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domingo, setembro 28, 2008

La movida (21) (6 remake)

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Golpes Bajos - Todas sus grabaciones 1983-85 (1990)
O mais importante afluente da movida madrilena foi a movida viguesa. Com efeito, de Vigo vieram alguns dos grupos mais originais: Siniestro Total, Os Resentidos, de Antón Reixa; Semen Up, de Alberto Comesaña e Sérgio Castro (dos portuenses Os Trabalhadores do Comércio); Golpes Baixos, de Teo Cardalda e Germán Coppini. Destes últimos reuniu-se num duplo CD toda a sua obra, a qual se resume a três albuns editados entre 1983 e 1985. São apenas três álbuns, porém, foram importantes na história do pop/rock espanhol. Ainda hoje, ao ouvi-los, sente-se que é uma sonoridade que não ficou inexoravelmente datada. A voz de Germán Coppini, de exótica delicadeza, os arranjos de Teo Cardalda, assim como uma aguda ironia na pose e nas letras, configuraram um estilo que não mais se reencontrou, nem sequer na carreira a solo do primeiro ou na carreira do segundo no seu alter ego artístico Cómplices... Além do mais, a Golpes Bajos se devem algumas das canções identificativas do espírito de uma etapa tão criativa como foi a que se viveu até meados de 80: No mires a los ojos de la gente; Malos tiempos para la lírica; Escenas olvidadas; Santos de devocionario...
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Golpes Bajos - Santos de devocionario in Santos de devocionario (1985)

terça-feira, setembro 23, 2008

La movida (20)


Los Sencillos - Bonito es (1992)


Espanha - 25/05/1992: #07 Top Singles (17 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

domingo, fevereiro 10, 2008

La movida (19) (5 remake)

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Gabinete Caligari - Discografia básica: Héroes de los 80 (1981-1983) / Cuatro rosas (1984) / Que Dios reparta suerte (1983) /Al calor del amor en un bar (1986)
Gabinete Caligari foi um dos grupos mais carismáticos e originais de la movida. Foram os criadores do que então foi designado como rock torero, que consistiu numa infusão de casticismo nas iconoclastas modas da vanguarda madrilena. O seu tema mais identificador foi Que Dios reparta suerte (o título é, já por si, um lema castiço...), de 1983. Teve impacto, com a sua cadência de pasodoble e ressoar de castanholas no meio de parafernália eléctrica. Um outro tema, do ano seguinte, alcançou também impacto: Cuatro rosas. Já não estava tão alinhado com esse estilo, pois, se bem que inserido na vaga neo-romântica, situava-se, um pouco inesperadamente, na vertente mais melódica. Passados já mais de vinte anos, resplandece como um dos melhores temas de sempre do pop/rock espanhol e um dos hinos de la movida. Ambos constam desta compilação de três álbuns e singles, editados originalmente entre 1981 e 1986.

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Gabinete Caligari - Cuatro rosas (1984)

Espanha - 01/04/1985: #22 Top Álbuns (12 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

segunda-feira, janeiro 14, 2008

La movida (18)


Pistones - El pistolero (1984) (extracto)

Eis mais um marco de 1984. Foi um single de êxito. É tema pegadizo donde los haya... De um grupo que não conheceu maior fama do que a que instantaneamente ganhou com este achado, que remete para o imaginário do Far West em vigoroso ritmo compassado. Foi um cometa que instantaneamente surgiu no firmamento e se esfumou. Não teve continuidade. Em todo caso é representativo de uma certa juventude madrilena desses tempos. Justamente acabou por se tornar um hino incontornável de qualquer exercício nostálgico sobre la movida.


