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sexta-feira, março 20, 2009

Mediterráneo / Mediterrània (59): Catalunya


Rafael Subirachs - Bac de Roda (1977)

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Rafael Subirachs - Bac de Roda in Bac de Roda (1977)

Mediterráneo / Mediterrània (58): Catalunya

Pedres de Girona
Um sítio web de divulgação turística de Girona: Pedres de Girona (Pedras de Girona). Clicando sobre a imagem acede-se-lhe.
A cidade precisa, efectivamente, de maior divulgação. Está obscurecida pela metrópole Barcelona e de algum modo afectada pelo atractivo da parafernália surrealista do Museu Dalí de Figueres e da mundanidade das praias da Costa Brava. Mas é assim e é pena. Em relação a Girona e não só. Existem muitas preciosidades no interior da província de Girona como, de resto, no interior de toda a Catalunha, em particular na metade setentrional que corresponde à historicamente designada como Catalunya Vella. Com o seu ar medieval, Girona é como que o mais visível estandarte das urbes da Catalunya Vella.

quinta-feira, março 19, 2009

Mediterráneo / Mediterrània (57): Catalunya

Toni Verdú Carbó - Streets of Girona
Tenho o prazer de conhecer Girona. É um cidade situada no norte da Catalunha, capital da província do mesmo nome. É rica pelo seu nível de vida, mas ainda é mais rica pelo seu património histórico. Na margem direita do Rio Onyar, pouco antes deste confluir com o Ter, um denso casario em torno de estreitas ruas empinadas compõe o seu centro histórico. Quase no topo desse anfiteatro sobressai a catedral. É precisamente esse centro histórico o objecto de um belíssimo álbum de fotos, da autoria de Toni Verdú Carbó que está disponível no Flickr. Ver slideshow a partir daqui.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Mediterráneo / Mediterrània (56)

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Raimon - Al vent / La pedra / Som / A cops (1963)

Raimon canta Al vent. É um dos mais emblemáticos temas deste cantautor de Xàtiva, terra onde se fala valenciano, o dialecto catalão que, pela fonética, se aproxima do castelhano. É, sublinho, um tema emblemático. Tenho o EP original, com o "fritado" próprio do vinil muito usado. Comprei-o, em segunda mão, por 15 euros, há ano e meio em Barcelona. Data de 1963 e é material de valia entre coleccionadores. É um símbolo de um tempo e de um país (D'un temps i d'un país é título de um outro tema de Raimon e foi retomado por Serrat como título de um álbum evocativo dos tempos áureos da cançó).
Al vent
foi, nos anos 60, um hino anti-franquista. Diz Raimon que lhe surgiu quando, estrada fora, em cima de uma vespa, se dirigia de Xàtiva a Valencia, onde era aluno de História. Na letra e cadência transporta sentimento de rebeldia. Por isto e pelo facto de não ser cantado na lengua del imperio, tornou-se emblemático; basta dizer que trinta anos depois de ter sido gravado, a efeméride foi pretexto para o espectáculo de onde este vídeo foi extraído. Já agora, repare-se que, no palco, atrás de Raimon, estão Luís Cília e Paco Ibañez. Pode-se ainda ver Joan Manuel Serrat cantando emotivamente. Ao fundo está uma tela gigante que reproduz a pintura que Joan Miró fez para a capa do álbum de Raimon, Cançons de la roda del temps.



Raimon - Al vent (Barcelona, Palau Sant Jordi, 1993)

Mediterráneo / Mediterrània (55): Valencia (37 remake)

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Valencia (anos 50) (2)

Mediterráneo / Mediterrània (54): Valencia (37 remake)

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Valencia (anos 50) (1)

Mediterráneo / Mediterrània (53) (34 remake)

