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sábado, março 18, 2006

Viagens (27)

Norte
Prossigo a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.
1ª coluna:
classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.
Aveiro
07 Arouca (Localidade)
06 Castelo de Paiva (Localidade)
06 Esmoriz (Localidade/Praia)
07 Ovar (Cidade)
07 Serra da Freita (Serra)
07 Vale de Cambra (Localidade)
Braga
07 Braga (Cidade)
07 Costa Póvoa do Varzim-Viana (Costa)
09 Guimarães (Cidade)
10 Gerês (Serra)
Bragança
06 Bragança (Cidade)
05 França (Localidade)
07 Mirandela (Cidade)
08 Montesinho (Localidade/Serra)
08 Planalto Transmontano (Planalto)
Porto
09 Amarante (Localidade)
07 Carvalhos (Localidade)
07 Costa Espinho - Póvoa do Varzim (Costa)
07 Gondomar (Subúrbio)
09 Granja (Localidade/Praia)
09 Leça da Palmeira (Localidade/Praia)
07 Maia (Subúrbio)
07 Marco de Canaveses (Localidade)
07 Matosinhos (Subúrbio)
06 Pedrouços (Subúrbio)
06 Penafiel (Cidade)
09 Porto (Cidade)
07 Póvoa do Varzim (Cidade/Praia)
07 São Mamede d'Infesta (Subúrbio)
08 Vale do Douro (Vale)
06 Vila Nova de Gaia (Subúrbio)
Viana do Castelo
09 Caminha (Localidade)
08 Costa (Viana - Caminha)
07 Melgaço (Localidade)
08 Monção (Localidade)
07 Ponte da Barca (Localidade)
08 Vale do Lima (Vale)
10 Vale do Minho (Vale)
08 Valença (Localidade)
09 Viana do Castelo (Cidade)
Vila Real
08 Alvão (Serra)
08 Chaves (Cidade)
08 Marão (Serra)
07 Peso da Régua (Cidade)
10 Vale do Douro (Vale)
06 Vila Real (Cidade)
Viseu
08 Lamego (Cidade)

sexta-feira, março 10, 2006

Viagens (26)

Prossigo o inventário de lugares conhecidos através de Castela e Leão.
1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.

09 Burgos (Cidade) Burgos
09 La Bureba (Planalto) Burgos
09 Poncorbo (Desfiladeiro) Burgos
09 Boñar (Localidade) León
08 Cistierna (Localidade) León
09 León (Cidade) León
09 Picos de Europa - Gargantas del Yuso (Serra) León
10 Picos de Europa - Puerto de San Glorio (Serra) León/Cantabria
09 Riaño (Localidade/Lago/Serra) León
07 Campo Charro (Planalto) Salamanca
08 Ciudad Rodrigo (Cidade) Salamanca
05 Fuentes de Oñoro (Localidade) Salamanca
09 La Alberca (Localidade) Salamanca
09 Miranda del Castañar (Localidade) Salamanca
08 Peña de Francia (Serra) Salamanca
10 Salamanca (Cidade) Salamanca
08 San Martín del Castañar (Localidade) Salamanca
09 La Granja de San Ildefonso (Localidade/Palácio) Segovia
08 Guadarrama - Puerto de Navacerrada (Serra) Segovia/Madrid
09 Pedraza de la Sierra (Localidade) Segovia
10 Segovia (Cidade) Segovia
08 Medina de Ríoseco (Localidade) Valladolid
09 Tierra de Campos (Planalto) Valladolid
07 Calabor (Localidade) Zamora
06 Campos del Tera (Planalto) Zamora
09 Lago de Sanabria (Lago/Serra) Zamora
09 Puebla de Sanabria (Localidade) Zamora

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Viagens (25)

Algarve
Inicío assim a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.
1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.
09 Albufeira (Localidade)
08 Alcoutim (Localidade)
09 Cacela Velha (Localidade)
08 Cachopo (Localidade / Serra)
08 Carrapateira (Localidade / Praia)
06 Costa Faro - Lagos (Costa)
09 Costa Lagos - Sagres (Costa)
10 Costa Vicentina (Costa)
04 Faro (Cidade)
07 Fuzeta (Localidade / Praia)
08 Lagos (Cidade)
05 Loulé (Cidade)
07 Martim Longo (Localidade)
07 Mexilhoeira Grande (Localidade)
07 Moncarapacho (Localidade)
08 Monchique (Localidade)
07 Monte Gordo (Localidade / Praia)
08 Odeceixe (Localidade / Praia)
06 Olhão (Cidade)
05 Portimão (Cidade)
04 Quarteira (Localidade / Praia)
08 Ria Formosa / Costa de Sotavento (Costa)
08 Sagres (Localidade)
08 Santa Luzia (Localidade)
07 São Brás de Alportel (Localidade)
07 Serra de Espinhaço de Cão (Serra)
08 Serra de Monchique (Serra)
08 Serra do Caldeirão (Serra)
08 Silves (Cidade)
09 Tavira (Cidade)
08 Vale do Guadiana (Vale)
07 Vila do Bispo (Localidade)
08 Vila Real de Santo António (Cidade)
07 Villamoura (Localidade / Praia)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Viagens (24)

Prossigo o meu inventário de lugares conhecidos com os territórios que historicamente integraram a Coroa de Aragão. 1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.

