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quinta-feira, outubro 28, 2004

Mariachi y tequila (7)

Robert Rodríguez - El Mariachi (1992)
Robert Rodríguez, de San Antonio (Texas) - coração do universo chicano - já tinha um percurso de colaboração com Quentin Tarantino, quando em 1992 se abalança como argumentista e realizador para uma produção de baixo orçamento, que se centra na temática e iconografia do Mariachi, de uma forma original, vanguardista mesmo... Apesar dos meios rudimentares, do plantel de actores pouco menos que anónimo, o filme teve um justo sucesso, de tal modo que dele haveria uma sequela - Desperado, já com um orçamento dem diferente e integrando vedetas como Antonio Banderas, Salma Hayek e, já agora... Joaquim de Almeida. Apesar de não desmerecer (de facto, também é bom...), não consegue alcançar a mesma surpreendente originalidade.
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quarta-feira, outubro 27, 2004

Mariachi y tequila (6)

José Alfredo Jiménez (1926-1973)
Alguém disse (Tony Évora in El Libro del Bolero) que não há nada mais intrinsecamente machista que a música ranchera. É bem possível, tanto mais que são evidentes, no seu conteúdo e pose, traços marcantes de uma cultura de fronteira, feita de bravatas e fanfarronices em narrativas épicas. Curiosamente, José Alfredo Jiménez, el Rey, que foi o maior compositor do género, assume, várias vezes, uma imagem que poderíamos designar como de "macho fragilizado"... Este facto não será alheio à sua dependência do álcool, que causou um processo degenerativo que culminou na sua morte precoce.
A protagonista da novela de Pérez Reverte, A Rainha do Sul, por entre as múltiplas referências musicais que evoca (entre narcocorridos e Paquita la del Barrio), reserva a mais sentimental para uma ranchera de José Alfredo. Esse é o momento em que a surpreendemos mais comovida, lembrando o seu México distante.

sábado, setembro 25, 2004

Mariachi y tequila (5)


Los Tigres del Norte - 20 Corridos inolvidables (2003)
Na novela A Rainha do Sul, de Arturo Pérez-Reverte, abundam referências aos corridos de Los Tigres del Norte, Los Tucanes de Tijuana e outros grupos congéneres que fazem o que é conhecido como Música Norteña. O escritor compreendeu a realidade sociológica que acompanha este tipo de música, que atingiu níveis de grande popularidade no México (sobretudo no Norte) e nas zonas chicanas dos EUA. Los Tigres, que já eram muito populares, viram expandir a sua fama graças precisamente a este romace. Para além de múltiplas referências no texto acerca do grupo, é curioso como o escritor teve a capacidade de utilizar títulos de alguns dos seus corridos como apropriados títulos de capítulos.
Sob o ponto de vista artístico, há alguns temas estimulantes, mas a utilização de um esquema instrumental assente apenas na bateria e no acordeão tex-mex, assim como a limitada imaginação melódica e capacidade vocal dos solistas, podem gerar alguma monotonia. Dentro deste modelo, Los Tucanes parecem mais imaginativos e o próprio texano Flaco Jiménez (expoente do tex-mex), de San Antonio, parece proporcionar maior variedade. Deve reconhecer-se, porém, que as letras podem ser excitantes, na medida em que, como nos corridos rancheros, constituem relatos de incríveis proezas e desgraças de ... (e aqui estará um problema ético!) ... narcotraficantes!
É de notar que a lista de corridos, digamos narcorridos (vulgariza-se a utlização deste termo...), que consta desta Antologia compreende aqueles cujos títulos foram adoptados como títulos dos capítulos de A Rainha do Sul.
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quinta-feira, setembro 16, 2004

Mariachi y tequila (4)

