uma meia dúzia de grandes edifícios interessantes.
O Rio Pisuerga, que uma dúzia de quilómetros mais abaixo desagua no Douro, passa discreto. Efectivamente, não são muitos os espaços ajardinados nas suas margens que o valorizem. A periferia é desinteressante. A avassaladora construção civil semeou bairros e mais bairros em monótona sucessão, que nem as simpáticas vivendas geminadas em série (
adosadas) conseguem quebrar. Na verdade, são cerca de 350.000 habitantes e esta foi a cidade que mais rapidamente cresceu em Castilla y León... Enfim, um certo desenvolvimentismo ignorou os vestígios históricos da antiga capital do império (antes de Madrid).
Fiquei num hotel a 10 Km do centro, em Arroyo de la Encomienda - AC Hotel Palacio de Santa Ana). Magnífico! Está instalado num velho convento, que desta forma foi recuperado com dignidade. Pena é que, se do lado do rio o enquadramento está à altura, do lado contrário vigora o império do cimento e um mar de gruas atesta os avanços da construção civil num processo que já ameaça devorar a vizinha localidade de Simancas. Já agora, termino por referir que é, precisamente no castelo de Simancas que está grande parte do Arquivo Histórico de Espanha (Archivo General de Simancas).

sábado, agosto 05, 2006

Viagens (39): Valladolid, Oviedo e Zamora / 2006 (2)


Peñafiel
No leste da província de Valladolid, junto ao Rio Duratón, muito próximo da sua confluência como o Duero (o nosso Douro) está Peñafiel. A sua presença anuncia-se ao longe pela silhueta do seu imponente castelo. Vindo de Cuéllar por uma estrada secundária, em obras, a aproximação acabou por ser demorada. Numa das retenções pude avistar o castelo quando ainda estava a cerca de dez quilómetros. Castela faz mesmo jus ao nome pela profusão de castelos que ostenta, mas este, o de Peñafiel, não é um castelo qualquer. Não é só pela sua grandeza, mas também pela sua traça longuilínea em forma de barco veleiro. Este seu carácter distinto foi reforçado pela instalação no interior de um Museu do Vinho. Na verdade, toda esta região da Ribera del Duero é terra de vinho. O curso do Douro parece que caprichou em proporcionar a grande parte das terras ribeirinhas as benesses de Baco... Se do lado português são por demais conhecidas as credenciais vinícolas, atestadas pelos melhores vinhos finos do mundo (o Vinho do Porto, é claro!) e por alguns dos melhores vinhos de mesa de Portugal, a verdade é que do lado castelhano temos alguns dos mais credenciados vinhos de mesa do mundo (Vega Sicilia, Rueda, etc...).
Não subi ao castelo. O calor era insuportável e, depois de ter almoçado em expedita modalidade de tapeo de barra (tapas ao balcão) cirandei por castiças ruelas desertas (hora de siesta com calor tórrido...) em busca do famoso Coso. Os cosos são praças com características peculiares. A sua configuração está especificamente adaptada a espectáculos taurinos, ou seja à função de arena de lide. Muitos são plazas mayores. Portanto, a adaptação ou concepção de raíz para arena fez-se muitas vezes em acumulação com as tradicionais funções de forum cívico. Contudo, vulgares plazas mayores não deixaram de cumprir episodicamente a função de arena, sem chegarem a ser formalmente cosos. Convém saber que esta prática não foi exclusivamente castelhana. Em Lisboa, por exemplo, o Terreiro do Paço cumpriu muitas vezes a função de arena para espectáculos tauromáquicos. Aliás, a grande maioria das praças de touros, propriamente ditas, só apareceram na segunda metade do século XIX. A partir de então os cosos perdem importância como arena, a ponto de muitos se transfigurarem. Mesmo assim, conservam-se bastantes, sobretudo em localidades pequenas. O coso de Peñafiel é, provavelmente o mais espectacular, com casas de arquitectura genuinamente castelhana, perfeitamente restauradas.