Aragão

08 Calatayud (Cidade) Zaragoza
09 Los Monegros (Planície) Zaragoza

Catalunha

07 Alt Penedès (Planície) Barcelona
06 Badalona (Cidade) Barcelona
10 Barcelona (Cidade) Barcelona
07 Calella de Mar (Cidade/Praia) Barcelona
07 Costa del Maresme (Costa) Barcelona
08 Alt Empordà (Planície) Girona
09 Blanes (Cidade/Praia)
09 Girona (Cidade) Girona
09 Puigcerdà (Localidade) Girona
08 Artesa de Segre (Localidade) Lleida
08 La Seu d'Urgell (Localidade) Lleida
08 Vall de Segre (Vale/Serra)
07 Costa Daurada (Costa) Tarragona

Ilhas Baleares

08 Palma de Mallorca (Cidade) Illes Balears
09 Sóller (Localidade) Illes Balears
08 Port de Sóller (Localidade) Illes Balears

Comunidade Valenciana

07 L'Horta (Planície) Valencia
08 Valencia (Cidade) Valencia

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Viagens (23)

Andaluzia - Inventário de Lugares Conhecidos

Começo pela Andaluzia o meu inventário de lugares conhecidos. 1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.

08 Campiña (Planície) Córdoba
08 Fuente Obejuna (Localidade ) Córdoba
07 Sierra Morena (Serra) Córdoba
08 Costa del Sol - Almuñécar-Salobreña (Costa) Granada
10 Granada (Cidade) Granada
08 Sierra de Loja (Serra) Granada
08 Ayamonte (Localidade) Huelva

07 Bollullos Par del Condado (Localidade) Huelva
05 Huelva (Cidade) Huelva
07 Isla Cristina (Localidade) Huelva
08 Matalascañas (Localidade / Praia) Huelva
07 Rosal de la Frontera (Localidade) Huelva
07 Sierra de Aracena (Serra) Huelva
07 Sierra de las Contiendas (Serra) Huelva
07 Costa del Sol - Málaga-Marbella (Costa) Málaga
08 Costa del Sol (Málaga-Nerja) Costa Málaga
04 Fuengirola (Cidade /Praia) Málaga
06 Málaga (Cidade ) Málaga
09 Mijas (Localidade ) Málaga
09 Benalmádena (Localidade) Málaga
07 Sierra de Ronda (Serra) Málaga
04 Torremolinos (Cidade / Praia) Málaga
07 Aljarafe (Planície) Sevilla
08 Campiña (Planície) Sevilla
10 Sevilla (Cidade) Sevilla

segunda-feira, outubro 24, 2005

Viagens (22)

Guía Viva Mallorca (2004)
Uma das coisas que aprecio quando viajo é fazer-me acompanhar por guias. Voltei a seguir este preceito na estadia de cinco dias em Mallorca, em meados do passado mês de Agosto. Levei alguns de cá, bastante interessantes, mas um pouco desactualizados. Este comprei-o em Palma de Mallorca.
Estou longe, muito longe, de pretender ser um coleccionador de guias de viagem, mas a verdade é que tenho uma quantidade que ultrapassa os lugares por onde viajei. Sucede que muitas vezes, mesmo quando não tenciono viajar para determinado lugar, me entretenho a consultar este tipo de informação - é, de algum modo, uma forma de viajar... Mais importante do que isso, só os mapas, os meus fiéis amigos mapas. Desde que me conheço que sou apreciador de mapas. As minhas referências espaciais estão localizadas na minha cabeça em forma de mapas. Já agora, a propósito, uma das vantagens deste guia é, precisamente, a qualidade e funcionalidade dos mapas urbanos ou plantas. Cada cidade é apresentada com duas plantas - uma para o dia; outra para a noite. A primeira com referências monumentais e comerciais; a segunda com referências sobre vida nocturna. O grafismo é funcional e apelativo. Compreende-se, é um guia para jovens... Nesta linha, o que mais seduz na colecção é o seu carácter prático e realista. A grande maioria dos turistas, sobretudo os mais jovens, são... pobres. A maioria dos guias de viagem parece concebida para turistas abastados. Daí, o valor acrescentado destes guias. Com todo o reverencial respeito pelo Guide Rouge Michelin, a verdade é que o comum dos mortais não se pode abalançar de ânimo leve para os restaurantes estrelados pelos senhores inspectores...

domingo, julho 24, 2005

Viagens (21): La Vera e Sierra de Peña de Francia / 2002 (2)

La Alberca

Mais a Norte, já em Castilla y León, província de Salamanca, a Sierra de Peña de Francia tem uma paisagem contrastante com a dos planaltos castelhanos. É uma serrania verdejante que está situada entre a Serra da Malcata (Sierra de Gata) e a Sierra de Gredos. Peña de Francia, propriamente dita, é um agreste penhasco muito alto, que domina toda a paisagem da zona e onde, no topo, se encontra um santuário dedicado a uma virgem negra (é extensa a variedade de cultos a virgens negras por terras de Espanha...). A subida num autocarro por uma empinadíssima estradinha estreita feita de curvas e contra-curvas sem guarda, abeiradas do precipício, foi uma experiência que suscitou algumas emoções fortes. Ainda por cima, foi ingratamente compensada por uma densa nuvem de mosquitos que pairava no topo e importunou o desfrute de uma paisagem de horizontes grandiosos.
Há um rosário de castiças aldeias montanhesas: San Martín del Castañar, Miranda del Castañar, Mogarraz e La Alberca. Vimo-las todas e na última nos assentámos. São lugares encantadores a que imediatamente se pode aplicar o gasto tópico medieval... Somos, regra geral, poupados ao espectáculo dos alumínios e outras discutíveis modernices com que, em matéria de arquitectura popular, uma certa noção de bem-estar afronta o bom-gosto. Nessas aldeias impera uma arquitectura serrana, austera, primitiva, cujo símbolo são os avarandados de madeira. Quase todas têm ainda abundantes vestígios de muralhas e modestos castelos. As igrejinhas têm um ar severo, bem castelhano...
Particularmente notável é mesmo La Alberca. O seu isolamento propiciou o assentamento de uma comunidade de cristãos-novos que aí encontraram um pouco mais de protecção contra as assanhadas perseguições anti-judaicas. Daí, a persistência de algumas características peculiares que reforçam o ar de "terra perdida no tempo". Contudo, está longe de se poder dizer que ficou de fora dos circuitos turísticos. Há, na verdade, um turismo informado e culto que tem, desde há muito, La Alberca, como uma das referências da Espanha que verdadeiramente importa conhecer. Em função desta realidade há alojamento e restaurantes em quantidade, assim como cafés com esplanadas e um vasto comércio de recuerdos. Ficámos num magnífico hotel, de construção recente, cuja fachada se integra totalmente nas características da arquitectura popular local e cuja funcionalidade e conforto sustentam uma excelente relação qualidade / preço.