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Raimon - Nov
a integral Edició 2000 (2000)
Raimon (Ramón Sanchis Pelejero) é o decano da cançó catalana, mas não é propriamente catalão, é valenciano. Nasceu em Xàtiva, no sul da província de Valencia. Convém saber que a área linguística catalã estende-se pelo litoral das terras valencianas até ao sul da província de Alicante. As localidades de Elx (Elche) e Crevillent, já próximas de Murcia, assinalam os seus limites meridionais. A forma valenciana de falar catalão (valencià) diferencia-se por uma fonética de vogais mais abertas e por um vocabulário com certas especificidades, uma boa parte das quais de origem árabe. Juntamente com um punhado de intelectuais valencianos, onde avulta Joan Fuster, Raimon foi, nos anos 60 e 70, intérprete de um ideal pan-catalanista que se traduzia no conceito Països Catalans - comunidade linguística entre Principat (Catalunya), Illes (Menorca, Mallorca, Eivissa) e País Valenciá. Tornou-se figura de proa do catalanismo. Mas, em boa verdade, foi mais do que isso, foi uma dos primeiros cantautores com projecção e nessa medida chegou a ter notoriedade em toda a Espanha, apesar de ter cantado sempre só em catalão. Alguns dos hinos antifranquistas dos anos 60 foram da sua lavra. Em qualquer lugar de Espanha os seus espectáculos transformavam-se em comícios. Porém, a sua música foi-se desenvolvendo para além das intervenção política. No início, a crua simplicidade da sua música, assente numa simples guitarra e em acordes lineares, fazia ressaltar uma voz poderosa e expressiva. Este trunfo sempre o manteve. Mas, já em 1966 havia sinais num outro sentido. Nesse ano saiu o álbum Cançons de la roda del temps, onde Raimon pôs em música poemas de Salvador Espriu e tinha uma capa da autoria de Joan Miró. Esta linha levá-lo-ia mais tarde aos poetas valencianos de finais da Idade Média, como Ausiàs March. Nos anos 80 e 90 estava já longe do panfletarismo, apostando por uma via mais valiosa de canção de texto.
Em 2000 é lançada uma reedição de toda a sua carreira discográfica em 10 volumes. No sexto consta Cançons de la roda del temps, não na versão original, mas numa outra, que havia sido entretanto gravada em 1981. A voz ainda poderosa e límpida de Raimon e o adusto lirismo de Espriu proporcionam uma experiência tão interessante como na versão original.



Raimon - Cançó del matí encalmat (1981) in Raimon: Nova integral (2000)

sexta-feira, maio 09, 2008

Mediterráneo / Mediterrània (52): Catalunya

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Companyia Elèctrica Dharma - Catalluna (1983)
Antes de mais, o título sugere o duplo sentido Catalunha e "agarra a lua", reiterado pela capa. É uma sugestão poética, coerente com o conteúdo do álbum. Um álbum que se pode considerar o culminar de um projecto da Companyia Elèctrica Dharma de fusão da música tradicional catalã com a música electrónica de uma forma, digamos, pop. Algumas das mais populares canções tradicionais são aqui transfiguradas sem nunca perderem o seu carácter intrinsecamente catalão. A sonoridade das sardanes perpassa por todos de um modo, por vezes, grandioso, épico. Com efeito, são estes os adjectivos apropriados para alguns dos temas, nomeadamente o primeiro e o remate do último, que é extenso. Este, aliás, inspira-se nas danças de La Patum - festejos da cidadezinha de Berga, no extremo norte da província de Barcelona, num vale pirenaico. É um álbum indispensável para quem queira ter uma noção suficientemente informada do que é a música catalã.
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Companyia Elèctrica Dharma - La presó de Lleida in Catalluna (1983)