Viagens (38): Valladolid, Oviedo e Zamora / 2006 (1)




Portillo
Viajar no pino do Verão pela Meseta não é a melhor escolha. Por várias razões, a começar pela alta probabilidade de se sofrer calor tórrido. Foi o que aconteceu na jornada Valladolid - Portillo - Íscar - Cuéllar - Peñafiel - Valladolid. Nestas circunstâncias, abandonar o ar condicionado do carro ou evitar regresso antecipado ao conforto de um hotel de cinco estrelas, exigia espírito quase militante. Contudo, não deixei de apreciar com detença Portillo, a primeira escala.
A escolha de Portillo resultara, uma vez mais, das imagens e comentários de A vista de pájaro. O que encontrei excedeu as minhas expectativas, com excepção do castelo, que já não se apresentava em dignas ruínas. Pior, estava em obras e em seu torno havia material de construção de todo o tipo. Nestas coisas só há duas alternativas adequadas: ou se deixa o edifício cumprir naturalmente o seu ciclo de vida, sendo as ruínas um digno desenvolvimento desse ciclo; ou se leva a cabo um criterioso plano de reconstrução. Não pude aperceber-me se as obras em curso podem ser enquadradas na segunda opção, mas, a verdade é que, objectivamente, o cenário de estaleiro que encontrei atentava contra a natureza do lugar. A localidade é encantadora e o seu enquadramento, num outeiro que domina extensos campos, sublime. Só a visão destes campos de Castilla constitui um clamoroso desmentido da suposta monotonia das paisagens castelhanas. Mas neste particular, o trajecto entre Portillo e Íscar apresenta um espectacular exemplo. Refiro-me concretamente, à panorâmica que se disfruta quando a estrada começa a descer na direcção de Mogeces e Cogeces de Íscar, no vale do Rio Cega.
Em Íscar não parei. Em Cuéllar limitei-me a estacionar no terreiro junto ao imponente castelo. Contudo, em relação a esta última localidade (no extremo noroeste da província de Segovia), fiquei com a sensação de que merecerá posterior visita com detalhe. Segui rumo a Peñafiel, onde, aliás, fazia intenção de almoçar.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Viagens (37)

Concluída mais uma incursão por terras de Espanha é altura de actualizar o inventário de lugares conhecidos. Como sempre sucede, entre o planeado e o concretizado acabou por haver notáveis diferenças. Basicamente, sucedeu que a exploração do extremo Norte da província de Ávila foi trocada por Zamora e que a incursão asturiana se restringiu a Oviedo, devido à (quase) sempiterna chuva aí residente... Ao fim de uma semana de automóvel, essencialmente pelas províncias de Valladolid, Asturias e Zamora, é este o primeiro balanço:

Castilla y León
07 Valladolid (Cidade) Valladolid
09 Portillo (Localidade)
Valladolid
09 Portillo - Íscar (Planalto) Valladolid
07 Íscar (Localidade)
Valladolid
08 Cuéllar (Localidade) Segovia
09 Peñafiel (Localidade) Valladolid
08 Medina de Ríoseco (Localidade) Valladolid *
09 Tierra de Campos (Planalto) Valladolid *

Asturias

09 Oviedo (Cidade) *

Castilla y León
07 Benavente (Localidade) Zamora
09 Zamora (Cidade)
Zamora

* Lugares já visitados anteriormente

quinta-feira, julho 06, 2006

Viagens (36)

Alentejo
Prossigo a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.
1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.

Beja
08 Aljustrel (Localidade)
06 Amareleja (Localidade)
06 Castro Verde (Localidade)
08 Costa Vicentina (Costa)
08 Mértola (Localidade)
08 Moura (Localidade)
07 Odemira (Localidade)
07 Planície Alentejana (Planície)
06 Santo Aleixo da Restauração (Localidade)
06 Vila Verde de Ficalho (Localidade)
Évora
09 Arraiolos (Localidade)
09 Estremoz (Localidade)
10 Évora Cidade Évora
08 Évora-Monte (Localidade)
09 Monsaraz (Localidade)
08 Montemor-o-Novo (Localidade)
08 Mourão (Localidade)
08 Planície Alentejana (Planície)
07 Redondo (Localidade)
05 Vendas Novas Localidade Évora
09 Vila Viçosa (Localidade)
Portalegre
07 Alter do Chão (Localidade)
08 Arronches (Localidade)
07 Campo Maior (Localidade)
04 Cano (Localidade)
04 Casa Branca (Localidade)
10 Castelo de Vide (Localidade)
09 Elvas (Localidade)
09 Marvão (Localidade)
07 Portalegre (Cidade)
05 Sousel (Localidade)
05 Tolosa (Localidade)
Setúbal
07 Lagoa de Santo André (Lagoa / Praia)
07 Porto Covo (Localidade / Praia)
08 Santiago do Cacém (Localidade)
06 Sines (Localidade)
07 Vila Nova de Santo André (Localidade)

domingo, junho 25, 2006

Viagens (35): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (2)