sábado, junho 18, 2005

Viagens (20): La Vera e Sierra de Peña de Francia / 2002 (1)

Jarandilla de la Vera

Num fim de semana alargado (4 dias) em Junho alinhei numa excursão, com colegas da escola, a Monfragüe, La Vera e Sierra Peña de Francia.
Monfragüe é um Parque Natural junto ao Rio Tejo, província de Cáceres. É interessante pela sua paisagem agreste. Um pequeno passeio pedestre por algumas veredas deu uma cabal ideia da sua riqueza de fauna e flora. Em Paso de los Gitanos o rio passa apertado entre grandiosos penhascos num cenário que faz lembrar as Portas de Ródão, que ficam a cerca de 50 Km a oeste. Na verdade encontrei uma paisagem bem mais interessante do que a maior parte da Extremadura oferece.
A Comarca de La Vera ocupa um vale fértil, no extremo nordeste da província de Cáceres, entre a Sierra de Gredos e o Rio Tiétar. É uma região serrana. O seu micro-clima dá-lhe condições únicas para a produção de cerejas, pimentão (para paprika) e tabaco. A sua singularidade deriva da riqueza e isolamento. Possui bonitas povoações como Jaraiz, Cuacos, Jarandilla e Losar. Em todas predomina um casario branco (não cor de tijolo como é próprio de Castela, Aragão e Extremadura) e na última há um curioso arranjo de jardinaria que consiste em arbustos artisticamente esculpidos, que estão dispostos ao longo de toda a rua principal.
Não houve oportunidade para ver por dentro o mais famoso monumento da região, o Monasterio de Yuste, onde se albergou nos seus últimos dias o imperador Carlos V. Com efeito, Don Felipe, Príncipe de Asturias, resolveu alojar-se aí no dia em que nos preparávamos para visitar o histórico edifício – razões de segurança ditaram o inopinado afastamento de todos os turistas... Contudo, a desfeita foi amplamente compensada pelo desenrolar da viagem. Para começar, comemos e bebemos em pantagruélicos faustos. Tais emoções gastronómicas tiveram lugar em dois lugares a revisitar: Restaurante Carlos V (Losar) e Cueva Puta Parió (Jarandilla). Qualquer ignorante céptico acerca das qualidades da cozinha castelhana coraria de vergonha perante tão arrebatadora exibição... em quantidade e qualidade! O tapeo de entradas (constituído por luxuriante panóplia de queijos, presuntos, espargos e etc...) esteve ao nível dos melhores pergaminhos castelhanos. As piéces de resistence primaram pela qualidade da matéria-prima e abundância. Para concluir, o licor de manzana casero com que fomos brindados proporcionou inspirados êxtases...
Autêntica imersão nas entranhas da Espanha profunda foi um passeio pedestre pelas encostas de Gredos até à serrana povoação de Garganta la Olla, onde uma velhinha nos abriu a porta da igreja local. Era um pueblo isolado, onde se pode apreciar uma certa Espanha à margem do progresso e que escapa aos circuitos turísticos. Contudo, no seu conjunto, La Vera é um vale próspero devido a uma agricultura especializada que ainda vai dando rendimentos. A sua paisagem e características não têm nada a ver com as da Extremadura. É, para todos os efeitos como estivéssemos nas zonas mais montanhosas de Castela, aliás vizinhas.

terça-feira, maio 10, 2005

Viagens (19): Picos de Europa / 2001 (12)

6º Dia – 9 de Abril (2ª Feira)

O Porriño, fica no sul da Província de Pontevedra, a um tiro da fronteira. A ideia inicial era regressar daqui directamente para a casa, contudo a proximidade de Vigo e do El Corte Inglés foram mais fortes... Assim, manhã cedo rumei a Vigo. Na descida para a cidade não fui contemplado com a visão benfazeja do anfiteatro de vasto casario, da Ria e das Ilhas Cíes, pois havia neblina. Poucas cidades conheço tão bem como Vigo. Sem exagero devo ter lá ido uma dúzia vezes, pelo menos metade a partir do Porto. Apesar de ser uma cidade muito agradável e sempre interessante, tratava-se neste caso, apenas, de dar vazão a uma pulsão consumista... Foi também uma oportunidade para, uma vez mais, experimentar na cafeteria de El Corte Inglés o característico pequeno-almoço de Madrid - churros mergulhados em espesso chocolate. Estes famosos armazéns, estejam em que sítio de Espanha estiverem, têm, digamos assim, a faculdade de servir tudo o que é próprio da capital do império...
Pela enésima vez, fiquei espantado pela oferta de livros que há Espanha e pelos seus preços. Entre outras coisas, há uma oferta de mapas capaz de suprir as necessidades elementares de um aficionado pela Geografia, como é o meu caso e há, enfim, uma muito mais ampla oferta de traduções em todas as áreas. De facto, mesmo numa cidade periférica como Vigo isto nota-se. O resultado: mais um violento desfalque no cartão Visa... Foi em precárias condições que debandei para casa, auto-estrada fora, com meia dúzia de tostões na carteira e o saldo Visa quase no limite... Num ápice passei a fronteira e atravessei o Alto Minho. Nem sequer prestei vassalagem à minha "Sempre Invicta" e mal dei por mim, estava tardiamente a almoçar sanduíches na Área de Serviço de Antuã. Às cinco horas estava em casa.

