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quarta-feira, dezembro 31, 2008

Boulevard nostalgie (29)

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Edith Piaf - Platinum collection (2007)
Esta colectânea de Edith Piaf é constituída por 45 temas divididos por 3 CDs. Para além de abranger tudo o de mais importante, tem uma introdução escrita e notas informativas sobre cada tema. Para os mais exigentes saiba-se que há 2 edições integrais das suas gravações: uma, luxuosa, ligeiramente acima dos 100€ e outra, minimalista, por um incrível preço que anda na casa dos 25€! As gravações de Edith Piaf estenderam-se pelos anos 40, 50 e início dos 60. Era uma época em que, pelo menos fora dos EUA e, eventualmente, da Grã-Bretanha, não havia ainda álbuns LP. Na verdade, o formato esmagadoramente dominante era o EP de 78rpm, que permitia, no máximo 4 canções - duas de cada lado. Os primeiros álbuns apareceram como compilações dessas edições. Presumo, portanto, que de Piaf jamais tivessem existido álbuns de originais. Nestas circunstâncias as compilações têm uma importância especial e para os amantes da música é chocante que em relação aos artistas cuja carreira discográfica passou à margem dos LPs, raramente existam compilações criteriosas e informativas. Piaf, graças à projecção que tem, ainda assim é uma das excepções, pois, como referi, dela existem duas compilações integrais e uma compilação de média dimensão e qualidade aceitável como esta.

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Edith Piaf - Mon manège à moi (tu me fais tourner la tête) (1958)

Boulevard nostalgie (28)


Jacques Dutronc - Il est cinq heures, Paris s'éveille (1968)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Boulevard nostalgie (27)

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François Margolin - Paris, la visite (2002)
Antes de mais, diria que estamos perante o non plus ultra dos documentários sobre cidades. A Montparnasse Édtions culmina aqui a reconhecida qualidade de excelência da colecção La visite. Tudo é excepcional: o texto, que reune as qualidades literárias às informativas; o conceito que lhe está subjacente, o qual reproduz num ciclo de 24 horas a evolução histórica da cidade; a fotografia, suavemente oscilando do poético ao realista; a música, através de temas alusivos à cidade apresentados como videoclips originais. Este último aspecto merece relevo, pois basta dizer que o primeiro clip é Il est cinq heures, Paris s'éveille, de Jacques Dutronc e o último é Mon manège à moi, de Edith Piaf. Diferentes facetas da cidade são apresentadas e de modo exaustivo. Mesmo para quem conhece Paris não deixará de descobrir mais atractivos.
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Paris, la visite - Sítio Oficial


François Margolin - Paris, la visite (Extracto)

sábado, setembro 01, 2007

Boulevard Nostalgie (26)

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Nino Ferrer - Nino Ferrer (Agata) (1969)
Este álbum é característico da fase inicial de Nino Ferrer, que coincide com os anos 60. Está, aliás, no limiar da transição para uma fase onde se tornará evidente uma opção por um rock de fusão vanguardista de cariz psicadélico e o consequente deslizar para um lugar marginal. Mas, por enquanto, temos aqui um conjunto de canções pop, muitas de corte jazzístico ou de rythm & blues, como era seu timbre. Era um álbum com condições para agradar à crítica e ao grande público, como, efectivamente, sucedeu. Abre com um tema que é uma deliciosa farsa melodramática, em dilacerantes compassos de tango: Agata. Foi um êxito! Contudo, outros três temas convém assinalar: Oerythia - a prova de como existiu inspirada bossa nova em francês; Un premier jour sans toi - uma balada plena de densidade dramática; e Non te capisco più - o único tema cantado em italiano, soando tanto como um rythm & blues pode soar genuíno na língua de Dante...

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Nino Ferrer - Agata (versão francesa) (1969)

Boulevard Nostalgie (25)


Nino Ferrer - Les cornichons / Il baccara (1966)

sexta-feira, agosto 31, 2007

Boulevard Nostalgie (24) (9 remake)