Mediterráneo / Mediterrània (51): Catalunya

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Companyia Elèctrica Dharma - Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)
Companyia Elèctrica Dharma é um grupo difícil de definir. Assenta numa base familiar que, ao longo do tempo, integra cinco de sete irmãos de uma família originária do bairro barcelonês de Sants, os Fortuny, à qual acresce sempre Carles Vidal e, pontualmente, mais alguns outros que não partilham o apelido Fortuny. Coincidindo com o fim de um período de maior projecção, em 1986 faleceu, repentinamente, um dos irmãos, Esteve, após um concerto. Para todos os efeitos, esse foi um momento marcante na trajectória do grupo. Contudo, manteve-se em actividade, sem cair na penumbra. Para além desta feição de trupe familiar, o que lhes confere originalidade é a música que fazem - uma mistura entre rock electrónico e música tradicional catalã (sardanes), ligada por conceitos perfeitamente jazzísticos de fusão, que estimulam o improviso. Note-se que os instrumentos que imperam são os mesmos das coblas (pequenas orquestras tradicionais) que presidem às danças das sardanes. A sonoridade é, assim, marcada por cornetins e outros instrumentos de sopro que são uma imagem de marca da identidade musical catalã. Contudo, há um aparatoso envolvimento de sintetizadores e baterias.
Desde os seus inícios, em meados dos anos 70, o grupo inscreveu-se no universo do catalanismo. Até essa altura era um universo esmagadoramente ocupado pela canção de texto (nova cançó), mas que vira, pouco antes, surgir algo que se apresentava como rock catalão por via de Jaume Sisa e Pau Riba. Em todo o caso, a proposta de Dharma não tinha a ver nem com uma coisa nem com outra. Tal originalidade granjeou-lhes aplausos da crítica e, depois, no início dos anos 80, também reconhecimento comercial. Este álbum corresponde, precisamente, a esse período. Das forças e das fraquezas desse tipo de música nesse período dá a devida conta. Esgrimindo os tópicos mais militantes do nacionalismo, procurou as referências dançáveis e festivas das tradições, não ignorando também uma das mais contemporâneas como transparece na associação do lema Força Dharma ao lema futebolístico Força Barça.
Há temas bem conseguidos e outros que nem tanto... Os três fortíssimos de entrada são, de longe, o melhor, em particular o exótico e arrebatador Anònim empordanés que se desenvolve numa improvável junção de uma marcha tradicional ampurdanesa com uma furiosa bateria.

Companyia Elèctrica Dharma - Anònim empordanès in Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)

segunda-feira, maio 05, 2008

Mediterráneo / Mediterrània (50): Catalunya

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Joan Manuel Serrat - Cançons tradicionals (1967)
Tinha Serrat 24 anos quando publicou esta álbum, o segundo da sua carreira; contudo, já era uma figura de impacto na cena musical catalã. Integrava a vaga fundadora e era uma das figuras de proa da nova cançó. No ano seguinte, em 1968, causou sensações contraditórias: por um lado, quebrou como que uma regra implícita e começou a cantar em castelhano; por outro, renunciou com estrépito à intérpretação da canção La, la, la, no Festival da Eurovisão, por não lhe ter sido dada autorização para a cantar em catalão. Esta atitude corajosa não impediu os zelotas do catalanismo de encarar a opção pelo bilinguismo como uma traição. Contudo, era uma opção compreensível - a sua mãe, aragonesa, era de língua castelhana, e seu pai, de origem autóctone, era de língua catalã. Era também bilingue a realidade que o rodeava no popular bairro barcelonês de Poble Sec, onde afluíam emigrantes aragoneses, murcianos, andaluzes.
Nas vésperas destas polémicas, este álbum constitui como que uma serena proclamação de acrisolado amor à Catalunha, através de algumas das suas mais emblemáticas canções tradicionais. São, na maior parte dos casos, de recorte bucólico e extravasando referências de vetusta catalanidade, incrustadas numa secular história de agravos e ressentimentos. Estão magnificamente orquestradas e servidas por uma voz adequadamente melancólica. Enfim, é um belo álbum conceptual e de referência.
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Joan Manuel Serrat - L'estudiant de Vic in Cançons tradicionals (1967)