quarta-feira, abril 06, 2005

Viagens (18): Picos de Europa / 2001 (11)

5º Dia – 8 de Abril (Domingo)(tarde)
O Barco de Valdeorras é uma cidadezinha encaixada entre entre montanhas. Tem uma aparência genuinamente galega. Aí almocei num restaurante popular, ouvindo entre os comensais o afável bon proveito.... Depois, no parque, junto ao rio, escutei, entre idosos, uma conversa em galego do mais puro.
Retomei o caminho por uma estrada que entra no extremo sul da província de Lugo - comarca de Monforte de Lemos. Estas foram terras do senhorio de Traba, o que me fez lembrar Dona Tarasia ou Teresa (mãe de D. Afonso Henriques), que nestes pagos de seu amante veio perecer. Em breve me encontrei com o rio Miño, que surgiu em fundo vale, com uma imponência desconhecida, largo e caudaloso. Com ele reentrei na província de Ourense.
Ourense é, pelos pergaminhos de uma vasta plêiade de intelectuais, o centro do galeguismo lusófilo. Aqui se fala o galego mais descastelhanizado e se encontram os mais numerosos e entusiastas defensores da ortografia portuguesa. Sabia que era uma cidade interessante, mas, na verdade, revelou-se mais interessante do que supunha... O centro situa-se numa encosta. A ligação entrea parte mais antiga e a mais comercial faz-se por uma animada artéria pedonal, a Rúa do Paseo. O enquadramento da cidade é magnífico, num amplo vale formado pela confluência do Barbanza com o Miño. Pena é que, como sucede nas cidades galegas, a periferia urbana seja algo desarrumada...
Tomei a autovía das Rías Baixas, que segue na direcção de Vigo. É grandiosa a forma como corre pelo vale do Miño, saltando de margem em margem. Na comarca de O Ribeiro detive-me em Ribadavia. Lembrei-me de um canto popular com que Amancio Prada abre Caravel de Caraveles: “O cantar do arrieiro é um cantar moi baixiño / cuando canta en Ribadavia, resoa n’O Carballiño”. Quase todos os amoladores são desta região; com a sua gaita, que chama a chuva da terra distante, com a sua morriña e com a sua desconfiança labrega, chegaram a Lisboa, Madrid, Barcelona, Buenos Aires. Foram trás a roda.... Ribadavia é a terra do vinho Ribeiro, de amoladores, taberneiros e carvoeiros emigrados – aquele tipo de gente que inspira aforismos como: “se encontras um galego a meio de uma escada nunca sabes se vai a descer ou a subir”.
Já o sol ia baixo quando entrei na comarca de O Condado, província de Pontevedra. Pernoitei nos arredores de Vigo, em O Porriño, num motel bem suspeito... Eram apartamentos com garagem, onde os carros ficam ocultos de olhares curiosos. Havia espelhos espampanantes no quarto e filmes porno em circuito vídeo interno. Em que divertidos equívocos pode cair um incauto, levado pelas omissões de um guia de cheques de hotel...

segunda-feira, abril 04, 2005

Viagens (17): Picos de Europa / 2001 (10)

5º Dia – 8 de Abril (Domingo)(manhã)
A chuva parecia ter ficado definitivamente lá para trás da montanhas, nas Astúrias. A manhã, em León, surgiu com um céu impecavelmente azul. Não havia tempo para mais do que um passeio de carro pela cidade. Reforçou-se a noção da sua beleza e também da qualidade de vida que aí se desfruta – não falta espaço; a habitação é de qualidade; há boas infra-estruturas de lazer e cultura; tudo está inserido numa dimensão urbana ideal.
Já na estrada, ficando León para trás, contrastando com a extensa planura, viam-se ao longe cumes nevados. Paralelamente, seguia o mais importante sendeiro do Caminho de Santiago, por onde caminhavam peregrinos. Entrando na comarca de la Maragatería, contornei Astorga. Esta cidade fez-me evocar o Condado Portucalense, o senhorio de Astorga, enfim as remotas origens de Portugal. Já na autovía radial que liga Madrid à Coruña entrei na comarca de Bierzo. É uma região especial. Neste fértil vale já não estamos na austera meseta... A influência climática do Atlântico e cultural da Galiza dão a esta região mais ocidental da província de León um carácter próprio. Aliás, por aqui já se fala galego. Nos arredores da sua principal cidade, Ponferrada, nasceu o cantautor Amancio Prada, que se expressa tanto em castelhano como em galego.
Deixei a autovía e poucos quilómetros depois entrava na comarca de Valdeorras, província de Ourense, portanto, na minha querida Galiza. Parei na principal localidade da região, O Barco de Valdeorras, junto ao rio Sil.

domingo, fevereiro 27, 2005

Viagens (16): Picos de Europa / 2001 (9)