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Nino Ferrer - Nino Ferrer (2001)
Nino Ferrer nasceu em Génova, Itália, mas fez carreira, sobretudo, em França, apesar de não ter deixado de sustentar uma carreira italiana, em paralelo. Nos anos 60 obteve sucesso com temas como Les cornichons, Agata e Mirza. Estava plenamente inserido na onda pop desses tempos. Contudo, desde o início era patente a sua versatilidade, quer pelo carácter jazzy de muitas das suas composições e versões, quer pela sua vocalização soul, quer ainda pelo seu talento em compor baladas melódicas. Com efeito, foi o autor do tema C'ést irréparable, que sairia do anonimato como Un anno d'amore, versão italiana de Mina e, posteriormente, ainda mais, com Luz Casal cantando a versão espanhola, Un ano de amor, num dos filmes de Almodóvar. Dando plena expressão a essa versatilidade, Nino Ferrer, a partir dos anos 70, procurou caminhos musicais vanguardistas e explorou outras áreas artísticas, com destaque para a pintura. Espírito atormentado, acabou por se suicidar, deixando grata memória entre os seus requintados fans.
Esta colectânea ilustra o conjunto da trajectória da sua carreira francesa. Não é um simples CD, já que este está integrado num pequeno livro com abundante documentação sobre o artista e excelente grafismo.

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Web: Página Oficial

Nino Ferrer - Les cornichons (1966)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Boulevard nostalgie (23)

Antony Beevor / Artemis Cooper - Paris após a libertação: 1944 - 1949 (1994)

De Antony Beever já tinha lido três obras: A Guerra de Espanha, Stalinegrado e A queda de Berlim. É um historiador ao bom velho estilo britânico. Esta obra, porém, sai um pouco do estilo. Feita em parceria com a sua mulher, Artemis Cooper, tem uma forte componente mundana, não deixando de ser, essencialmente, história política. O mundano advém da utilização de um grande manancial de fontes situadas em sectores sociais privilegiados, particularmente nos meios diplomáticos. Com efeito, Artemis Cooper é neta daquele que era o embaixador britânico em Paris nesses tempos. É uma perspectiva culta, curiosa e artística, bem pertinente quando se trata de uma cidade como Paris.
A grande conclusão que tirei é que esta cidade tem em si o sortilégio de, nas mais difíceis condições, nunca perder o encanto e o requinte. Mais ainda, tem (ou tinha…) o poder de sustentar um ininterrupto fervilhar de ideias e expressões artísticas, mesmo em situações limite. E tal, sem que os sectores responsáveis por este carácter imanente se alheiem da realidade política. Bem pelo contrário, a política sempre penetrou a vida artística e intelectual parisiense, de um modo, porventura, até, exagerado.
Outras conclusões se podem tirar: as dificílimas condições de vida do pós-guerra persistiram até, praticamente, ao final da década; o poder e a fraqueza do gaullismo vinham das suas insuperáveis contradições; o estalinismo do Partido Comunista Francês proporcionou exemplos da mais sórdida hipocrisia; o Plano Marshall foi imediatamente decisivo para libertação da miséria e da ameaça comunista. É um livro que se lê de bom grado, com proveito e é adequado a vastos públicos.

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quinta-feira, setembro 28, 2006

Boulevard nostalgie (22)


Léo Ferré - Avec le temps (1970)

terça-feira, março 07, 2006

Boulevard nostalgie (21)