sábado, abril 19, 2008

Mediterráneo / Mediterrània (49): Catalunya

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Ildefonso Falcones - La catedral del mar (2006)
Este romance histórico tem sido um estrondoso êxito de vendas. É um facto tanto mais notável quanto se trata da estreia de um escritor, no caso um advogado barcelonês de meia idade. Porém, o êxito é compreensível dada a junção de dois ingredientes: um sedutor cenário histórico e um enredo imaginativo, recheado de peripécias e emoções. Este último factor decorre de algo indispensável para se obter um bom romance: ter uma boa história para contar. Na verdade, estamos perante uma boa história, que, aliás, daria um bom filme... Contudo, é precisamente o impacto da história que suscita algumas debilidades, as quais se manifestam em certos aspectos da sua articulação com a História.
É evidente que um romance histórico não se confunde com um compêndio de História, mas presume-se que cumpra regras básicas de verosimilhança. Ou seja, sabe-se que é ficção, mas não é ilógico admitir que pudesse ter sucedido. Portanto, a erudição historiográfica do romancista é, geralmente, muito útil. Pois, note-se que o autor, para além do visível gosto pela História, teve o cuidado de se documentar. Num esclarecimento final refere as suas fontes, nomeadamente a mais importante que foi a Crónica de Pedro III, o Cerimonioso, monarca da coroa aragonesa, cujo reinado incide no centro do convulsionado século XIV. Assim, muitos acontecimentos descritos não são ficção, estando detalhadamente descritos nessa crónica. Do mesmo modo, muitos detalhes sobre as leis, usos e costumes foram retirados de diversas fontes da épocas, nomeadamente compilações jurídicas como as Usatges catalãs. É assim um romance intrinsecamente histórico, sendo emblemático desta natureza que seja inspirado e desenvolvido em torno da igreja de Santa María del Mar - um dos mais destacados exemplos do gótico na Catalunha - implantada no coração de um dos mais antigos bairros de Barcelona, El Born. Em certo contraste com esta natureza e com tão evidentes cuidados de inserção histórica, sucede que o enredo aqui e ali implica que se incorra em algum anacronismo, mais concretamente, naquele tipo de anacronismo que diz respeito às mentalidades. Com efeito, os heróis protagonistas, Bernat Estanyol e, sobretudo, o seu filho Arnau Estanyol, por vezes, pensam e vêem o mundo não tanto como homens daquele tempo medieval, mas mais como homens deste nosso tempo. Diga-se que tal óbice é frequente nos romances históricos, mas que neste caso, dado os cuidados de rigor, não deixa de ser assinalável. Seja como for, para além de ser uma excelente história, não deixa de ser um magnífico contributo para se entrar na História de um tempo e de um lugar fascinantes: Barcelona e o mundo mediterrâneo nos finais da Idade Média.
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quinta-feira, novembro 08, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (48): Mallorca (23 remake)

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Maria del Mar Bonet - Jardí tancat (1981)
Com permissão do antecedente Saba de terrer, considero este o melhor álbum de Maria del Mar Bonet. É certo que não conheço os mais recentes, mas não imagino ser fácil reencontrar agora o encanto ímpar aqui alardeado. A sua voz atinge uma doçura e suavidade que, se bem que nunca perdida, dificilmente poderia voltar a alcançar tal esplendor. Como se não bastasse, tudo o mais em Jardí Tancat parece tocado por um estado de graça: os arranjos de orquestração; o repertório de poetas maiorquinos contemporâneos; as fotos nos Jardins de Raixa (em Maiorca); a foto da capa... Curiosamente é um álbum na linha da canção de texto e em que a presença folk é discreta, apenas indirectamente trazida através da temática dos poemas. Entre um punhado de jóias, cabe sublinhar que a forma como o álbum se despede, com Cançó de la sirena, é algo de invulgarmente belo: uma melodia encantatória vai-se desvanecendo gradualmente, deixando no ar um perfume melódico, diria, de genuína essência mediterrânica...
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Maria del Mar Bonet - Cançó de la sirena in Jardí tancat (1981)

sexta-feira, outubro 26, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (47): Mallorca (22 remake)