4º Dia – 7 de Abril (Sábado)(tarde/noite)
Oviedo é uma cidade agradável. No centro abundam edifícios de boa arquitectura em torno de uma grande parque, de aspecto cuidado. Tem um ar burguês, que contrasta um pouco com o carácter mais industrial de Gijón. Pertence à classe de cidades com El Corte Inglês e foi precisamente aí, no restaurante instalado no último piso, onde almocei como recurso expedito de viajante esfomeado. À saída, debaixo de chuva, ainda pude ver a torre da catedral e ao longe o novo estádio de futebol, que tinha sido inaugurado há poucos meses.
Eram quatro da tarde quando saí em direcção a León, pela auto-estrada. Despedi-me das Asturias, avistando a cidade mineira de Mieres. Lembrei-me das tradições de luta do operariado asturiano, da repressão da revolta de início dos anos 30, onde Franco fez o seu tirocínio para caudillo. A auto-estrada, na sua passagem pela cordilheira cantábrica, passa sob túneis e mais túneis, um dos quais com cinco quilómetros. Do lado de lá, a paisagem mostrou-se bem mais austera, menos verde e... sem chuva alguma. Estava de novo na meseta, em Castílla y León, Província de León.
À chegada à cidade de León, deparei-me com um estádio de futebol prestes a ser inaugurado. Aqui jogará a Cutural Leonesa, que ad eternum agoniza na Segunda B. Ao lado havia um moderno Palácio de Deportes. Certamente que os êxitos do desporto espanhol em várias frentes não podem ser dissociados desta fartura em infra-estruturas.
León é uma cidade admirável, não só pela sua conhecida catedral gótica, mas também pelo Hostal de San Marcos, que albergava os peregrinos rumo a Compostela e cuja fachada constitui um exemplo de plateresco, assim como pela Casa de Botines, de Gaudi (das poucas coisas que fez fora da Catalunha). É admirável também pelo seu ambiente global, desde o carácter do centro histórico até à elegância burguesa dos bairros do centro. Além disso, não é grande, mas, tampouco se pode considerar muito pequena - tem, digamos, o tamanho ideal (150.000 habitantes).
Deixei o carro num parque subterrâneo em pleno centro e por quatro horas paguei apenas 300 pesetas Não era uma novidade – em muitas coisas quotidianas os preços em Espanha são mais baixos. Por exemplo, nos supermercados, de um modo geral, os preços são mais baixos. Em Oviedo, antes de partir, entrei num pequeno supermercado, para comprar uma garrafa de água de litro e meio e paguei apenas 35 pesetas! Mesmo nos restaurantes, onde a tendência geral é para se pagar mais do que cá, não é de todo impossível encontrar exemplos contrários. Arrumado o carro, percorri várias ruas para peões, repletas de gente animada, apesar do frio. Apreciei a fachada da Catedral - a essa hora já não se podia entrar. Andei depois, ao acaso, por ruelas estreitas. Inesperadamente, acabei por ter o privilégio de presenciar uma procissão de Semana Santa. As trombetas e tambores anunciaram o desfile das confrarias com os seus respectivos andores. Fazia lembrar as procissões andaluzas, embora com menos esmero e aparato. Os confrades desfilaram com os seus capuzes bicudos e os costaleros sustentavam os andores, com uma abnegação teatral. Havia um ambiente misto de trágico e festivo. Entre os confrades figuravam algumas crianças e havia até uma confraria de mulheres! Em certos momentos o “público” batia palmas e animava os “penitentes”. Passou a procissão, mas a multidão continuava pelas ruas. Tapeava-se (petiscava-se) nas barras (balcões); enfiavam-se moedas nas omnipresentes máquinas de jogo, as tão populares tragaperras. Já passava das dez da noite, começava-se a cenar (jantar).

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Viagens (15): Picos de Europa / 2001 (8)

4º Dia – 7 de Abril (Sábado)(manhã)