Viagem ao Norte de Itália (Julho/Agosto de 2001) - 1º Dia (tarde / noite)
Ecco! Eis-nos, alegremente, por estradas secundárias da Lombardia. Primeiro impacto: verde por todo lado, mas salpicado por vivendas de aspecto próspero. Em Sesto Calende, onde começa o Lago Maggiore, percebi subitamente que em Itália as placas verdes indicam auto-estrada e as azuis estradas comuns, o que evitou, por um triz, o abandono da estradinha que bordeja o lago.
Arona é um cenário de bilhete postal. Lindo! Na outra margem do lago, um castelo desafiava a cidadezinha. Desde logo observei particularidades do parque automóvel: predomínio de utilitários pequenos e de todo o tipo de motas. Sendo uma região que ostenta um dos primeiros lugares em nível de vida da Europa, este facto suscitou algumas reflexões acerca de diferenças de opções de vida. Não tardou a chegada a Stresa. Lá estavam as Ilhas Borromeas e a imponente mole alpina. O nosso hotel Eden estava mesmo em frente ao lago. Melhor ainda, o quarto dava para esse cenário. Era um edifício bem ao estilo italiano, de cor pastel e com aquelas persianas típicas. O segredo do seu preço ser tão baixo residia no facto de que parecia já ter conhecido melhores dias (há muito…), estando necessitado de amplas reformas. Na verdade, pagar só 15.000 escudos por noite era aqui algo de suspeito...
Depois de breve descanso, decidimos ir à Suíça, que estava apenas a 40 quilómetros. Tratava-se de fazer uma visita relâmpago à cidade de Locarno, no Cantão de Ticino. A marginal prometia paisagens espectaculares e… internacionalizávamo-nos um pouco mais. O problema foi que, no caminho, em Verbania, surgiu um enorme engarrafamento. Era um acidente. O tráfico foi desviado por acanhadas estradinhas que serpenteavam montanha acima, montanha abaixo numa paisagem de vivendas e de flora alpina. Tornou-se evidente que cada viatura seguia o rumo da que ia à frente, confiando que só poderia haver um único destino para toda aquela procissão. As bifurcações e entroncamentos não eram assim tão poucos e a ausência de placas direccionais era absoluta. A odisseia atingiu a gargalhada quando, perseguindo afincadamente o Audi que ia à frente e onde seguia uma sorridente família alemã, chegámos a um beco sem saída. Trocámos olhares divertidos, retrocedemos e experimentámos seguir outra proposta a partir de uma bifurcação que havia ficado para trás. Com êxito. Reencontrou-se a desorientada procissão e, vários quilómetros de curvas adiante, recuperou-se a marginal.
A Suíça apareceu, quando a noite já chegava. E o que trouxe de novo? Uma estrada mais larga, com mais sinalização e mais comércio. Curiosamente, o italiano não era a única língua presente nos letreiros, já que se notava por todo o lado a presença do alemão. Entramos em Locarno já noite e, por isso, não foi possível admirar bem a paisagem. Parámos junto ao Casino e fomos, por questão de prudência financeira, a uma pizzaria. Quando me esforçava com a minha melhor pronúncia italiana em comunicar o pedido, o garçon disparou à queima-roupa: são portugueses? Era um português (aliás, não era o único) que trabalhava ali há vinte e tal anos. Loquaz, familiar, disse que era de uma aldeia perto de Viseu e contou muita coisa da sua vida. Confidenciou que não gostava dos suíços e quando lhe perguntei se os dali, não seriam melhores, replicou que não, que até eram piores - por causa deles e dos de língua alemã, a Suíça não estava na União Europeia - eram xenófobos e não queriam dar direitos aos imigrantes. Nesta meteórica expedição suíça não tive oportunidade de comprovar que esta cidade é, juntamente com a vizinha Lugano, uma das mais ricas da Europa e refúgio de capitais italianos. Passámos de novo a fronteira (há mesmo fronteira a sério do lado suíço) e, desta vez, não houve nenhum desvio pelas montanhas – em breve estávamos de novo no hotel.

quarta-feira, junho 21, 2006

Viagens (34)

Concluindo o inventário de lugares conhecidos com Extremadura, Castilla - La Mancha e Comunidad de Madrid.
1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.