Espanha - 02/04/1984: #05 Top Singles (21 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

sábado, janeiro 12, 2008

La movida (17) (10 remake)

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Radio Futura - La ley del desierto / La ley del mar (1984)
O ano de 1984 é, definitivamente, um ano especial na pop/rock espanhola. Entre alguns álbuns marcantes saídos nesse ano conta-se este, para mim, um dos melhores no meio de toda a diluviana produção do género. Não obstante a assinalável estreia com La estatua en el Jardín Botánico, o grupo dos irmãos Auserón não tinha ainda alcançado notoriedade. Por esta e outras razões, a gravação deste álbum, se bem que tecnicamente escorreita, está longe de evidenciar luxos de produção. Aliás, nota-se uma certa "sonoridade de garagem". O registo é mais rock que pop e expressa uma crua rudeza eléctrica. Santiago Auserón, que, sob o pseudónimo Juan Perro, segue hoje mais por caminhos de inspiração latina, é uma das melhores vozes do pop/rock espnhol. Se bem que o tempo tenha aperfeiçoado tais qualidades, já em 1984 elas estavam bem patenteadas.
O álbum apresenta uma curiosa característica conceptual: está dividido em duas partes distintas e a cada uma corresponde seu nome e sua capa; La ley del desierto é a face A e La ley del mar, a face B. Se em termos estritamente musicais essa dualidade não é assim tão evidente, já o mesmo não se pode dizer das letras. Em todo o caso, os temas mais marcantes - Escuela de calor (versão cantada e versão instrumental) e Semilla negra - correspondem, respectivamente, ao deserto e ao mar, sendo que se adequam, quer na letra, quer mesmo na música, a essas distintas naturezas. Diga-se que são dois temas espectaculares e que, posteriormente, serão retomados e desenvolvidos em diferentes registos. Escuela de calor, muito particularmente, arrasou nesse verão e ainda sobrou para outros estios...
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Radio Futura - La ley in La ley del desierto, la ley del mar (1984)

Espanha - 18/06/1984: #02 Top Álbuns (31 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)


terça-feira, outubro 24, 2006

La movida (16)

Alaska y los Pegamoides: Mundo indómito (1998) (Origem: 1980+1981+1982)
Esta colectânea recolhe de forma exaustiva a produção do mítico grupo Alaska y los Pegamoides. Mítico em relação aos tempos áureos de la movida... Na verdade poucos grupos podem ser tão intimamente associados a este movimento madrileno. E tal sucede por variadas razões, que vão muito além da música. Uma certa estética, perfeitamente identificável, por exemplo, nos primeiros filmes de Pedro Almodóvar, está aqui já consagrada. O mesmo se pode dizer dos princípios de vitalidade hedonista. Concretamente, o barroquismo rococó (o melhor seria escrever rockockó...) da figura de Alaska (Olvido Gara) torna-se um ícone de tudo isto.


Alaska y los Pegamoides: Bailando (1982)
Sucede que em qualquer lista de temas mais associáveis aos tempos de la movida, Bailando terá, forçosamente, que estar lá. É um poderoso bombazo de feições disco, o que já então, em estritos termos de moda musical, estava um pouco desfasado no tempo. Provavelmente, se tivesse surgido uma meia dúzia de anos antes, teria sido um hino disco. Nesta conjuntura, tornou-se um hino de la movida. Significativamente, foi um dos singles mais vendidos em Espanha no ano de 1982. Ao mesmo tempo, era o prenúncio da iminente promoção de Alaska a um nível pop mais comercial.

domingo, outubro 22, 2006

La movida (15)

Vigo capital Lisboa (1984)

Fai un sol de carallo (1986)

Música doméstica (1987)