Comecei o dia com o propósito de concretizar a subida aos Lagos de Covadonga. O céu deixava entrever aguaceiros, assim que, decidi aproveitar uma aberta com tímidos raios de sol. Na véspera comprara um CD do grupo asturiano Llan de Cubel e foi o que utilizei como “banda sonora” para o empreendimento. Confirmei que a subida era mais do que uma simples subida, era uma escalada por uma estrada íngreme, sinuosa e estreita, bordejando precipícios. Já tinha visto na TV chegadas de ciclistas aos Lagos de Covadonga (um clássico da Vuelta) e não tinha ideia que a coisa fosse assim tão... radical. Parecia impossível como um denso pelotão, mais carros de apoio e restante comitiva, fosse capaz de subir por ali acima.
No final, junto aos lagos, havia um frio tremendo. Foi, certamente, por um triz que não chegou a nevar, mas viam-se mantos de neve recente. A paisagem era, de facto, muito bonita, mas depois do visto nos dias anteriores, não impressionou tanto quanto poderia ter impressionado, se o contacto com os Picos de Europa tivesse começado por aqui. Na descida vi melhor o exterior do Mosteiro de Covadonga, o qual nada tem de especial com o seu romântico neo-gótico. Mais interessante pareceu ser a gruta, onde Pelayo teria tido a visão de Nossa Senhora. Em todo o caso, a mitologia de Covadonga não me sensibilizava – tresanda a franquismo... Muito mais sensível era à evocação do contexto histórico da constituição das Astúrias como reduto cristão independente e sua continuidade em relação ao tempo dos godos. Em relação a isto, a paisagem era, de facto, evocativa.
Segui rumo a Gijón, mas não por um promissor percurso costeiro que tinha seleccionado, pois em Arriondas enganei-me na estrada. Mas, como, entretanto, os aguaceiros deram lugar a chuva pegada e intensa, o meu ânimo não estava disposto a emendar imediatamente o erro. Assim só atingi o caminho pretendido em Villaviciosa – “capital” da sidra. Entre várias sidrerías avistadas, consegui distinguir a famosa El Gaitero. Contudo, da Ria de Villaviciosa quase nada entrevi por entre a bruma chuvosa.
Foi já debaixo de temporal que passei a placa anunciando Gijón / Xixón (assim mesmo, bilingue). Estava na maior cidade asturiana. Logo de entrada, vi o Estádio El Molinón, ou não estivesse numa das mais históricas canteras do futebol espanhol! Apesar do Real Sporting Gijón estar na 2ª divisão, continua a ser um clube respeitado, com solera. Tantos nomes sonantes saíram dos seus campos de treino de Mareo - Luís Enrique, Abelardo, Quini... Em boa verdade, para além da marginal junto à praia, nada de especialmente encantador detectei. É uma cidade industrial e esse facto é visível, mesmo sem sair do carro, sem parar, sob chuva incessante, como foi, desgraçadamente, o caso. Nestas condições, nada visíveis, naturalmente, foram as marcas de um passado operário que tornou Gijón um dos centros históricos do socialismo espanhol. Mal dei por mim estava no outro lado da cidade, à entrada da autopista e aproveitei a involuntária sugestão da placa para rumar a Oviedo, talvez mais na inconsciente necessidade de me ver livre da chuva, como se esta pairasse eternamente sobre a costa asturiana…

sexta-feira, dezembro 31, 2004

sábado, dezembro 25, 2004

Viagens (13): Picos de Europa / 2001 (6)

3º Dia – 6 de Abril (6ª Feira) (tarde)

Almocei magnificamente na bela localidade de Potes – uma habada (feijoada) típica da região. Potes tem um interessante núcleo central antigo, onde sobressaem uma velha ponte e um imponente paço medieval (Torre del Infantado). É a mais importante localidade de La Liébana, no sudoeste de Cantábria. Encontra-se já na área de influência de Santander – os jornais que se vêm são desta cidade, com destaque para El Diario Montañés.
A estadia em Cantábria limitou-se à travessia do seu extremo sudoeste. A estrada, apertada pelo imponente desfiladeiro de La Hermida, conduziu-me ao Principado de Astúrias. Entretanto, chegara a chuva inesperadamente. A verde Astúrias não abdicava da sua bruma e chuva, fazendo-se anunciar com esta mudança meteorológica... Assim entrei pela primeira vez nesta região, que desde há muito ansiava conhecer. Foi uma entrada à altura das expectativas. Em Cabrales, um desvio por motivo de obras, conduziu-me a um pedaço da recôndita ruralidade asturiana, onde me ia despistando por prados repletos de vacas, tendo como pano de fundo paisagens de alta montanha...
Ia agora na direcção Oeste, com o objectivo de subir ainda nessa tarde aos Lagos de Covadonga. Acabou por ser um objectivo gorado, pois o denso nevoeiro inviabilizou a façanha a meio da escalada, quando esta se tornava pouco menos que suicida. Assim, assentei arrais na cidadezinha de Cangas de Onís bem antes do anoitecer. Aqui nasceu o primeiro reino cristão independente da tutela muçulmana. Mas, além desta glória, apresenta um testemunho monumental do seu prestigioso passado - uma magnífica ponte medieval, que aparece frequentemente em prospectos turísticos da região. Nela está suspensa a emblemática Cruz de Pelayo, presente na bandeira asturiana.
Em Cangas de Onís apercebi-me da personalidade asturiana. Por todo lado há sidrerías – lugares onde se bebe sidra, que é uma típica bebida asturiana, feita a partir de maçã. Há também muitas lojas de recuerdos regionais: réplicas dos espigueiros asturianos (amplos e quadrados - diferentes dos galegos e minhotos, que são mais pequenos e rectangulares); gaiteiros (a gaita asturiana também é diferente da galega); figuras de míticos deuses célticos; múltiplos artefactos feitos com pele de vaca; gorros asturianos; CDs de música regional). Observei também que, nas bancas de jornais, onde imperavam os três principais diários asturianos (El Comércio, de Gijón; La Nueva España e El Periódico de Asturias, de Oviedo), havia um semanário escrito na língua vernácula da região, o bable, ou como os seus defensores preferem, o asturianu. Aliás, pelo caminho, tinha observado que, desde a entrada no Principado, muitas placas toponímicas estavam corrigidas na sua grafia por pichagens. Confirmei que por aqui também há nacionalistas e dedicados amantes de uma língua vernácula. Porém, não detectei ninguém que a falasse. É certo que alguns intelectuais falarão asturianu em actos simbólicos, mas provavelmente será preciso procurar nas montanhas quem ainda o fale com naturalidade. Já tinha lido uma vez no Público que linguistas da Universidade de Oviedo (já agora, Oviéu) tinham muita curiosidade em relação ao mirandês (da zona de Miranda do Douro) que é um dialecto idêntico ao bable / asturianu. Ambos são o que resta da língua astur-leonesa.
Duas coisas conclui: Cangas de Onís é um dos centros simbólicos do asturianismo; este movimento, se nunca teve expressão política, tem alguma existência cultural. Enfim, o cantonalismo das Espanhas não cessa de me surpreender...

