Sou radicalmente moderado, um pouco mais à direita do que à esquerda, entre a social-democracia e um liberalismo suave, mas não tenho grandes pretensões de definição ideológica. Como pano de fundo tenho um certo carinho pela monarquia, mas sem dar a este sentimento mais sustentação do que um pretensiosismo inócuo... Apoio Cavaco Silva. É necessário conter as esquerdas e todo o seu arsenal demagógico, refúgio para múltiplos interesses corporativos ameaçados. Não basta ganhar. É importante ganhar por goleada. Felizmente, há condições para isso, porque as classes médias, apesar de desorientadas e ameaçadas em extensos segmentos, tendem instintivamente para não dar confiança a opções facilitadoras do caos. Mais do que nunca, a imagem da esquerda, retalhada entre facciosismos partidários e narcisísticos, é a figuração do caos. Nisto, há como que uma espécie de parábola. A esquerda, construtora do regime em que vivemos, propõe-se enfrentar a crise que, em larga medida, é resultado das suas receitas, com intensificação radical da dose (mais do mesmo, ou seja, mais estado, ainda mais estado, sempre mais estado). Em alarde de cegueira facciosa, entretem-se em minudências de grau de doseamento, para se apresentar com 4 faces.
Não tenho ilusões quanto às possibilidades de Cavaco Silva como Presidente da República ter poderes e capacidades para operar milagres quanto à crise (a qual, desgraçadamente, tem certos contornos estruturais...), mas tem, pelo menos, virtudes preciosíssimas: prudência, sensatez, senso-comum. Talvez seja uma pequeno mas decisivo contributo para sermos poupados a desastres superlativos...