Léo Ferré - Les Poetes: Volume 3 (Verlaine et Rimbaud) 2000 (1964)
O velho anarquista Léo Ferré merece amplo destaque dentro da chanson. Neste domínio, Aznavour à parte (num registo completamente diferente), Ferré foi sempre o meu preferido. Tinha um talento especial: o de pôr em música grandes poetas. Foi o contraponto das suas limitações poéticas... Na verdade, o que foi inteiramente composto por si demonstra uma sensibilidade assolada pelo panfletarismo. Felizmente que a sua capacidade para compôr bonitas canções compensou tal limitação. Mas, de facto, o seu esplendor está na forma magistral como musicou poetas "malditos": Charles Baudelaire, Guillaume Apollinaire, Paul Verlaine e Arthur Rimbaud (também Louis Aragon, mas quanto este é exagero qualificá-lo como maldito...) Neste domínio, o ponto mais alto foi a forma como em 1967 musicou Les Fleurs du Mal, de Baudelaire. Este facto, porém, não deve obscurecer que três anos antes editara o duplo álbum Verlaine et Rimbaud chantés para Léo Ferré. Eis aqui uma associação verdadeiramente digna do qualificativo maudit! Verlaine e Rimbaud foram malditos, desde logo pela sua vida - concretamente pela sua tempestuosa e sórdida relação. Foi uma vivência marcada pelo alcoolismo, homossexualidade, masoquismo e sabe-se lá que mais... Erráticos pelas estradas da Bélgica ou pelas ruas de Londres, sobressairam nos ambientes de comunards exilados pela sua forma de vida escandalosa. Foram tempos de emoções fortes que deram brado... Contudo, depois de Verlaine ter alvejado a tiro Rimbaud - provavelmente num acesso de ciúmes - a relação entre ambos entrou em crise definitiva, da qual resultaria o afastamento para sempre de Rimbaud, não só do seu companheiro, mas também da vida artística e cultural. Depois de uma incrível sucessão de episódios aventureiros num curto espaço de tempo (alistamento na marinha holandesa, deserção em Java, errância escandinava numa trupe de circo), Rimbaud assentou como um filisteu: negociante estabelecido em paragens exóticas (entre Áden e a Etiópia), renegando o seu passado. Pasme-se que toda a sua obra poética foi feita até aos 20 anos de idade! Rimbaud, pelo seu lado, nunca se recompôs da perda e ao longo de anos e anos tentará em vão reatar a relação perdida.
Férré musicou alguns dos mais conhecidos poemas de ambos (curiosamente, não o fez com o famoso Le Bateau Ivre, de Rimbaud). Com o seu talento de compositor e com a orquestração de Jean-Michel Defaye conseguiu um resultado espectacular. É evidente que tal implicou uma espécie de comunhão espiritual entre "malditos anarquistas"... Exemplares são os temas Il Patinait Merveilleusent (Verlaine), Le Buffet (Rimbaud), Les Corbeaux (Rimbaud), Ô Triste, Triste Était Mon Âme (Verlaine) e Les Pensionnaires (Verlaine). Neste último, a música consegue reforçar adequadamente o forte erotismo do poema.
Esta edição em CD aparece integrada numa colecção de três volumes que é a compilação de álbuns de Léo Ferré para a editora Barclay, dedicados a Baudelaire, Verlaine, Rimbaud e Apollinaire. Além da colecção corresponder a um conceito coerente, tem uma apresentação condigna.
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Página Web Léo Ferré
Página Web Paul Verlaine
Página Web Arthur Rimbaud

sábado, dezembro 03, 2005

Boulevard nostalgie (20)

Christophe Barratier - Os Coristas (Les Choristes) (2004)
Eis um filme bonito que mereceria maior divulgação. É certo que não se pode dizer que seja um argumento original, mas a dedicação de um educador a um grupo de rapazes maus é um tema inesgotável.
No exercício das minhas funções de professor sigo uma espécie de máxima: jamais mercenário; jamais missionário! Contudo, a verdade é que no nosso sistema de ensino tão decadente e desorganizado, se não fosse a existência de algumas almas missionárias (ou quase) distribuidas por tantas escolas, as coisas seriam muito piores... Mas voltando ao filme. Há hoje a tendência para valorizar a originalidade e a ousadia, o que se compreende, porque a originalidade vai-se esgotando. Porém, as fórmulas convencionais continuam a suscitar muitos dos mais interessantes filmes. Não me estou a referir tanto ao rosário de sequelas com que a indústria de Hollywood vem abastecendo o mercado - muitas delas francamente oportunistas. Refiro-me, sobretudo, a cinematografias cada vez mais periféricas - a francesa é um bom exemplo. É certo que o cinema francês tem-me apresentado alguns dos filmes mais aborrecidos (muitos discursivos e intelectualizados), mas também, por outro lado, alguns dos mais interessantes. Este foi uma óptima surpresa!
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quinta-feira, dezembro 01, 2005

Boulevard nostalgie (19)

Robert Doisneau - Rue d'Alésia (Paris, 1968)

Robert Doisneau - Quai Branly (Paris, 1961)

Robert Doisneau - La Dernière Valse du 14 juillet (Paris, 1949)

Robert Doisneau - Les Enfants de la place Hébert (Paris, 1957)

Robert Doisneau - Les Amoureux aux poireaux (Paris, 1950)

Robert Doisnesu - Créatures de Rêve (1952)

Robert Doisneau - Baiser Blottot (Paris, 1950)

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Boulevard nostalgie (18)