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Viagens (12): New York - New Jersey / Agosto de 2000 (3)

Notas de férias: Habitações
A grande maioria da população norte-americana vive em habitações unifamiliares, em madeira ou aglomerados sintéticos com madeira, de construção por módulos pré-fabricados. O resultado é contraditório. Por um lado, são, geralmente, bonitas, amplas, muito confortáveis (quentes no inverno; frescas no verão), mais protegidas da humidade e económicas. Por outro lado, pelo menos para mim, não deixam de dar a sensação de insegurança, na medida em que um simples caminhar pelo soalho implica algum estremecimento da estrutura e a abundante presença da madeira sugere vulnerabilidade a incêndios. Para quem está habituado à nossa realidade é difícil perder uma sensação de precaridade. Sensação que é reforçada quando se observa que, pelo nenos naquela zona de New Jersey, quase toda a gente tem casa alugada e não passa pelo plano de vida dos jovens comprar casa. Na verdade parece existir uma grande facilidade em mudar de casa - mesmo na comunidade portuguesa concentrada em Ironbound (Newark) é comum a mudança de casa sem sair dessa zona. Percebe-se, desde logo, que existe um mercado de habitação para alugar, o que implica uma vida preparada para mudanças. Este desprendimento do lugar onde se vive é, aliás, um símbolo de uma mutabilidade social que pouco tem a ver com os padrões da sociedade portuguesa. É curioso observar como os portugueses aí instalados se adaptam facilmente a esse estilo de vida.

domingo, dezembro 05, 2004

Viagens (11): Picos de Europa / 2001 (5)

Fuente De / Peña Vieja - Vista desde a estação (superior) do teleférico

Viagens (10): Picos de Europa / 2001 (4)

10

Riaño (antes e depois da submersão)

3º Dia – 6 de Abril (6ª Feira) (manhã)

Costumo dizer que nem mesmo em Espanha é fácil encontrar quem saiba mais da sua geografia (… e história) do que eu. Este interesse vem desde miúdo, graças às remessas de livros, postais e mapas que o meu pai despejava em minha casa, as quais atestavam as suas contínuas andanças por Espanha, nos anos 40 e 50. Com o tempo fui aperfeiçoando e alargando os conhecimentos, graças em parte a viagens, em parte a leituras. Assim, estava seguro que o percurso deste dia seria espectacular.
Logo de manhã, o espectáculo de Riaño e seu entorno superava o da véspera. Quanto à localidade, propriamente dita, observei que a maioria das casas deveria ser de segunda habitação. Os primitivos habitantes, aqueles que lá viviam antes da submersão, devem ser poucos. Não é que, antes, houvesse lá muitos, só que foi um processo traumático. Com efeito, nos anos 70 e 80 viveu-se uma polémica a propósito da construção da barragem e suas consequências. A localidade fica no extremo nordeste da província de León, junto aos Picos de Europa, escoltada por Torre Cerredo (2.648 m), Llambrón (2.617 m) e Peña Prieta (2.536 m). A própria aldeia primitiva situava-se numa cota acima dos 1000 metros. O seu isolamento geográfico é já de si uma realidade incontornável, mas, além disso, no Inverno, por causa de nevões, é sujeita a ocasionais bloqueios nas três estradas que a servem. O isolamento apercebe-se imediatamente. Por exemplo, às 10 horas vendia-se o Diário de León, mas mais nenhum outro jornal tinha ainda chegado.E sintonizar alguma emissora de rádio é tarefa complicada.
Parti pouco depois das 10, rumo a Fuente De. O que se seguiu não é fácil descrever sem cair em lugares comuns. A estrada estreita e cheia de curvas passava por contínuos desfiladeiros, ou melhor, apertadas gargantas entre colossos de rocha. Assim foi até ao limite nordeste da província de León.
No Puerto de San Glório, a 1.600 metros de altitude, entrei na Região de Cantábria, província de Santander. Foi imperioso parar e admirar a paisagem de cumes escarpados e nevados, os prados e os bosques. A partir dali havia vários caminhos de montanha e avistavam-se pequenos grupos de caminhantes. A descida foi feita em vertiginosas curvas e contra-curvas apertadas, sobre precipícios, sem guarda. À medida que se ía descendo, havia cada vez mais prados e uma densa população de vacas, que deve superar a humana, dispersa por aldeias perdidas e semi-abandonadas. Salpicando esta paisagem apareciam algumas ermidas românicas, cuja antiguidade deve mergulhar no ocaso dos tempos godos e primórdios da Reconquista.
Era meio-dia quando cheguei a Fuente De, no fim do vale de La Liébana. Há aí um teleférico, suspenso em cabos, que sobe quase 1.000 metros a pique! Entrar na cabine requer algum sangue-frio, mas que é recompensado por um panorama invulgar, quer na ascensão, quer lá em cima, junto aos 2.600 metros de Peña Vieja. A diferença de temperatura na saída do teleférico constituiu um choque álgido. A neve estacionava em mantos descontínuos, mas a panorâmica dos horizontes distantes prendia a atenção mais do que qualquer outra coisa - avistam-se picos e picos sem fim. É uma sensação de grandiosidade impressionante!

terça-feira, novembro 16, 2004

Viagens (9): Picos de Europa / 2001 (3)

2º Dia – 5 de Abril (5ª Feira) (tarde)

