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sábado, agosto 30, 2008

Euskal Herria (26)

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Tapia eta Leturia


Tapia eta Leturia - Egizu su in Dultzemeneoa (1992)

segunda-feira, agosto 25, 2008

Euskal Herria (25)

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Tapia eta Leturia - Dultzemeneoa (1992)
Joseba Tapia e Xabier Berasaluze "Leturia" constituem um dueto que, entretanto, já se tornou em quarteto. O primeiro é um dos mais exímios tocadores de trikitixa; o segundo toca pandeireta. É, precisamente, sobre esta base simples que se confecciona um música próxima das raízes. Com efeito, desde finais dos século XIX que a música popular basca de índole festiva assenta nesta combinação: trikitixa com pandeireta. Enquanto Kepa Junkera optou por uma via fusionista para a trikitixa e conseguiu notoriedade no universo da world music, Tapia privilegiou mais as origens. Mesmo assim, conseguiu alguma projecção exterior, nomeadamente no Canadá, onde o dueto fez, pelo menos, uma tournée e onde, aliás, o álbum aqui em apreço chegou a ser editado. Um magnífico exemplo, sublinhe-se, do que é a música popular basca e na qual transparece limpidamente a paisagem e o carácter da região. Contudo, deve-se acrescentar que, apesar deste bucolismo, esta opção artística tem, neste caso, subjacente uma certa conotação política que, no mínimo, está próxima do universo abertzale (nacionalismo radical de extrema esquerda). Com alguna ironia, porém, não raras vezes nestas melodias ressoam os ritmos de jotas e fandangos numa iniludível demonstração do peso dos laços com a hispanidade na formação do carácter de Euskal Herria. É que sucede que, apesar de tudo, esta terra nunca esteve assim tão fechada...
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Tapia eta Leturia - Trpitaira in Dultzemeneoa (1992)

Euskal Herria (24) (10 remake)

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Iker Goenaga - Soinugorri (1998)
O êxito de Kepa Junkera acabou por fazer vir ao de cima um conjunto de virtuosos do acordeão diatónico basco (trikitixa), os quais têm vindo a assegurar a continuidade de uma tradição que remonta aos casarios rurais de Navarra, Guipúzcoa e Vizcaya de finais do século XIX. Iker Goenaga é um deles. Neste seu álbum temos uma sonoridade menos cosmopolita do que aquela que Kepa tem vindo a alardear, mas mais próxima da tradicional, a qual assentava na combinação rudimentar entre triki e pandeireta. O tema Elgeta merece destaque. Além de ser uma bela toada de expressiva rudeza, é uma homenagem a um velho tocador de San Sebastián, conhecido como Elgeta, que nos anos 40, 50 e 60 tocava triki pelas ruas e bares da cidade, vivendo da mendicidade.
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Iker Goenaga - Elgeta in Suinogorri (1998)

domingo, setembro 30, 2007

Euskal Herria (23)

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Joseba Tapia / Koldo Izagirre - Apoaren edertasuna (1998)
O fascínio deste álbum passa pelo seu carácter impenetrável. É difícil imaginar algo tão pouco comercial, pelo menos fora da cultura basca. Desde logo, não há qualquer concessão idiomática. As letras não estão traduzidas, nem, tampouco, há qualquer indicação noutra língua que não a basca. Não há vestígios de palavras inteligíveis, constituindo este facto um bizarro desafio. Quanto ao conteúdo central, a música surge sem qualquer artifício de produção. Temos Joseba Tapia mais o seu acordeão diatónico (trikitixa) e com a sua voz singela, cantando em basco. Num ou noutro tema o ritmo é vigorosamente marcado por compassado bater de pés. E mais nada. É tudo simples. Dir-se-ia mesmo, de intrínseca feição rústica. Além disso, a música partilha protagonismo com a récita de textos, pois que, introduzindo cada tema, há uma narrativa feita, provavelmente, pelo escritor Koldo Izagirre (pelo menos, autor dos textos é).
É de notar que em ...Y la palabra se hizo música: La canción de autor en España, de Fernando González Lucini, esclarece-se que o título, Apoaren edertasuna, significa A beleza do sapo. O original desenho da capa confirma a informação. Tem um traço infantil, o que sugere historietas moralizadoras. Contudo, saiba-se que, tal como é explicado no referido livro, o título está de acordo com um elaborado propósito que atravessa todo o álbum intencionalmente: a pretensão de ajudar a descobrir a beleza onde, aparentemente, ela não está visível. Há, portanto, um objectivo político (em sentido amplo), que se louva em tempos de maciça estandardização de gostos. Enfim, o sapo também tem a sua beleza... E tem! Este "sapo musical" soa, assim, muito bem e suscita emoções que ultrapassam os limites do hermetismo idiomático, conferindo-lhe um certo fascínio acrescido. Finalmente, é de salientar que há aqui uma proposta de valorização da trikitixa e da música popular basca, num sentido contrário ao que segue, por exemplo, Kepa Junkera. Menos cosmopolita e despojado, mais próximo das raízes. Igualmente fascinante!