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Maria del Mar Bonet - Maria del Mar Bonet (L'águila negra) (1971)
Em 1971, em plena maré ascensional da nova cançó, Maria del Mar Bonet publica o seu segundo álbum. Um ano antes havia publicado o primeiro, Maria del Mar Bonet (Fora d’es sembrat), mas já em 1967 e 1968 havia publicado um single e dois EP’s, respectivamente. Tinha pouco mais de 20 anos, possuía um timbre de voz melodioso e dedicava-se, especialmente, a recriar temas populares maiorquinos. Nesta orientação convergiam duas linhas: a canção de intervenção e o folk. O álbum confirma a orientação, embora também inclua temas de pura canção de texto, de poetas e compositores reconhecidos, assim como temas da sua autoria. Aliás, Cançó per una bona mort e Mercé (este último uma homenagem à sua mãe) são ambos de sua autoria e são os melhores. Apesar de um pouco desigual, há neste álbum uma frescura e um lirismo encantadores. De notar que a reedição em CD é feita a partir da reedição em LP feita dez anos depois da primeira edição, incorporando um tema que não constava originalmente, embora tivesse sido editado na mesma época. Esse tema é L’águila negra - versão catalã de L’aigle noire, de Barbara - e acabou por ser utilizado como título das reedições, já que o original ostentava como título, apenas, o nome da cantora.
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Maria del Mar Bonet - Mercé in Maria del Mar Bonet (L'águila negra) (1971)

Mediterráneo / Mediterrània (46): Mallorca

Um documento notável: Maria del Mar Bonet - Mercé in You Tube. É um extracto de uma gravação filmada de um espectáculo de Maria del Mar Bonet, realizado nos idos de 1970, 1971, na presença da sua mãe - a quem o tema era, aliás, dedicado. Este documento está integrado num episódio da recente série da TV3, da Catalunha, Totes aquelles cançons e é seguido por um comentário actual da cantora e pela parte final de um velho videoclip original (uma preciosidade!) da mesma canção, o qual, tanto quanto é dado ver, foi rodado na Peninsula de Formentor, no extremo norte de Mallorca.

sábado, agosto 25, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (45): Catalunya



Diadas castelleres
No You Tube encontram-se clips que reportam diadas castelleres. Nesta selecção temos um primeiro exemplo que é uma montagem que celebra os 25 anos em que a Colla Vella dels Xiquets de Valls tem vindo a praticar a modalidade castells de 9. O segundo exemplo é um castell levantado num cenário comum, numa praça central, em frente do Ajuntament, em Sant Andreu de Llavaneres - localidade situada poucos quilómetros a norte de Barcelona, na comarca litoral de Maresme. Os outros dois exemplos são de variados castells levantados num cenário especial, ao que parece, na mais importante jornada, em Tarragona, na Praça de Touros. De notar, que o último tem relato e comentário.
As diadas incluem concursos com pontuações estabelecidas para itens de desempenho, onde sobressaem carregar (completar o castell) e descarregar (desfazer o castell ordenadamente). Há várias modalidades (identificadas por combinações numéricas), com distintos graus de dificuldade. As pontuações diferem consoante as modalidades. O início e termo do acompanhamento musical - sempre a mesma melodía e sempre com os mesmos instrumentos (gralles) - obedece a determinadas etapas da construção do castell. A temporada desenrola-se segundo um calendário de festas majors e outras datas festivas tradicionais.
No tempo da ditadura franquista, estes actos eram vistos com desconfiança pelas autoridades, já que a tentativa de os reduzir a inócuas manifestações folclóricas colidia com uma realidade afirmativa de carácter diferenciador e mobilizadora de sentimentos nacionalistas. O apego a estes eventos ainda hoje é exaltado pelo catalanismo.

Web: Coordinadora de colles castelleres de Catalunya
Web: Web Casteller - Calendari d'actuacions

sexta-feira, março 09, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (44): Mallorca (29 remake)

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Maria del Mar Bonet - Maria del Mar Bonet (Sonet) (1974)