Extremadura
07 Alburquerque (Localidade) Badajoz
06 Badajoz (Cidade) Badajoz
08 Jerez de los Caballeros (Localidade) Badajoz
07 Mérida (Cidade) Badajoz
06 Monesterio (Localidade) Badajoz
07 Oliva de la Frontera (Localidade) Badajoz
07 Olivença (Localidade) Badajoz
05 Vegas Bajas (Planície) Badajoz
07 Zafra (Localidade) Badajoz
08 Aldeanueva de la Vera (Localidade) Cáceres
08 Baños de Montemayor (Localidade) Cáceres
08 Cáceres (Cidade) Cáceres
07 Campo Arañuelo (Planície) Cáceres
08 Cuacos de Yuste (Localidade) Cáceres
08 Garganta la Olla (Localidade) Cáceres
08 Jaraiz de la Vera (Localidade) Cáceres
08 Jarandilla de la Vera (Localidade) Cáceres
08 La Vera (Vale) Cáceres
08 Losar de la Vera (Localidade) Cáceres
08 Monfragüe (Parque Natural) Cáceres
07 Navalmoral de la Mata (Localidade) Cáceres
Castilla - La Mancha
08 Campos de Toledo (Planalto) Toledo
09 Toledo (Cidade) Toledo
Comunidad de Madrid
07 Collado-Villalba (Localidade) Madrid
07 Colmenar Viejo (Localidade) Madrid
07 Galapagar (Localidade) Madrid
07 Lozoya (Localidade) Madrid
09 Madrid Cidade (Metrópole) Madrid
06 Pinto (Subúrbio) Madrid
09 San Lorenzo del Escorial (Localidade / Monumento) Madrid
07 Sierra de Madrid (Serra) Madrid


quarta-feira, maio 10, 2006

Viagens (33)

Centro
Prossigo a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.
1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.

Aveiro

08 Aveiro (Cidade)
08 São João de Loure (Localidade )
08 Sever do Vouga (Localidade)

Castelo Branco

05 Beira-Baixa (Planalto)
05 Belmonte (Localidade)
05 Caria (Localidade)
05 Castelo Branco (Cidade)
07 Cova da Beira (Vale)
07 Covilhã (Cidade)
07 Fundão (Localidade)
08 Manteigas (Localidade)
05 Sertã (Localidade )

Coimbra

08 Aldeia das Dez (Localidade)
07 Arganil (Localidade)
07 Coimbra (Cidade)
07 Figueira da Foz (Cidade)
08 Lousã (Localidade)
09 Luso Localidade
06 Mealhada (Localidade)
07 Midões (Localidade)
07 Oliveira do Hospital (Localidade)
08 Penacova (Localidade)
07 Pinhal Norte (Planalto)
08 Piódão (Localidade)
07 Serra da Boa Viagem (Serra)
07 Serra da Lousã (Serra)
07 Serra do Açor (Serra)
08 Serra do Buçaco (Serra)
05Tábua (Localidade)
06 Travanca de Lagos (Localidade)

Guarda
08 Almeida (Localidade)
07 Celorico da Beira (Localidade)
08 Estrela (Serra)
07 Folgosinho (Localidade)
08 Gouveia (Localidade)
05 Guarda (Cidade)
08 Linhares (Localidade)
08 Seia (Localidade )
04 Vilar Formoso (Localidade)

Leiria
05 Alvaiázere (Localidade)
05 Ansião (Localidade)
08 Costa de Prata (Localidade)
07 Leiria (Cidade)
08 Nazaré (Localidade / Praia)
07 Pinhal Sul (Planalto)
08 São Pedro de Muel (Localidade / Praia)
06 Serra de Alvaiázere (Localidade)

Viseu
05 Carregal do Sal (Localidade)
07 Castro Daire (Localidade )
06 Mortágua (Localidade)
06 Tondela (Localidade)
08 Vale de Lafões (Vale)
07 Viseu (Cidade)

terça-feira, abril 25, 2006

Viagens (32): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (1)