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Joseba Tapia - Igela ideari beha in Apoaren edertasuna (1998)

quarta-feira, setembro 26, 2007

Euskal Herria (22)

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Fermin Muguruza - Amodio eta gorrotozko kamiak / Canciones de amor y odio (1984 - 1998) (1999)
Sob a etiqueta El Europeo têm sido editados vários livros/CD. A série tem incidido mais em cantautores como Julio Bustamente, Luis Pastor, Luis Eduardo Aute, Amancio Prada, Martírio. Contudo, a edição aqui em apreço insere-se num género plenamente rock. Com efeito, é uma edição antológica dedicada ao nome mais sonante do rock radical basco, Fermin Muguruza. As propostas musicais abrangidas, se bem com algumas cambiantes, mantém-se sempre em sonoridades pesadas e agressivas e quase sempre sustentadas em batidas fortes. O conteúdo é correspondente: militantemente radical, de extrema esquerda e nacionalista. Passam em desfile os grupos pelos quais passou Muguruza (Kortatu, Negu Gorriak...) e prestações da sua intermitente carreira de solista. Estamos perante um privilegiado documento sobre o rock radical basco, que é, até certo ponto, a banda sonora da juventude que vive no caldo de cultura abertzale (extrema esquerda nacionalista). A luxuosa edição (é uma característica dos livros/CD de El Europeo) documenta exaustivamente este percurso. São 175 páginas de fotos, de letras de todas as canções de todos os álbuns da sua carreira e, sempre que estas estão em basco (a maioria), apresenta as respectivas traduções. É, enfim, um exemplo de como deve ser uma antologia.

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Negu Gorriak - BSO in Gure Jarrera (1991)

terça-feira, julho 31, 2007

Euskal Herria (21)

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Oskorri: Hau hermosurie! (1984)
Hoje em dia este grupo bilbaíno é considerado um dos maiores expoentes da chamada world music. É o mais importante grupo folk de toda a Espanha, alardeando uma riqueza musical que se tem continuamente renovado ao longo de mais de três décadas. O seu surgimento fez parte de uma segunda vaga da música popular basca, correspondente aos anos setenta. Porém, foi em meados dos anos 80 que alcançaram a maturidade artística. Precisamente, em 1984 surge este álbum, que é um dos seus melhores. Abre, aliás, uma sequência discográfica da mais alta qualidade. Predominam os temas melódicos onde brilha a voz de Natxo de Felipe. O tema Aita Gurea é, sob este ponto de vista, exemplar. Que melhor música para nos sugerir as verdes paisagens montanhosas do País Basco...
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Aita Gurea
in Hau hermosurie! (1984)

Euskal Herria (20) (14 remake)

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Oskorri: Vizcayatik... Bizkaiara (2001)
Oskorri é o mais importante grupo folk basco. Desde os anos setenta tem produzido uma extensa discografia assente na música tradicional basca, explorando-a em todos os seus âmbitos num sentido mais ou menos fusionista. Este álbum é dedicado a Vizcaya e incide em temas rítmicos, dançantes. É um trabalho magnificamente produzido. Ainda que sem alcançar o nível dos melhores (situados segunda metade dos anos 80), não deixa de ser uma boa opção para começar a conhecer o grupo.
Uma nota para a língua basca ou euskera, cuja aspereza indicia uma difícil musicalidade. Tal ideia carece de fundamento. Quer aqui, quer, sobretudo, noutros trabalhos que enveredam por caminhos mais melodiosos, Natxo de Felipe demonstra-o, com a sua voz suave e quente. Vem ainda a propósito referir que toda a metade leste da província de Vizcaya permanece euskaldun, ou seja, falante de euskera. Algo que já não sucede na parte oeste, nomeadamente, na capital, Bilbao. Em todo o caso, no leste de Vizcaya a língua basca tem grande vitalidade. As outras áreas ainda efectivamente euskaldun são toda a província de Guipúzcoa, o norte de Navarra e as zonas mais rurais de Iparralde (conjunto das províncias bascas sob soberania francesa).
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Txanton Pipirri
in Vizcayatik... Bizkaiara (2001)

quinta-feira, abril 19, 2007

Euskal Herria (19) (9 remake)