Paquita la del Barrio - En vivo desde su lugar (1998)
Este álbum foi gravado ao vivo chez elle, ou seja, na Casa Paquita - restaurante que à noite se transforma em sala de espectáculos. A voz poderosa de Paquita não sai nada diminuída do registo ao vivo, bem pelo contrário! É uma voz autêntica, de um poder sem artifícios. Além disso, o calor humano enriquece a performance, já que o público, por vezes, sublinha ululantemente as passagens mais condimentadas. Com efeito, as tiradas contra los hombres malvados, as consequentes imprecações (me estás oyendo, inútil?) são acolhidas com estrepitoso regozijo. Musicalmente, impera uma sonoridade mariachi convencional. A função não pôde acolher todos os seus êxitos, mas estão presente alguns dos mais carismáticos e morbosos. Saliente-se que nas introduções nos apercebemos que, quando não está investida no acto de cantar, Paquita, em contraste com a sua imagem de la masacradora, fala com um sussurrante fio de voz e intui-se uma desconcertante timidez. Em várias entrevistas, este contraste já tinha sido enunciado por ela mesma, assumindo uma transfiguração em palco. Dir-se-ia que, a vários níveis, algo de freudiano enriquece o fenómeno de culto que Paquita la del Barrio constitui...
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Mariachi y tequila (3)

Paquita la del Barrio - Desquitate conmigo (1992)
Paquita la del Barrio é uma espécie de compêndio da música popular mexicana. Este disco é, provavelmente, o mais clássico e também aquele que assinala o início da fase de relançamento da sua carreira com uma qualidade de produção muito acima do que até então havia usufruido. Impera uma sonoridade entre cabaret e cantina (o nome dado aos saloons a Sul do Rio Grande). A temática mais apelativa está já num plano de desbragamento proto-insultuoso de amantes ingratos ou incompetentes... Destaque-se, além do tema emblemático que dá título ao CD (e que serviu também de ponta de lança da expansão da artista em Espanha): Una corona de azahares (azahar= flor de laranjeira); Cheque en blanco; Sentencia; Por que no he de llorar.
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Mariachi y tequila (2)

Señoras y señores, desde Alto Lucero, Vera Cruz: Paquita La del Barrio, la msacradora!
De seu nome Francisca Viveros, estabeleceu-se na capital onde começou uma modesta vida artística desenvolvida em torno do seu restaurante, Casa Paquita, situado num bairro popular. A sua música, desde sempre, enquadrou-se no género ranchero, o qual incorporou à sua maneira o bolero e outros estilos. Tornou-se conhecida em todo o México a partir de 1986, quando participou numa telenovela (María Mercedes) - tipo de produto que no mundo de língua espanhola é conhecido como culebrón (cobra grande). Tornou-se conhecida em Espanha, desde 1993, quando actuou com impacto na sala Xenon, na Gran Vía madrilena.
Paquita tornou-se objecto de culto entre uma elite, que adoptou alguns dos seus "gritos de guerra" (Eres un reloj sin menejillas!; Me estás oyendo inútil?) - imprecações aos amantes soltas no meio de canções de tom androfóbico - como uma espécie de senhas codificadas para um restrito grupo de iniciáticos privilegiados. Contudo, Paquita é mais, muito mais do que isso. É, entre outras coisas, uma voz poderosa e uma estética em contra-corrente com as modas efémeras de um mundo cada vez mais igual...

terça-feira, agosto 03, 2004

Mariachi y tequila (1)

Livro: Arturo Pérez-Reverte - A Rainha do Sul (La Reina del Sur) (2002)
É a mais recente novela de Arturo Pérez-Reverte. A trama desenvolve-se à volta de uma personagem (Teresa), cujo acidentado percurso de vida entre Sinaloa (México) e o Sul de Espanha, acaba por a alcandorar a uma posição cimeira no mundo do narcotráfico. Um dos aspectos curiosos é a frequente alusão a Paquita la del Barrio (e também a Los Chunguitos e, sobretudo, a Los Tigres del Norte), como artistas da preferência da heroína.
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