Passou-se a fronteira. Depois da placa azul com as estrelinhas da UE anunciando “España”, a placa “Castílla y León” e logo outra indicando “Província de Zamora”. A estrada continuava estreita e cheia de curvas, mas o piso melhorara e surgiram guias de berma. Logo a seguir passei por Calabor. O contraste com a aldeia de França era evidente. O aspecto desértico era o mesmo, só que todas casas eram tradicionais, com telhados de ardósia e alpendres de madeira. Uma boa parte delas eram modernas. Algumas das mais antigas estavam em ruína.
Os vinte quilómetros seguintes demonstraram o isolamento dos calaboreños. Não se viu nenhum carro ou vivalma e não se avistou uma única casa. A paisagem ia ficando cada vez mais árida. Era lógico concluir que estavam mais próximos do resto da humanidade, passando a fronteira. Aliás, farão caminho mais directo para a sua capital de província através de Bragança, reentrando em Espanha por Quintanilha.
Subitamente, ao fim de um curva, deparou-se Puebla de Sanabria e o seu castelo. Casas novas e velhas tinham todas telhados de ardósia. O aspecto era agradável. No centro havia vários bancos e um comércio airoso. Daí, atingiu-se rapidamente o lago de Sanabria. Encaixado entre grandes moles rochosas, que do noroeste descem de mais de 2000 metros (Peña Trevinca), o lago, com águas escuras, tinha um aspecto selvagem que condizia com as suas origens glaciares. Comi numa cafeteria de Ribadelago e foi uma experiência má, pois a conta apresentada por uma mulher antipática era inverosímil, dada a correspondente falta de qualidade. Tendo em conta algumas lendas locais, aquela criatura foi como que um monstro saído do lago, que acabara de consumar um acto de extorsão com um gesto glaciar...
Após o almoço, tomei a Autovía das Rías Baixas até Benavente. É a ligação entre o sul da Galiza e Madrid e o seu tráfico intenso foi um contraste com as estradas ermas de onde vinha. Adentrei-me numa paisagem cada vez mais castelhana, com planuras extensas e montanhas ao fundo. Não havia tempo para ver Benavente, que, certamente, terá motivos de interesse, ou não fosse uma das muitas localidades castelhanas com História. Aí virei a norte, tomando a estrada que seguia rumo a León e que faz parte do eixo que liga as Astúrias à Andaluzia. Passei ao lado de León. No sábado e domingo haveria oportunidade de visitar a cidade, como se impunha.
Daí para cima as opções restringiam-se a estradas muito secundárias. A paisagem foi-se tornando cada vez mais verde e montanhosa. Belíssimas aldeias foram surgindo ao longo do trajecto, o qual era ladeado, quase sempre, por pequenos cursos de água revolta. Surgiam prados e mais prados, assim como montanhas cada vez mais altas de onde iam sobressaindo, por detrás, alguns cumes nevados... Era uma paisagem de bilhete postal, que só não incutia paz de espírito por alguma incerteza sobre a existência de hotel no fim da jornada, que era em Riaño. Na verdade, os sinais de povoamento iam-se tornando cada vez mais raros na penumbra do fim da tarde, não deixando dúvidas que me internava num extremo isolamento.
Finalmente apareceu Riaño, num enquadramento fantástico - implantada numa península saliente a meio da albufeira. Em seu torno, os abruptos picos nevados davam à paisagem um ar de conto de fadas. Sabia que a primitiva aldeia ficara debaixo das águas da albufeira. As duas igrejas tinham sido reimplantadas pedra a pedra – o resto era novo, mas com uma arquitectura de qualidade.. A sensação de paz e isolamento era total... mas havia, senão um hotel, pelo menos um hostal! Um hostal de aspecto montanhês. O jantar (cordero asado acompanhado por um Rioja) foi uma redenção em relação ao almoço!

segunda-feira, novembro 08, 2004

Viagens (8): New York - New Jersey / Agosto de 2000 (2)

Notas de férias: Paisagem Urbana
Muitas das coisas relativamente surpreendentes que pude apreciar nessas férias em New Jersey já contava com elas. Contudo, uma das que verdadeiramente me surpreendeu foi a paisagem urbana. Não foi o facto de a esmagadora maioria das casas das zonas habitacionais serem vivendas unifamiliares de madeira - algo que já sabia de antemão, embora a sua proporção superasse o imaginado. Foi, isso sim, a amplitude de espaços e a quantidade de espaços verdes nas zonas habitacionais. Esta observação não é válida para Nova Iorque, propriamente dita, mas aplica-se a toda a zona norte do estado de New Jersey e, presumo, a toda a vastíssima área periférica da Grande Nova Iorque. Quando ressalvo o caso de Mannhathan, há que ter a noção da sua especificidade - uma ilha longuilínia com uma saturadíssima densidade urbana - e não esquecer que no seu centro se implanta aquele que deve ser o maior parque urbano do mundo - Central Park. Por todo o norte do estado de New Jersey as cidades não tem semelhança alguma com as cidades periféricas das áreas metroplitanas europeias. Estendem-se por vastas superfícies e consistem em aglomerados de vivendas no meio de baldios abertos (nos piores casos) ou no meio de autênticos bosques (nos melhores). As árvores e os revaldos estão presentes em grande quantidade. Pensava que este facto seria uma constante da América do Norte, mas que esta região seria uma das pontuais excepções. Assim não é. Passa-se o Hudson e o que mais há é espaço. Apesar da densidade populacional estar muito longe de ser baixa, não faltam espaços residenciais de grande sossego. O centro de cada uma dessas cidades suburbanas (com parcial excepção de Newark), limita-se a ser um cruzamento com semáforos e um par de edifícios de pedra e meia dúzia de lojas. A construção em altura é uma absoluta excepção que concide com estes pontos. As zonas residencias têm pouco comércio e um movimento escasso. Enfim, é um pleno contraste com Nova Iorque.