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Kepa Junkera - Bilbao 00:00h (1998)
Este álbum duplo, apresentado em luxuosa edição com formato de livro, musicalmente é uma produção não menos luxuosa. Para quem imagina o carácter basco como fechado e pouco dado a cosmopolitismos, pode começar por aqui um processo de revisão de ideias. Na verdade, partindo da trikitixa (pequeno acordeão diatónico), opera-se aqui um exercício de transversalidade dentro da chamada world music. Participaram na gravação um vasto conjunto de artistas das mais variadas procedências, de um modo que visou mestiçagens em diferentes direcções. De notar que Dulce Pontes (cantando um tema em... basco) faz parte do elenco. Numa realização tão ambiciosa, com estas características, nem todos os temas podem brilhar à mesma altura. Destaca-se uma magnífica meia dúzia, dos quais saliento aqui Santimamiñeko Fandangoa & Ioaeoe, que, por sinal, é um dos que, sem deixar de ter um certo grau de mestiçagem (sobretudo na parte inicial), alardeia uma tonalidade genuinamente basca. O poder rítmico e melódico da triki ressalta de forma empolgante, favorecido pela rude sonoridade de fundo da txalaparta (primitivo instrumento de percussão).
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Kepa Junkera - Santimamiñeko fandangoa & ioaeoe in Bilbao 0:00h (1998)

domingo, setembro 10, 2006

Euskal Herria (18)

Bermeo in La mirada mágica (2002)
Também disponível no YouTube um amostra da série La mirada mágica (Lau haizeetara). O exemplo diz respeito à localidade biscaínha de Bermeo. Reproduzo de seguida a imagem e o texto do post Euskal Herria 3.

Iñaki Pangua - Euskal Herria: Lau haizeetara / La mirada mágica (2002)
Inspirada por A vista de pájaro, a Televisão autonómica do País Basco (EITB) produziu e exibiu uma série que cobre todos os territórios de Euskal Herria (País Basco, Navarra e Iparralde ou País Basco francês) através de vistas aéreas a partir de helicóptero. Foi há pouco tempo editada em dez DVDs. Cerca de década e meia depois, o nível técnico é muito superior ao da série inspiradora. Por outro lado, dado o âmbito geográfico muito mais restrito, o detalhe é muitíssimo maior. Toda esta belíssima região tem, deste modo, um meio de divulgação que lhe faz jus.
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segunda-feira, julho 03, 2006

Euskal Herria (16)


Julio Medem - La pelota vasca / Euskal pilota (2003)
Nem tudo é mau no zapaterismo. Há, pelo menos em relação à questão das autonomias uma política mais construtiva e desdramatizadora (nem tudo era bom no aznarismo...). É óbvio que é uma política não isenta de riscos. Tal é especialmente válido em relação à anunciada disposição para a negociação com a ETA. É sempre um risco anunciar disposição para negociar com grupos terroristas, porém, manda um elementar sentido de real politik que não se desaproveitem oportunidades como as que, apesar de tudo, agora se deparam. Infelizmente não é este o entendimento do PP, o qual levado por tentações ultramontanas e emotivas não tem demonstrado disposição para ajudar Zapatero nesta via. Se o PP não vier, de algum modo, a amparar minimamente esta política parece-me ainda mais complicado antever o fim da ETA.
Ao contrário do que alguns pretendem, há terrorismo e terrorismo. Todo o terrorismo é mau, mas a capacidade de efectivamente fazer mal, depende de muitos factores, a começar por factores objectivos. Nestes tempos de megatorrorismo fundamentalista islâmico, que se baseia em factores intrinsecamente irracionais de tipo nihilista, os terrorismos separatistas ocidentais encontram cada vez menos espaço de afirmação. Estes terrorismos "domésticos" respondem, apesar de tudo, a factores racionais, reconhecíveis em alguns elementos do quadro de valores civilizacionais que é o nosso (nacionalismo,
por exemplo). Nesta conjuntura, onde, ainda por cima, se beneficia dos sistemáticos êxitos do combate policial, a ETA pode estar, naturalmente, a caminho da inoperância...
Para entender melhor a questão basca, o monumental documentário La pelota vasca pode ser um instrumento utilíssimo. Mais do que nunca, é agora oportuno visioná-lo. Basicamente, trata-se de um extensa série de entrevistas a personagens-chave da política basca, montadas de modo criterioso. Sublinhe-se a perspectiva de objectividade no tratamento tão detalhado de um tema com a delicadeza deste. Julio Medem efectivamente consegue-o e, pena é, para que esta perspectiva pudesse ter sido mais favorecida, que alguns potenciais entrevistados ligados ao PP tivessem declinado participar. Depois de o ver, muitas coisas tornam-se evidentes. Sublinho duas: o terrível sofrimento das vítimas do terrorismo etarra; a efectiva especificidade histórico-cultural basca.