Os Resentidos: Discografía básica (2003) (1984 / 1986 / 1987)
Uma das derivantes da produção musical da movida foi a representada pelo grupo galego Os Resentidos. Enquadram-se num tempo que abrange a pós-movida e num território estranho, entre o punk e o folk. Alma mater e ideólogo deste projecto foi o viguês Antón Reixa. Se algo caracteriza Os Resentidos, assim como o posterior projecto Nación Reixa, é o carácter provocador original.
Este triplo CD reúne integralmente os três primeiros álbuns de Os Resentidos. Deve-se notar que, ao contrário dos grupos mais comerciais da movida viguesa (Golpes Bajos, Siniestro Total, Semen-Up), cantavam em galego e faziam uma música sem pretensões comerciais. Em todo o caso, estão a milhas de um alinhamento com o folk. Embora utilizem múltiplas das suas referências, fazem-no em favor de uma estética punk. É uma pós-modernidade ácida, nihilista e iconoclasta. Sob este ponto de vista, a capa e o título do primeiro álbum são elucidativos. A atitude que a imagem de Portugal desperta entre os espanhóis é resultante de um misto de ignorância e desdém (felizmente, cada vez menos...). Na rivalidade entre A Coruña e Vigo, as duas maiores cidades galegas, os habitantes da primeira apodam os vigueses, depreciativamente, como... portugueses. Em parte por isso, num alarde provocatório, Reixa, que, diga-se, parece saber muito mais de nós que a generalidade dos espanhóis (galegos incluídos), confecciona uma imagem e um título impensáveis (O nosso galo de Barcelos diz tanto à opinião pública espanhola como um qualquer tótem de uma perdida ilha dos mares do sul...) Depois, é certo, o conteúdo só marginalmente corresponde ao invólucro.
A mesma receita foi aplicada no segundo álbum, onde o alvar sorriso desdentado de um velho
labrego é acompanhado pela expressão genuinamente galega, de obsceno ênfase, fai un sol de carallo, que se constitui assim... em título do álbum... Algo que a nós, portugueses (pelos menos, aos nativos do rio Vouga para baixo) soa como impensável para título do que quer que seja...
Musicalmente como são estes produtos? Por força de tanta originalidade provocatória, o resultado é desconcertante. Há coisas boas: originalidade de risco; alguma verve. Desta mistura, no conjunto dos três álbuns, temos uma meia dúzias de temas interessantes, com um ou outro, roçando a genialidade. Contudo, a maioria é, em termos estritamente musicais, um inevitável fracasso.


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Como quem não quer a coisa, a verdade é que já passaram 20 anos! Podemos constatar tal facto nesta sequência que contém de uma recente aparição de Antón Reixa num programa da TVG. O tema é Galícia Canibal, do álbum Fai un sol de carallo. O refrão inspirou o título do álbum, ou vice-versa...

sábado, junho 24, 2006

La movida (14)

Miguel Bosè - XXX (1987)
Com este álbum, Miguel Bosè culmina a sua fase mais comercial, ainda não de todo desprendido da sua condição de ídolo de teenagers. É um trabalho produzido com ofício e técnica, plenamente integrado no mais avançado da indústria da música pop internacional. Aliás, a produção e gravação correm por conta do departamento londrino da WEA e teve uma edição dirigida ao mercado anglo-saxónico. Seja como for, a penetração nos mercados internacionais (com excepção do italiano) nunca foi significativa, ao contrário do que viria a suceder uma década depois com, por exemplo, Alejandro Sanz. Talvez este impasse tivesse contribuido para uma evolução da carreira de Miguel Bosè na direcção de um público mais maduro e exigente.
No seu género, este produto atesta um excelente compromisso entre salutares níveis de simplicidade próprios da música pop e um acabamento industrial esmerado - legeireza sem ser fútil ou indigente... É, enfim, um dos melhores exemplos da pop
espanhola mainstream, enriquecida depois da experiência criativa da movida.
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Web Miguel Bosè

sexta-feira, outubro 28, 2005

La movida (13)

