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quinta-feira, outubro 27, 2005

Tiro ao Alvo (4)


Que ganhe Cavaco Silva!
Sou radicalmente moderado, um pouco mais à direita do que à esquerda, entre a social-democracia e um liberalismo suave, mas não tenho grandes pretensões de definição ideológica. Como pano de fundo tenho um certo carinho pela monarquia, mas sem dar a este sentimento mais sustentação do que um pretensiosismo inócuo... Apoio Cavaco Silva. É necessário conter as esquerdas e todo o seu arsenal demagógico, refúgio para múltiplos interesses corporativos ameaçados. Não basta ganhar. É importante ganhar por goleada. Felizmente, há condições para isso, porque as classes médias, apesar de desorientadas e ameaçadas em extensos segmentos, tendem instintivamente para não dar confiança a opções facilitadoras do caos. Mais do que nunca, a imagem da esquerda, retalhada entre facciosismos partidários e narcisísticos, é a figuração do caos. Nisto, há como que uma espécie de parábola. A esquerda, construtora do regime em que vivemos, propõe-se enfrentar a crise que, em larga medida, é resultado das suas receitas, com intensificação radical da dose (mais do mesmo, ou seja, mais estado, ainda mais estado, sempre mais estado). Em alarde de cegueira facciosa, entretem-se em minudências de grau de doseamento, para se apresentar com 4 faces.
Não tenho ilusões quanto às possibilidades de Cavaco Silva como Presidente da República ter poderes e capacidades para operar milagres quanto à crise (a qual, desgraçadamente, tem certos contornos estruturais...), mas tem, pelo menos, virtudes preciosíssimas: prudência, sensatez, senso-comum. Talvez seja uma pequeno mas decisivo contributo para sermos poupados a desastres superlativos...

quinta-feira, outubro 20, 2005

Tiro ao Alvo (3)

Fernando Meirelles - Cidade de Deus (2002)
Vários filmes me impressionaram. Este foi o último. O verbo mais adequado será chocar... A brutal realidade social da Cidade de Deus, a maior favela do Rio de Janeiro e, parece, que de toda a América do Sul, é atirada aos olhos do espectador sem contemplações. É um panfleto de denúncia que sintetiza os velhos enunciados do neo-realismo num concentrado explosivo de imagens-choque. É um discurso que pulveriza toda a velha literatura enquanto panfleto de denúncia. É um neo-neorealismo...
A cinematografia brasileira tem, na verdade, tradições na matéria. Lembro-me de Pixote, o filme que mais se aproxima deste Cidade de Deus. Os brasileiros, no cinema e na TV são exímios em aproveitar as sensações do mundo violento em que vivem. Da melhor e da pior forma... Cidade de Deus é um filme muito bom, mas algo demagógico, sensacionalista. É certo que o Brasil está longe de ser aquele paraíso tropical com que meia humanidade sonha, mas o que parece entender-se do filme é que nem sequer pode haver algum lugar para a esperança e, sobretudo, que a haver alguma, virá de qualquer intervenção de natureza político-social. Só que o que nos é transmitido é tão forte que acaba por fazer diminuir o discurso social que está subjacente ao filme. Remete para a condição humana, ou seja para o domínio espiritual. Ironicamente, há um momento no filme bastante significativo: os bandidos, antes de se lançarem, nas suas operações, fazem as suas preces. Explica-nos o autor que o staff de realização ficou surpreendido por um dos figurantes, ele mesmo um favelado do mundo do crime, ter sugerido fazer-se no isso no filme, que era o que se fazia na realidade. Decidiram adoptar a sugestão. Parece o realizador não se ter dado conta que este pequeno fait-divers pode encerrar um significado profundo: o mal não estará tanto nas condições materiais de existência, mas nas condições espirituais. O cerne da questão não incide em qualquer dicotomia entre o mundo dos ricos e o mundo dos pobres, ou, utilizando os termos caros à litania marxista, entre oprimidos ou opressores. O cerne é muito mais simples e substantivo: O Bem e o Mal!
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sexta-feira, abril 08, 2005

Tiro ao Alvo (2)

Viva Carlos e Camila!
São feios, antipáticos, flagrantemente fora de moda. Carentes de glamour. Pouco mediáticos, enfim... O príncipe é mesmo um bota de elástico, de gostos trivialmente convencionais. Não é nada espontâneo e tresanda a formalismo serôdio. Ela arrasta o estigma de adúltera e meio mundo revê nela o sempiterno estereótipo da bruxa feia... e ainda por cima (once more) a-d-ú-l-t-e-r-a! Pior ainda quando paira sobre eles a imagem da Princesa Diana... (um dos mitos mais idiotas entre todos os muitos que o hodierno circo mediático tem fabricado)
Eu gosto deste casal. Para já são a prova provada contra as beldades que pode haver um lugar de encontro para o amor ao qual não se chega necessariamente por essa vantagem adicional. São também a prova provada contra os cobardes que muitas e muitas vezes para chegar a esse lugar é preciso ter coragem.
Hurra, hurra e hurra!

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Tiro ao Alvo (1)

Bjørn Lomborg - El Ecologista Escéptico (The Skeptical Environmentalist) (2001)

O Ecologista Céptico, do dinamarquês Bjørn Lomborg teve forte impacto aquando da edição em inglês. Suscitou imensa polémica. A partir de estatísticas oficialmente publicadas e reconhecidas (na grande maioria dos casos, as mesmas apressadamente utilizadas para dilacerantes denúncias...), aí se desmistifica a propaganda ambientalista e "sócio-catastrofista" com que a opinião pública usualmente se mortifica. É com argumentação rigorosa que se desmontam grande parte dessas verdades mediáticas que quase todos fomos incorporando na nossa percepção do mundo. Depois desta leitura ficamos a saber que, na maioria dos casos, não passam de autênticas fábulas ou efabulações... Note-se que o autor não pretende invalidar a preocupação social sobre as questões ambientais, nem sequer, desmentir ou ignorar muitos problemas efectivos. O que pretende é suscitar uma preocupação social guiada pela razão e não pela emoção e, por via disso, distinguir os problemas reais e os imaginários e, em relação aos primeiros, hierarquizá-los e reflectir sobre os meios a utilizar.
Não há ainda tradução em português. A tradução em castelhano saiu há pouco mais de um ano. Aquando da saída desta edição espanhola, Lomborg deu uma entrevista. O autor tem ainda um sítio oficial na Internet.
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