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sábado, setembro 24, 2005

Euskal Herria (15)

Basta Ya! Iniciativa Ciudadana: Euskadi, del sueño a la vergüenza / Guía útil del drama vasco (2004)

Que Euskal Herria é uma realidade histórico-cultural ninguém informado e de boa-fé o poderá negar. Porém, não se pode também negar a sua integração na hispanidade, como um vasto conjunto de mitos nacionaistas pretende fazer crer. É evidente que não há nacionalismos sem mitos, mas, no caso concreto da matriz do pensamento nacionalista basco, encontramos uma boa dose daqueles mitos que se formaram nos finais do século XIX e que tanto contribuiram para precipitar a Europa e o mundo na trágica deriva nacionalista cuja expressão mais extrema foi o nazismo. Com efeito, uma boa parte deste livro constitui desmontagem dessa mitologia arreigada às teorias de Sabino Arana Goiri, fundador do Partido Nacionalista Vasco (PNV/EAJ), as quais foram incorporadas até à actualidade no ideário dominante no universo nacionalista e abertzale. A ETA é um dos resultados desse ideário.
Esta obra colectiva obedece a um propósito de denúncia de uma situação que se tem vivido no País Basco e que é praticamente única na Europa Ocidental: a vigência de um clima de constrangimento e terror exercida sobre uma parte substancial da população, em nome de um nacionalismo étnico. Algo que só encontra algum paralelo nos Balcãs e Irlanda do Norte. Se é injusto assacar a responsabilidade desta situação a todo o nacionalismo, não é menos injusto minimizar a gravidade da situação e, em particular, desamparar as largas centenas de vítimas e suas famílias. (desde o fim do franquismo são quase um milhar de assassinados e largos milhares os ameaçados e chantageados!). Um bom início para criar um sentimento colectivo que sustente o fim deste estado de coisas é, precisamente, começar por desfazer mitos. A marcada personalidade de Euskal Herria não deixa de se integrar num puzzle com coerência histórico-cultural - puzzle que é a Espanha (sob este ponto de vista está mais integrada até, por exemplo, do que a Catalunha...). Muito do que é o genuíno carácter castelhano radica num estracto pré-romanização que se sedimentou nos redutos montanhosos do norte peninsular e que é comum a Euskal Herria. A própria língua castelhana, nascida nos confins nortenhos de La Rioja e de Burgos, o que tem de dissonante em relação às línguas românicas vizinhas é reconhecido como estando presente no idioma basco e resulta de comuns influências pré-romanização (a transformação do f em h, por exemplo). De algum modo podemos dizer que uma boa parte da Hispania pré-Romana (um vasto território do Centro Norte) era Euskal Herria e que Castela começou a germinar aí. Para lá do espesso manto da romanização depara-se, assim, uma afinidade muito maior do que se supõe... Depois, ao longo dos tempos nunca Euskal Herria correspondeu a uma entidade política autónoma e coerente, além de que, o que é ainda mais significativo, a sociedade nos seus segmentos mais dinâmicos e desenvolvidos (zonas urbanas e litoral, em geral) sempre se integrou, respectivamente em França e Espanha, sem especiais tensões.
Em Portugal, onde impera entre a intelectualidade (de esquerda e direita) uma visão distorcida da realidade basca, haveria bastante proveito em que este livro fosse traduzido.