Este é o terceiro álbum de Maria del Mar Bonet. Foi o primeiro gravado para a editora Ariola, já que a Boccaccio não mostrara entusiasmo por um projecto que parecia não dar continuidade às potencialidades comerciais do álbum anterior. Apresenta um distintivo inconfundível: a capa, da autoria do pintor Joan Miró (A edição em CD é mais um exemplo de empobrecimento em relação às edições originais, em vinil). Os velhos LPs eram susceptíveis de complementos artísticos desta natureza - algo que nos anos 70 ocorreu com frequência. Contudo, o contributo de um pintor como Miró era, evidentemente, invulgar (também ocorreu num álbum do cantautor Raimon). Quanto ao conteúdo musical deve-se dizer que não desmerece. Não é um dos melhores álbuns de Maria del Mar Bonet, mas, tendo em conta o elevado nível da primeira metade da sua carreira, dizer que estará na média já é significativo.
É o primeiro álbum que não está dominado pelo folk maiorquino. Impera a canção ligeira de corte clássico, com arranjos cuidados, mas convencionais. Com excepção de um par de temas com letra da própria Maria del Mar Bonet (Vigila el mar e Jo viajava amb tu) todos os demais são construídos sobre poemas de autores maiorquinos da primeira metade do século XX, com destaque para Bartomeu Rosselló-Pòrcel. Notável é também a participação do cantautor madrileno Hilario Camacho que é o compositor de todas músicas, com excepção de Desolació. Este facto ainda é mais notável se se tiver em conta que nunca foi muito expressiva a colaboração de nomes estranhos à catalanofonia no universo da nova cançó. Há um tema dedicado a Sóller - uma melodia construída sobre um poema de Rosselló-Pòrcel que consegue sugerir impressivamente o ambiente do vale, impregnado de aroma de laranjais e de uma lânguida doçura de vida provinciana. O mais destacado é, porém, Vigila el mar, que foi, talvez, uma das canções cantadas em catalão que mais projecção teve em toda a Espanha.
Não deixa de ser uma melodia simples (embora bem construída e magnificamente arranjada), sobre uma pobre letra de lirismo ecológico vulgar... Na verdade, uma boa parte do segredo reside num elemento óbvio: a voz de Maria del Mar Bonet.

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Maria del Mar Bonet - Vigila el mar in Maria del Mar Bonet (Sonet) (1974)

domingo, março 04, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (43): Mallorca

Barranc de Biniaraix, Mallorca

A parte ocidental de Mallorca é conhecida como Tramuntana. É constituida por uma cordilheira que acompanha o litoral na direcção Nordeste - Sudoeste. A foto abrange uma parte da área onde essa cordilheira tem os seus mais elevados cumes (Puig Maior - 1.445 m; Puig de Massanella - 1.348 m; Puig Tomir - 1.102; Puig de l'Ofre - 1.090; Puig dels Tossals - 1.047 m). Encaixada num barranco fica a pequena localidade de Biniaraix, muito próxima de Sóller. É um povoado muito antigo, mas implantado a uma altitude elevada e com acessos difíceis. Em Mallorca, como noutras ilhas do Mediterrâneo, é comum encontrarem-se os mais velhos assentamentos humanos no interior. Isto vale tanto para esta zona montanhosa como para a zona de planície central (Es Plá) e para a zona de orografia ligeiramente acidentada do leste (Llevant). Este facto deriva da necessidade das populações se protegerem dos ataques da pirataria, especialmente da praticada pelos berberes do Norte de África. Por isso se encontram velhos povoados, como o de Biniaraix, em sítios bravios, improváveis para o estabelecimento de comunicações e propiciadores de um enigmático isolamento. Só a partir de finais do século XVIII é que, para além da bem defendida Ciutat (Palma de Mallorca), começaram a desenvolver-se localidades costeiras. Em todo o caso, se se quiser ter uma noção da genuína cultura maiorquina é indispensável perceber que esta se desvenda mais facilmente no interior da ilha. Desde o começo do turismo de massas, nos inícios dos anos 60, esta orientação é muito mais pertinente, já que uma boa parte do litoral foi adquirindo um carácter alheio à cultura autóctone.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (42): Mallorca

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Maria del Mar Bonet - Maria del Mar Bonet (Fora d'es sembrat) (1970)