Semen Up - Los estás haciendo muy bien y otras canciones peligrosas [1996 (1985+1986)]
Este CD reúne quase toda a produção de Semen Up, que foi, portanto, escassa. Corresponde a dois mini LPs editados em 1985 e 1986. Foi uma produção escassa, mas de impacto, além de que ganhou ainda maior relevância pelo facto da figura central do grupo, Alberto Comesaña, ter tido, depois, uma projecção mediática nos anos 90, como membro do duo Amistades Peligrosas. Semen Up insere-se na tendência provocatória que sustentou uma boa parte da movida. Porém, ao contrário da maioria dos exemplos desta tendência, não deixou de apresentar cuidados musicais. Em parte, certamente, porque integrou uma vaga tardia dentro da movida. É o último grande testemunho musical do que se designou como movida viguesa, depois de Siniestro Total, Golpes Bajos e Os Resentidos. Há ainda um pormenor relevante: participou activamente neste grupo o portuense Sérgio Castro, de Trabalhadores do Comércio (é mais um exemplo da mútua atracção entre Porto e Vigo..). Em todo o caso a grande estrela foi sempre Alberto Comesaña - tudo girava em torno dele, da sua voz e do seu descaramento... Havia um programa de acção que era fazer um pop/rock para chocar espíritos púdicos, por via de mensagens sexualmente explícitas, ou quase... É uma espécie de bombástica teoria de pacotilha assente em proclamações contra a dictadura de los decentes e coisas assim... Lo estás haciendo muy bien é o tema estandarte, mas não se pode dizer que algum dos temas que figuram nesta compilação escape a esse "programa". Na verdade aquele tema, que lhes granjeou fama instantânea, se musicalmente não é desinteressante, está longe de ser uma obra-prima... Contudo, a letra é um achado e, assim, se projectou aquela bem pode ter sido uma das primeiras canções declaradamente dedicadas ao sexo oral... A imagem da capa reforça o efeito. Para lá desta curiosidade sociológica, o certo é que a proposta musical do grupo não era desprovida de interesse, sendo que, à medida que o tempo vai passando e o efeito escandaloso se vai desvanecendo, se pode melhor apreciar esse facto. A voz quente e insinuante de Alberto Comesaña é o ingrediente essencial - poderia ter dado um soberbo bolerista, se tal não estivesse nos antípodas das suas opções artísticas...
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domingo, outubro 23, 2005

La Movida (12)

Alaska y Dinarama - Deseo carnal (1984)
Em anteriores posts sobre álbuns editados em 1984, salientei que foi um ano especial para a música espanhola. Contudo, compete esclarecer que sob o ponto de vista comercial, o álbum editado nesse ano mais bem sucedido foi este: Deseo carnal. Sob o ponto de vista comercial e não só... Na verdade se a movida teve alguma imagem identificadora, para além da de Almodóvar, foi a de Alaska. O seu estilo modernista hiper-barroco foi uma imagem-marca.
De seu verdadeiro nome Olvido Gara, Alaska é uma mexicana radicada em Madrid que esteve nos primórdios da movida - integrou em 1978 o efémero grupo Kaka de Luxe, que foi embrião de projectos artísticos que viriam a tornar-se decisivos. Depois, com os Pegamoides, esmerou a sua imagem. É ainda com este grupo que em 1982 interpreta um tema, Bailando, que seria um bombazo. Num tempo em que o Disco estava já em decadência, estoira na periferia hispânica um tema que não desmerece figurar em qualquer selectiva colectânea do género. Ouvida ainda hoje, Bailando apresenta-se plena de força e modernidade.
Deseo Carnal é outra coisa... É pop/rock, que, não renunciando os ritmos da pista de dança, discorre por uma lógica alheia à simplicidade Disco. Corresponde a uma fase em que a cantora era acompanhada pelo duo Dinarama (Nacho Canut e Carlos Berlanga). É um produto à altura da opinião e gosto dominantes entre a vanguarda blasé e hedonista da fervilhante Madrid de então. Além disso, funcionou comercialmente, e de que maneira! É um trabalho elaborado, mas que se destinava a ter impacto. Este começa, desde logo, com a foto da capa (de Javier Vallhonrat) - bela, sugestiva, ousada... O impacto reforça-se com o tema de entrada, Como pudiste hacerme esto a mi, que deve ser um dos mais fortes alguma vez dedicados ao adultério. Canta a violência do ciúme com uma crueza sinistra (o adúltero é deliberadamente atropelado pela traída, que ao volante de seu automóvel sem luzes numa noite sem luar, assim dá vazão ao seu desejo de vingança). Musicalmente é imponente, com uma orquestração de grande aparato e ritmo forte. Nesse cenário sonoro, a voz de Alaska impõe-se grave, não deixando de ser sensual. É, enfim, adequada a uma raiva assassina de mulher de armas. Este clima, marcado por temperamento de fêmea dominadora, volta a encontrar-se em Ni tú ni nadie e em Un hombre de verdad.
O problema deste álbum é que tem um tema extraordinário, outro muito bom, outro bom, há ainda um interessante (Isis), mas os demais são vulgares e há dois bastante fracos. Ou seja, é desigual. Em todo o caso, é um marco que pode justamente ser considerado como emblemático do apogeu musical da movida.
Hoje em dia Alaska está longe do protagonismo de então, mas continua a ter um peso significativo no cenário musical. Juntamente com Nacho Canut tem desenvolvido o projecto Fangoria, em terrenos de música electrónica. A sua voz cada vez mais andrógena casa-se bem com esse tipo de música.
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sábado, setembro 17, 2005

