
Rafael Subirachs - Bac de Roda in Bac de Roda (1977)
Raimon - Al vent / La pedra / Som / A cops (1963)
Raimon canta Al vent. É um dos mais emblemáticos temas deste cantautor de Xàtiva, terra onde se fala valenciano, o dialecto catalão que, pela fonética, se aproxima do castelhano. É, sublinho, um tema emblemático. Tenho o EP original, com o "fritado" próprio do vinil muito usado. Comprei-o, em segunda mão, por 15 euros, há ano e meio em Barcelona. Data de 1963 e é material de valia entre coleccionadores. É um símbolo de um tempo e de um país (D'un temps i d'un país é título de um outro tema de Raimon e foi retomado por Serrat como título de um álbum evocativo dos tempos áureos da cançó).
Al vent foi, nos anos 60, um hino anti-franquista. Diz Raimon que lhe surgiu quando, estrada fora, em cima de uma vespa, se dirigia de Xàtiva a Valencia, onde era aluno de História. Na letra e cadência transporta sentimento de rebeldia. Por isto e pelo facto de não ser cantado na lengua del imperio, tornou-se emblemático; basta dizer que trinta anos depois de ter sido gravado, a efeméride foi pretexto para o espectáculo de onde este vídeo foi extraído. Já agora, repare-se que, no palco, atrás de Raimon, estão Luís Cília e Paco Ibañez. Pode-se ainda ver Joan Manuel Serrat cantando emotivamente. Ao fundo está uma tela gigante que reproduz a pintura que Joan Miró fez para a capa do álbum de Raimon, Cançons de la roda del temps.
Raimon - Al vent (Barcelona, Palau Sant Jordi, 1993)

Diadas castelleres
As diadas incluem concursos com pontuações estabelecidas para itens de desempenho, onde sobressaem carregar (completar o castell) e descarregar (desfazer o castell ordenadamente). Há várias modalidades (identificadas por combinações numéricas), com distintos graus de dificuldade. As pontuações diferem consoante as modalidades. O início e termo do acompanhamento musical - sempre a mesma melodía e sempre com os mesmos instrumentos (gralles) - obedece a determinadas etapas da construção do castell. A temporada desenrola-se segundo um calendário de festas majors e outras datas festivas tradicionais.
No tempo da ditadura franquista, estes actos eram vistos com desconfiança pelas autoridades, já que a tentativa de os reduzir a inócuas manifestações folclóricas colidia com uma realidade afirmativa de carácter diferenciador e mobilizadora de sentimentos nacionalistas. O apego a estes eventos ainda hoje é exaltado pelo catalanismo.
Web: Coordinadora de colles castelleres de Catalunya
Web: Web Casteller - Calendari d'actuacions
Maria del Mar Bonet - Maria del Mar Bonet (Sonet) (1974)
Este é o terceiro álbum de Maria del Mar Bonet. Foi o primeiro gravado para a editora Ariola, já que a Boccaccio não mostrara entusiasmo por um projecto que parecia não dar continuidade às potencialidades comerciais do álbum anterior. Apresenta um distintivo inconfundível: a capa, da autoria do pintor Joan Miró (A edição em CD é mais um exemplo de empobrecimento em relação às edições originais, em vinil). Os velhos LPs eram susceptíveis de complementos artísticos desta natureza - algo que nos anos 70 ocorreu com frequência. Contudo, o contributo de um pintor como Miró era, evidentemente, invulgar (também ocorreu num álbum do cantautor Raimon). Quanto ao conteúdo musical deve-se dizer que não desmerece. Não é um dos melhores álbuns de Maria del Mar Bonet, mas, tendo em conta o elevado nível da primeira metade da sua carreira, dizer que estará na média já é significativo.
É o primeiro álbum que não está dominado pelo folk maiorquino. Impera a canção ligeira de corte clássico, com arranjos cuidados, mas convencionais. Com excepção de um par de temas com letra da própria Maria del Mar Bonet (Vigila el mar e Jo viajava amb tu) todos os demais são construídos sobre poemas de autores maiorquinos da primeira metade do século XX, com destaque para Bartomeu Rosselló-Pòrcel. Notável é também a participação do cantautor madrileno Hilario Camacho que é o compositor de todas músicas, com excepção de Desolació. Este facto ainda é mais notável se se tiver em conta que nunca foi muito expressiva a colaboração de nomes estranhos à catalanofonia no universo da nova cançó. Há um tema dedicado a Sóller - uma melodia construída sobre um poema de Rosselló-Pòrcel que consegue sugerir impressivamente o ambiente do vale, impregnado de aroma de laranjais e de uma lânguida doçura de vida provinciana. O mais destacado é, porém, Vigila el mar, que foi, talvez, uma das canções cantadas em catalão que mais projecção teve em toda a Espanha. Não deixa de ser uma melodia simples (embora bem construída e magnificamente arranjada), sobre uma pobre letra de lirismo ecológico vulgar... Na verdade, uma boa parte do segredo reside num elemento óbvio: a voz de Maria del Mar Bonet.
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Barranc de Biniaraix, Mallorca