A carreira de Maria del Mar Bonet tem sido uma demonstração de coerência. Pela temática, pelo estilo e pela opção linguística. Este é o seu primeiro álbum e é uma oportunidade para se poder comprovar como, desde o início, se desenharam as grandes linhas da sua orientação artística. É um facto que a presença da música popular maiorquina e menorquina tendeu, com o tempo, a não ser tão dominante como aqui, mas também é um facto de que nunca deixou de ter presença significativa. Além disso, apresenta composições próprias. Ou seja, desde o início a sua opção representou um ponto de confluência entre folk e canção de texto. Ainha hoje é assim, embora o folk se tivesse alargado a uma ampla extensão de culturas mediterrâneas.
O argumento artístico que por esta altura a colocou imediatamente acima da média no que diz respeito à nova cançó era, evidentemente, a sua voz. A produção valorizou devidamente este factor e preparou para este álbum uns arranjos musicais adequados. Alías, o que confere a este álbum um nível superior ao das gravações anteriores em single e EP é, precisamente, ter uma produção de superior qualidade. Como a editora era a mesma (Concentric), a melhoria deve ser creditada a recursos técnico-materiais acrescidos e à supervisão artística que, entretanto, passou a ser de Antoni Ros-Marbà. Algumas jóias marcam aqui presença: Fora d'es sembrat, Sa novia d'Algendar, Cançó d'es segar, Cançó d'esterrossar, Dona'm sa mà... Algumas são toadas de trabalho campestre entregues a um único e solitário instrumento: a voz!
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Web: Maria del Mar Bonet in Musics per la llengua


Maria del Mar Bonet - Fora d'es sembrat in Maria del Mar Bonet (Fora d'es sembrat) (1971)

domingo, fevereiro 25, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (41): Mallorca (21 remake)

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Maria del Mar Bonet - Saba de terrer (1979)
A produção discográfica de Maria del Mar Bonet alberga várias pérolas. Até meados dos anos 80, entre os discos dedicados à música popular maiorquina, este é, para mim, o melhor. Só por si, o tema de entrada, o romance tradicional, Sa des cavaller, é esplendoroso, sendo que o resto, porém, em nada desmerece... Nunca a sua voz soou tão etérea. A capa, reproduzindo uma velha foto de artesãs maiorquinas, sugere o ambiente tradicional de onde provem a música. Os arranjos e a concepção artistica global indicam uma cuidada prospecção pela música tradicional maiorquina. Mas, se os arranjos não estão longe do purismo tradicionalista é por uma via elaborada, pois não deixam de evidenciar formação erudita, algo que se nota particularmente no último tema - El cant de la sibil.la.
Temos também oportunidade de apreciar como o dialecto mallorquí, apresenta, comparativamente com o catalão padronizado, uma doçura fonética arcaizante que, provavelmente, o aproxima do provençal. Já agora, vem a propósito esclarecer que saba de terrer, significa sapato de terreiro, terreiro de festa, de baile. É, portanto, uma alusão às festas tradicionais.
Pena é que a 1ª edição em CD seja tão pobre em informações e grafismo, comparada com a edição original em LP.
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Maria del Mar Bonet - Sa des cavaller in Saba de terrer (1979)

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (40): Mallorca

Sa des cavaller

N'era lleuger de la cama,
tots los mals passos seguia
i el dimoni li eixia
conforme fos una dama.
- Senyora, què té, què té?
¿Què té de nou son marit,
que a altes hores de la nit,
vaia sola p'es carrer?
- Senyor meu, jo som anada
a una casa de joc,
i m'hi he estorbada
un poc i els meus criats m'han deixada.
- Senyora, vi soleu venir
a casa l'acoiré,
bon sopar que li daré
i un bon llit per dormir.
- Si vostè no em destapàs
i secreta me tengués,
que mon marit no ho sabés
poria ésser que hi anàs.
Los dos se'n varen anar
a casa del cavaller
i a lo punt ell li tyragué
coses bones per sopar.
- Cavaller, jo ja he sopat.
- Senyora, i jo també.
- Idò, que veja on té
es llit tan ben reguardat.
- Aquí dalt trobarà un llit
que hi jèia amb la meva esposa
i si em promet una cosa,
hi podrà romandre anit.
- Jo ho tendria per afronta
res haver- li de negar.
De tot quant demanarà
esta nit anirà a son compte.
Com ella se descordava,
el cavaller hi va pujar.
Tot d'una li demanà
si sabia ambe qui els hava.
Li contestà el cavaller:
- Senyoreta, no sé res,
però jo compt haver- lès
amb una dona de bé.
No vui fer cap cerimoni
a ningú d'aquest món nat:
sabrà vostè en veritat
que les ha amb el dimoni.


Josep Massot i Planes - Cançoner musical de Mallorca