1º Dia (manhã)
A viagem até Milão fazia escala em Madrid. Na sala de embarque, um exótico exemplar encheu a hora de espera. Mulher enorme, possuída por contumaz verborreia e insolitamente enciclopédica no que a matérias futebolísticas dizia respeito, em particular as referentes ao Sporting. O facto dos seus interlocutores (o marido e o filho adolescente) lhe corresponderem apenas com contida sinalética (esgares e grunhidos ténues), não a dissuadiu do exercício, que se traduzia, por exemplo, em manifestar conhecimentos tão inverosímeis como os resultados das mais ignoradas partidas da Copa América. Tudo isto era feito num tom que chocava estridentemente na sonolência das oito da manhã. Felizmente a verborreia desvaneceu-se logo que foi iniciado o embarque.
Como o céu estava limpo e ia junto a uma janela, lá fui identificando uma após outra as localidades avistadas. Mal dei por mim, estávamos em Barajas, que é enorme – uma babilónia quase com as proporções de Charles de Gaulle, mas sem linhas futuristas. Os anúncios pelo sistema sonoro, lembravam-nos que estávamos em Espanha, quer pelo escorreito castelhano (que, aliás, tão pouco se vai ouvindo no dia a dia espanhol), quer por aquela pronúncia inglesa que só os espanhóis têm. Na verdade falam inglês, submetendo-o com tranquilo desplante ao sotaque castelhano...
No avião que nos levaria a Milão, metade da população era espanhola, metade era italiana, o que se constatava através dos que retiravam da bandeja o El País ou o Corriere della Sera. Continuei a ter a sorte de ir à beira da janela e do céu estar limpo. Vi a imensidade das terras áridas de Teruel até aos limites do Maestrat, na confluência com a Catalunha. Depois, avistei Amposta, o delta do Ebro e daí para diante mar. Imaginei que, como a rota seguia paralela à costa, quem estava junto às janelas do outro lado, teria o privilégio de ver Barcelona…
Depois dos Alpes, a Itália chegou aos meus olhos com os campos da Lombardia, que estendiam-se planos e verdejantes, arrumados geometricamente. Múltiplos povoados concentrados surgiam desse verde. O nítido curso do permitiu-me identificar Piacenza. Aterrámos em Malpenza, um dos dois aeroportos que servem Milão. Fica a, nem mais nem menos, 60 km da cidade!
Já tinha planeado o percurso da viagem. Fizera marcações on-line não só para os hotéis como para o aluguer de automóvel. A primeira coisa a fazer era procurar a Hertz.
O moderno aeroporto faz jus aos méritos do design italiano. Os tons verdes e a visível qualidade dos materiais dão o mote a um estilo sóbrio. É nestes aspectos que a sensibilidade italiana sobressai... Há, como o resto da viagem haveria de confirmar, um natural bom gosto nos cenários comuns da vida quotidiana.
No escritório da Hertz tive a precisa noção de que tinha acabado de entrar no domínio da mais bela das línguas. O meu primeiro diálogo, contudo, processou-se através de um inglês elementar. O carro que nos estava destinado era.... um Ford Ka, aquele ínfimo ovinho!

sábado, abril 22, 2006

Viagens (31)

Prossigo o inventário de lugares conhecidos através de Astúrias, Cantábria e País Basco. 1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.
Astúrias
09 Cangas de Onís (Localidade)
09 Covadonga (Santuário)
08 Gijón (Cidade)
09 Oviedo (Cidade )
10 Picos de Europa: Lagos de Covadonga (Serra)
08 Sierra de Cuera (Serra)
07 Caudal (Vale)
08 Villaviciosa (Localidade)
Cantábria
09 La Hermida (Desfiladeiro)
10 Picos de Europa: Fuente-Dé (Serra)
09 Potes (Localidade)
08 San Vicente de la Barquera (Localidade)
09 La Liébana (Vale / Serra)
País Basco
08 Subijana (Desfiladeiro) Álava
10 San Sebastián (Cidade) Guipúzcoa
08 Bilbao (Cidade) Vizcaya

quarta-feira, abril 19, 2006

terça-feira, abril 04, 2006

Viagens (29): Mallorca / 2005 (1)