La movida (11)

José Manuel Lechado - La Movida / Una Crónica de los 80 (2005)
Das minhas mais recentes incursões por terras de Espanha, resultou, como de costume, um apreciável desfalque financeiro, feito à conta não só do meu gosto em ficar em bons hotéis, como também do meu gosto em regressar sempre com um representativo stock de livros, CDs e afins. Isto ainda vai sendo assim, apesar da Internet e da minha tendência compulsiva para compras on-line. Na verdade, nada substitui o contacto físico directo com estes produtos... O mercado espanhol, em matéria de livros, pouco tem a ver com o nosso... Tal sucede, sobretudo, pela muito maior variedade editorial, quer de produção própria, quer de traduções.
Algumas das mais recentes compras dizem respeito directamente a assuntos musicais e afins. Este livro não hesitei um segundo em o comprar. Parece-me uma magnífico sumário crítico da famosa movida 80era. Além do mais, tem uma profusa documentação gráfica. É um dos que está em lista de espera (já é uma pilha...) para ler.

quinta-feira, agosto 04, 2005

La movida (10)

Radio Futura - La ley del desierto / La ley del mar (1984)
O ano de 1984 é, definitivamente, um ano especial na pop/rock espanhola. Entre alguns álbuns marcantes saídos nesse ano conta-se este, para mim, um dos melhores no meio de toda a diluviana produção do género. Não obstante a assinalável estreia com La estatua en el Jardín Botánico, o grupo dos irmãos Auserón não tinha ainda alcançado notoriedade. Por esta e outras razões, a gravação deste álbum, se bem que tecnicamente escorreita, está longe de evidenciar luxos de produção. Aliás, nota-se uma certa "sonoridade de garagem". O registo é mais rock que pop e expressa uma crua rudeza eléctrica. Santiago Auserón, que, sob o pseudónimo Juan Perro, segue hoje mais por caminhos de inspiração latina, é uma das melhores vozes do pop/rock espnhol. Se bem que o tempo tenha aperfeiçoado tais qualidades, já em 1984 elas estavam bem patenteadas.
O álbum apresenta uma curiosa característica conceptual: está dividido em duas partes distintas e a cada uma corresponde seu nome e sua capa; La ley del desierto é a face A e La ley del mar a face B. Se em termos estritamente musicais essa dualidade não é assim tão evidente, já o mesmo não se pode dizer das letras. Em todo o caso, os temas mais marcantes - Escuela de calor (versão cantada e versão instrumental) e Semilla negra - correspondem, respectivamente, ao deserto e ao mar, sendo que se adequam, quer na letra, quer mesmo na música, a essas distintas naturezas. Diga-se que são dois temas espectaculares e que, posteriormente, serão retomados e desenvolvidos em diferentes registos. Escuela de calor, muito particularmente, arrasou nesse verão e ainda sobrou para outros estios...
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La movida (9)