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Basta Ya / Iniciativa Ciudadana - Página Oficial

quinta-feira, abril 21, 2005

Euskal Herria (14)

Oskorri: Vizcayatik... Bizkaiara (2001)
Oskorri é o mais importante grupo folk basco. Desde os anos setenta tem produzido uma extensa discografia assente na música tradicional basca, explorando-a em todos os seus âmbitos num sentido mais ou menos fusionista. Este álbum é dedicado a Vizcaya e incide em temas rítmicos, dançantes. É um trabalho magnificamente produzido. Ainda que sem alcançar o nível dos melhores (situados segunda metade dos anos 80), não deixa de ser uma boa opção para começar a conhecer o grupo.
Uma nota para a língua basca ou euskera, cuja aspereza indicia uma difícil musicalidade. Tal ideia carece de fundamento. Quer aqui, quer, sobretudo, noutros trabalhos que enveredam por caminhos mais melodiosos, Natxo de Felipe demonstra-o, com a sua voz suave e quente. Vem ainda a propósito referir que toda a metade leste da província de Vizcaya permanece euskaldun, ou seja, falante de euskera. Algo que já não sucede na parte oeste, nomeadamente, na capital, Bilbao. Em todo o caso, no leste de Vizcaya a língua basca tem grande vitalidade. As outras áreas ainda efectivamente euskaldun são toda a província de Guipúzcoa, o norte de Navarra e as zonas mais rurais de Iparralde (conjunto das províncias bascas sob soberania francesa).
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quarta-feira, abril 20, 2005

Euskal Herria (13)

Albatzisketa: uma aldeia no coração de Euskal Herria
Assim votou Albatzisketa (Tolosaldea, Guipúzcoa), aldeia situada no sopé do Monte Txindoki, - nas eleições autonómicas do passado domingo:

95 (57,9%) EAJ/PNV-EA
54 (32,9%) EHAK/PCTV
7 (4,2%) EB-IU
5 (3,0%) Aralar
2 (1,2%) PP
1 (0,6%) PSE-EE
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(A verde: os partidos e coligações do nacionalismo basco)
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- EHAK/PCTV Euskal Herrialdeetako Alderdi Komunista / Partido Comunista de las Tierras Vascas (1)
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(1) Partido surgido muito recentemente. Recebeu indicação de voto por parte Aukera Guztiak (ex Batasuna), cuja candidatura às eleições foi anulada por decisão judicial (relações com ETA)
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Albatzisketa é uma aldeia representativa de um País Basco profundo, rural. Para se ter um noção global dos resultados das eleições, consultar:

sábado, outubro 02, 2004

Euskal Herria (12)

Pedro Antequera Aizpiri - Ay Ne! in La Esfera, 1915
A caricatura é uma alusão ao atávico tradicionalismo rural dos bascos. Para além do simplismo do estereótipo, a verdade é que as raízes do nacionalismo basco são profundamente tradicionalistas e desenvolveram-se sempre em intimidade com um catolicismo fundamentalista. Com efeito, Sabino Arana Goiri, o fundador do nacionalismo, foi a síntese de duas tendências: a do carlismo e a do racismo positivista. A primeira é ultra-conservadora e antes de se reciclar no nacionalismo pugnava pela recomposição das liberdades tradicionais (Fueros). A segunda pertence ao mesmo tipo de modernidade, que entre outras coisas, sustentou uma das bases teóricas do nazismo. O lema do Partido Nacionalista Basco era Jaungoikoa eta Lagizarra (Deus e a Lei Antiga). No essencial, com muito mais moderação, é certo, esta marca genética persiste na grande maioria do nacionalismo, o qual é maioritário no País Basco. Porém, numa vasta franja Abertzale (esquerda nacionalista radical), encontramos a juvenil kale borroka (violência de rua) e o terrorismo etarra, que, apesar de algumas ideias feitas, também se filiam nessas origens...

Euskal Herria (11)

Pedro Antequera Aizpiri - Los Bersolaris in La Esfera, 1915
A gravura refere-se a uma das mais antigas tradições dos bascos: os bertsolaris. São poetas populares que improvisam versos em euskera (língua basca)durante competições festivas nas aldeias, em domingos, dias santos ou de romaria. É um dos símbolos da vitalidade da velha língua no coração de Euskal Herria.
O termo Euskal Herria é um neologismo nacionalista de finais do século XIX que significa "terra onde se fala euskera". Engloba sete territorios históricos. Em Espanha, quatro: Biskaia (Vizcaya), Gipúzkoa (Guipúzcoa), Araba (Álava) e Nafarroa (Navarra). Em França, três (que podem ser designados no seu conjunto como Iparralde): Zuberoa (Soule), Laburdi (Labourd) e Benafarroa (Basse Navarre).
Na verdade, a área que hoje em dia é euskaldun (basco-falante) é muito mais restrita, abrangendo só o Leste de Vizcaya, Guipúzcoa, o Norte de Navarra, e o Sul de Iparralde, num conjunto estimado entre 500.000 e 750.000 pessoas. Contudo, é certo que o proteccionismo linguístico do Governo Basco tem operado uma recuperação e não é menos certo que nas áreas euskaldun, sempre gozou, sem interrupção, até ao presente, de plena vitalidade. Em contrapartida, em Bilbao, por exemplo, o uso da língua, além de minoritário, reveste-se de um certo artificialismo, sustentado por convicções nacionalistas. Sucede também que em todo o Sul de Álava e em todo o Sul de Navarra, assim como na cidade francesa de Bayonne, o basco desapareceu há muito dos hábitos de comunicação (na maior parte dos casos, desde a Idade Média). O conceito de Euskal Herria, na prática, sustenta-se em hábitos, costumes e tradições, que, de facto, continuam fortes e permanecem comuns a muitas populações de todos os territórios. Se se pretende, como ocorre entre o nacionalismo, extrair ilações políticas em prol de uma mítica grande nação basca, pois entra-se num terreno polémico, que é contraditado pela vontade da maioria da população de fora do que constitui oficialmente País Basco.