Sóller
Em meados de Agosto passado estive com o meu filho em Mallorca. Entrecortando a estadia em Palma, desloquei-me durante um dia à cidadezinha de Sóller, incrustada na Serra de Alfàbia (Tramuntana), no noroeste da ilha.
Há muito tempo que tinha curiosidade em ir a Mallorca e, em particular, a esse destino específico. Sucede que tenho no meu quarto duas sugestivas gravuras de Sóller, uma das quais apresentando uma vista a partir de um plano semelhante ao da primeira foto. Eram do meu pai, o qual, no início dos anos 50 aí esteve de férias. Descreveu-me várias vezes os encantos desse lugar, assim como de um lugar próximo, Valldemossa, onde Chopin passou uma temporada na companhia de George Sand. Fui num velho comboio, mantido com finalidades turísticas e que se conserva praticamente como nos tempos em que o meu pai o conheceu (segunda foto). Os atractivos do passeio começaram precisamente neste simpático meio de transporte - um arcaismo que, além do mais, proporciona paisagens atraentes. Tanto na ida como na vinda ia cheio - tudo turistas, a grande maioria alemães, os quais, diga-se de passagem, têm na ilha uma presença massiva. Dir-se-ia que para reforçar o sabor
retro, a composição saiu de Palma com o atraso de mais de uma hora, por avaria... (Continua)
Página Web Ferrocarril de Sóller
Página Web Ajuntament de Sóller

segunda-feira, abril 03, 2006

Viagens (28)

Área Metropolitana de Lisboa
Prossigo a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.
1ª coluna:
classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.
Lisboa
05 A-da-Beja (Localidade)
06 Alcabideche (Subúrbio)
07 Algés (Subúrbio)
05 Alverca do Ribatejo (Subúrbio)
06 Amadora (Subúrbio)
06 Barcarena (Localidade)
06 Belas (Localidade)
01 Brandoa (Subúrbio)
06 Bucelas (Localidade)
03 Cacém (Subúrbio)
06 Caneças (Subúrbio)
01 Carenque (Subúrbio)
06 Carnaxide (Subúrbio)
02 Casal de Cambra (Subúrbio)
08 Caxias (Subúrbio)
09 Colares (Localidade)
09 Costa do Estoril (Costa)
08 Costa Praia Grande - Ericeira (Costa)
09 Dafundo / Cruz Quebrada (Subúrbio)
02 Damaia (Subúrbio)
09 Estoril / Cascais (Cidade)
10 Guincho (Costa)
07 Linda-a-Velha (Subúrbio)
09 Lisboa (Cidade)
07 Lourel (Localidade)
06 Loures (Localidade)
06 Malveira (Localidade)
08 Malveira da Serra (Localidade)
04 Massamá / Queluz Ocidental (Subúrbio)
07 Mem Martins (Subúrbio)
03 Mira-Sintra (Subúrbio)
04 Moscavide (Subúrbio)
04 Odivelas (Subúrbio)
07 Oeiras (Subúrbio)
08 Paço d'Arcos (Subúrbio)
08 Parede / Carcavelos (Cidade)
06 Pero Pinheiro (Localidade)
04 Porto Salvo (Subúrbio)
05 Queluz (Subúrbio)
04 Queluz de Baixo (Subúrbio)
05 Rio de Mouro (Subúrbio)
04 Sacavém (Subúrbio)
04 São Domingos de Rana (Subúrbio)
10 Serra de Sintra (Serra)
10 Sintra (Cidade)
07 Vale de Lobos / Sabugo (Localidade)
07 Vila Franca de Xira (Localidade)
08 Alcochete (Localidade)
Setúbal
07 Almada (Subúrbio)
05 Amora / Fogueteiro (Subúrbio)
03 Baixa da Banheira (Subúrbio)
07 Barreiro (Cidade)
04 Charneca da Caparica (Localidade)
05 Corroios (Subúrbio)
07 Costa da Caparica (Localidade / Praia)
05 Cova da Piedade (Subúrbio)
07 Feijó (Subúrbio)
05 Laranjeiro (Subúrbio)
04 Monte da Caparica (Subúrbio)
07 Montijo (Cidade)l
04 Quinta do Conde (Localidade)
07 Seixal (Localidade)
05 Trafaria (Localidade)