Mecano - Ya viene el sol (1984)
Para mim este é o melhor álbum de Mecano. O carácter naïf da capa é extensível a quase tudo o mais... incluindo, evidentemente, a voz de Ana Torroja. Símbolo apoteótico deste carácter é Hawaii-Bombay. Não por acaso este tema foi um dos mais ouvidos de então na rádio espanhola. É uma melopeia encantatória, concebida e executada de forma magistral. Os arranjos e a voz são a base deste sucesso. Tornou-se um hino do Verão de 1985, mas tem algo que transcedende a efemeridade simplória dos grandes êxitos instantâneos de Verão. O resto do álbum não deve, porém, ficar obscurecido. Em curioso contraste, impera nos demais temas um registo mais rock dentro daquela linha pop/rock em que o grupo sempre se inscreveu. Mas a inspiração de Nacho Cano e a voz de Ana Torroja estavam no seu ponto mais alto (curiosamente Hawaii-Bombay é da autoria do mais discreto membro do trio, José Maria Cano, irmão de Nacho).
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domingo, julho 31, 2005

La Movida (8)

Miguel Bosè - Bandido (1984)
Miguel Bosè, ídolo da pop espanhola nos anos 80, é, por sua vez, filho de dois ídolos dos anos 50: o matador espanhol Luís Miguel Dominguín e a actriz italiana Lucia Bosè. O primeiro, lembre-se, foi figura maior das arenas e protagonista, no ano de 1953, de uma cerrada rivalidade com o seu cunhado, o matador Antonio Ordoñéz. Essa temporada foi epicamente celebrada por Ernest Hemingway em Fiesta (Verão Perigoso). Lucia Bosè foi Miss Itália 1947 e, sobretudo, uma belíssima actriz que teve participação destacada no cinema italiano dos anos 50 e 60. Enfim, tal ascendência confere um destino de notoriedade... Desde muito novo, Miguel Bosè tornou-se um ídolo de adolescentes, graças, sobretudo, a uma música dentro das fórmulas simplistas adequadas, onde a imagem sempre teve um papel decisivo. Porém, essa fama começou em meados dos 80 a coexistir com consistência artística. Até à edição de Bandido, em 1984, Miguel Bosè inseria-se num registo fútil bastante alheio àquele das correntes dominantes da movida. O estrondoso êxito comercial deste álbum, aparentemente não só não o aproximava dessas correntes, como parecia confirmar uma natureza alheia. Contudo, a produção deste álbum atesta que muito delas beneficou, na medida em que um certo know-how e glamour da movida nele se plasmou. A coexistência de qualidade com sucesso comercial apanhou a crítica desprevenida, mas esta haveria de constatar e consagrar em posteriores álbuns o mais notável processo de credibilização artística que a pop espanhola conheceu. Com efeito, os anos 90 assistiram ao estabelecimento de um outro Miguel Bosè, intelectualizado e intérprete de uma pop sofisticada. Muito para trás havia ficado o jovem que arrebatava adolescentes, o qual, com efeito, pouco parece ter em comum com o Miguel Bosè maduro, dos tempos correntes... No início dessa transfiguração, esteve este álbum, cujo tema mais emblemático, foi não o que o abre, mas o terceiro, Amante Bandido. O seu público ainda era (e continuou sendo até finais da década) primordialmente constituído por adolescentes. A temática e os sinais dominantes ainda lhes são dirigidos, mas a voz, a substância das composições (letra e música) e os arranjos são muito mais consistentes. Por outro lado, não por acaso, aqui aparece um tema inovador na sua trajectória até então: Sevilla. Nesta homenagem à cidade andaluza temos, a todos os títulos, um sinal de amadurecimento. Bandido foi o ponto alto de equilíbrio entre simplicidade e sofisticação na sua carreira.
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terça-feira, abril 05, 2005

La Movida (7)

Golpes Bajos - Devocionario (1985)
Na breve trajectória de Golpes Bajos este é o terceiro e último álbum. É também aquele em que uma ironia mais radical se impõe, a começar pela desconcertante imagem da capa... Certo é que um espírito iconoclasta vinha então deixando muitos outros exemplos na cena musical pop/rock espanhola, mas aqui esse espírito assume uma feição mais consistente, pois todo o conteúdo (música e letras) alinha por uma candura angelical que torna o exercício irónico muito mais próximo da finura do que da boçalidade, como amiúde se verificava noutros grupos.
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La movida (6)