Euskal Herria (10)

Iker Goenaga - Soinugorri (1998)
O êxito de Kepa acabou por fazer vir ao de cima um conjunto de tocadores de trikitixa que asseguraram a continuidade da tradição nas aldeias de Guipúzcoa e Vizcaya. Iker Goenaga é um deles. Neste álbum temos uma sonoridade menos cosmopolita, mas mais próxima da tradicional, a qual assentava na combinação rudimentar entre a triki e a pandeireta. O tema Elgeta merece destaque. Além de ser musicalmente forte, é uma homenagem a um velho tocador de San Sebastián, conhecido como Elgeta, que nos anos 40, 50 e 60 tocava triki pelas ruas e bares da cidade, vivendo da mendicidade.
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Euskal Herria (9)

Kepa Junkera - Bilbao 00:00h (1998)
Este álbum duplo, apresentado em luxuosa edição com formato de livro, musicalmente é uma produção não menos luxuosa. Para quem imagina o carácter basco como fechado e pouco dado a cosmopolitismos, pode começar por aqui um processo de revisão de ideias. Na verdade, partindo da trikitixa (pequeno acordeão diatónico), opera-se aqui um exercício de transversalidade dentro da chamada world music. Participaram na gravação um vasto conjunto de artistas das mais variadas procedências, de um modo que visou mestiçagens em diferentes direcções. De notar que Dulce Pontes (cantando um tema em... basco) faz parte do elenco. Numa realização tão ambiciosa, com estas características, nem todos os temas podem brilhar à mesma altura. Destaca-se uma magnífica meia dúzia, dos quais saliento aqui Santimamiñeko Fandangoa & Ioaeoe, que, por sinal, é um dos que, sem deixar de ter um certo grau de mestiçagem (sobretudo na parte inicial), alardeia uma tonalidade genuinamente basca. O poder rítmico e melódico da triki ressalta de forma empolgante, favorecido pela rude sonoridade de fundo da txalaparta (primitivo instrumento de percussão).
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Euskal Herria (8)

Kepa Junkera - K (2003)
Uma forma privilegiada de entrar no universo musical de Kepa Junkera é este duplo DVD que incide sobre um espectáculo realizado em Março de 2003 no Teatro Arriaga, em Bilbao. O espectáculo, propriamente dito consta do primeiro DVD. Não se limita a ser um mero registo de palco, na medida em que tem alguns interessantes pormenores de realização. Por outro lado, musicalmente, o espectáculo está ao nível das últimas gravações de estúdio, com um vasto conjunto de músicos convidados (das mais variadas procedências). A riqueza musical está também patente no espaço que é deixado para dois outros tradicionais instrumentos bascos: txalaparta e alboka. No segundo DVD há vários extras, entre os quais um excelente documentário que faz um enquadramento da trikitixa e de Kepa.
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Euskal Herria (7)

Kepa Junkera (1965)
O bilbaíno Kepa Junkera tornou-se o maior divulgador da trikitixa (triki) - instrumento basco, que é um acordeão diatónico. Tem um som inconfundível. Desde meados do século XIX tornou-se um elemento fundamental das romarias e festas familiares e, portanto, tornou-se o som basco, por excelência. Kepa modernizou de forma radical a utilização do instrumento, sem deixar de respeitar a sua essência. O seu virtuosismo e nível de produção têm dado aos seus espectáculos e gravações uma projecção que ultrapassa muito o contexto restrito do País Basco.