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Golpes Bajos - Todas sus grabaciones 1983-85 (1990)
O mais importante afluente da movida madrilena foi a movida viguesa. Com efeito, de Vigo vieram alguns dos grupos mais originais: Siniestro Total, Os Resentidos, de Antón Reixa; Semen Up, de Alberto Comesaña e Sérgio Castro (dos portuenses Os Trabalhadores do Comércio); Golpes Baixos, de Teo Cardalda e Germán Coppini. Destes últimos reuniu-se num duplo CD toda a sua obra, a qual se resume a três albuns editados entre 1983 e 1985. São apenas três álbuns, porém, foram importantes na história do pop/rock espanhol. Ainda hoje, ao ouvi-los, sente-se que é uma sonoridade que não ficou inexoravelmente datada. A voz de Germán Coppini, de exótica delicadeza, os arranjos de Teo Cardalda, assim como uma aguda ironia na pose e nas letras, configuraram um estilo que não mais se reencontrou, nem sequer na carreira a solo do primeiro ou na carreira do segundo no seu alter ego artístico Cómplices... Além do mais, a Golpes Bajos se devem algumas das canções identificativas do espírito de uma etapa tão criativa como foi a que se viveu até meados de 80: No mires a los ojos de la gente; Malos tiempos para la lírica; Escenas olvidadas; Santos de devocionario...
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quarta-feira, março 16, 2005

La Movida (5)

Gabinete Caligari - Discografia básica: Héroes de los 80 (1981-1983) / Cuatro rosas (1984) / Que Dios reparta suerte (1983) /Al calor del amor en un bar (1986)
Gabinete Caligari foi um dos grupos mais carismáticos e originais de la movida. Foram os criadores do que então foi designado como rock torero, que consistiu numa infusão de casticismo nas iconoclastas modas da vanguarda madrilena. O seu tema mais identificador foi Que Dios reparta suerte (o título é, já por si, um lema castiço...), de 1983. Teve impacto, com a sua cadência de pasodoble e ressoar de castanholas no meio de parafernália eléctrica. Um outro tema, do ano seguinte, alcançou também impacto: Cuatro rosas. Já não estava tão alinhado com esse estilo, pois, se bem que inserido na vaga neo-romântica, situava-se, um pouco inesperadamente, na vertente mais melódica. Passados já mais de vinte anos, resplandece como um dos melhores temas de sempre do pop/rock espanhol e um dos hinos de la movida. Ambos constam desta compilação de três álbuns e singles, editados originalmente entre 1981 e 1986.
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segunda-feira, agosto 23, 2004

La movida (4)

Gabinete Caligari
Eis um exemplo da iconografia do rock torero de Gabinete Caligari. Entre os seus êxitos avulta Que Dios reparta suerte (1983), onde se distinguem castanholas e referências de casticismo.

La movida (3)

Gabinete Caligari
Este grupo é emblemático do que se chegou a designar como rock torero. Na verdade, pela sua pose e temática, a designação faz sentido para esta versão de pop/rock neo-romântico à espanhola...

La movida (2)

Tino Casal (1940-1991)
Um dos mais importantes nomes da frente musical de la movida foi Tino Casal. Oriundo das Astúrias, estabeleceu-se em Madrid no início dos anos 80, depois de ter passado alguns anos em Londres. Trouxe o glam rock, inspirado por David Bowie e Brian Ferry. Com ele, a coisa assumiu proporções de rococó, pesadamente kitsch. O tema Etiqueta negra ou uma versão do velho tema Eloíse, de Barry Ryan (1968) são exemplificativos.
Casal teve uma vida acidentada. Viu a sua carreira interrompida em meados dos anos 80 por graves problemas de saúde. Em 22 de Setembro de 1991 faleceu num desastre de automóvel, em Madrid. Tornou-se objecto de culto.