Charles Aznavour - La bohème (1965)
Os anos 60 são os melhores anos de Aznavour. A sua voz estava na plenitude e são de então os seus maiores êxitos. Eram tempos em que os tops se compatibilizavam com a qualidade e em que o pop/rock anglo-saxónico ainda não dominava tão esmagadoramente. Nesse tempo, portanto, Aznavour estava longe de se limitar a ser um fenómeno do mundo francófono, tinha uma projecção mundial (como Dalida e Bécaud, por exemplo). La Bohème é de 1965 e será uma das mais belas canções de sempre. O seu lirismo é indissociável da interpretação de Aznavour. Também no álbum se encontra um outro tema excepcional, Paris au mois d'août - que é genuinamente aznavouriano. Este CD reúne não apenas os temas do álbum original, mas também mais algums outras editados em EP ou single entre 1963 e 1966.
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Boulevard Nostalgie (17)

Charles Aznavour (Chahnour Varenagh Aznavourian)(Paris, 1924)
Se há voz com um timbre carismático, a de Aznavour é uma delas. Se a de Sinatra seduz pelo poder, a de Aznavour seduz pelo timbre que exala algo de agreste e, ao mesmo tempo de calor expressivo. É um intérprete por excelência de canções e a prova de como em pouco mais de três minutos se pode transmitir elevadas emoções musicais. Nada é banal na sua interpretação. Mais do que ninguém (com excepção de Edith Piaf), representa as virtualidades da chanson. E curiosamente, em rigor, não é um francês puro... Descendente de arménios exilados (a família Aznavourian foi obrigada pelos horrores do genocídio arménio a uma errância sem destino), nasce em Paris por acaso. Mas, seja lá como for, Aznavour é francês!
Nas nossas FNACs apareceu agora a sua obra integral (L'Intégrale) reunida numa enorme caixa que é uma peculiar réplica do Arco de Triunfo. São 44 álbuns, 786 canções, 64 páginas e... 700 euros. Sendo eu comprador compulsivo de CDs, DVDs e livros, assim estoirando, mês após mês, o meu salário quase até ao último cêntimo, senti-me tentado a elevar qualitativamente a incontinência com a aquisição de tão extravagante produto. Mas contive-me, héllas, que remédio...
A página oficial de Aznavour é monumental, mas há outras muito boas também. Eis um artista que está representado na rede a um nível correspondente ao seu valor.

sábado, novembro 13, 2004

Boulevard Nostalgie (16)

DVD: Marco Ferreri - La Grande Bouffe (1973)
Nos anos 70 a produção cinematográfica europeia era dominada por uma sensibilidade esquerdista. Este facto, compreensível no contexto daqueles tempos, não deve levar-nos a ignorar o brilhantismo de alguns filmes. Efectivamente, se uma parte desse cinema ficou irremediavelmente datado, sucede, por outro lado, que muito do que de melhor foi feito, com espírito rebelde e iconoclasta, foi feito nesse tempo e não se imagina que pudesse ser feito agora... É o caso deste filme, de Marco Ferreri (mais um italiano afrancesado...).
O argumento é uma metáfora que encaixa no tipo de denúncia simplista dos vícios da sociedade burguesa. Esta que foi a forma mais comum de apresentar o filme na altura, é uma interpretação redutora. Com efeito, o argumento parece tocado por aquela graça anarco-surrealista que não anda longe do génio buñueliano. Mas se o argumento é um achado (um grupo de quatro burgueses, consumados gourmands e amantes dos prazeres da vida, que se encerram numa mansão para se empanturrarem com opíparos manjares, em sessão contínua até ao suicídio...), o casting e a realização dão-lhe um definitivo toque de génio. Quatro pesos pesados do cinema francês e italiano repartem o papel de sibaritas: Michel Picolli; Philippe Noiret; Ugo Togazzi; Marcello Mastroianni. A eles junta-se uma Andrea Ferreol que, com o seu perfil felliniano, no limiar de uma pungente obesidade, compõe um papel de gorda lasciva. A componente sexual é protagonizada por esta figura de nutridos seios e nádegas, com comportamento tão relaxado como a das suas carnes flácidas. Com efeito, a determinado momento, o garanhão do grupo (quem haveria de ser senão Marcello?) entende que o prazeres carnais não se devem restringir à mesa... Depois de, por encomenda pontual, ter usufruido dos serviços de jovens esbeltas, mas de todo alheias ao espírito do grupo, Marcello seduz Andrea, que se aproximara da cerca da mansão e convence-a (com facilidade…) a entrar no empreendimento.
Temos a sensação que estes grandes actores são deixados em roda livre. Aliás, significativamente, o nome dos personagens coincide com o nome dos artistas e o registo que cada um assume está de acordo com o imaginário que temos deles. Andrea é a parceira ideal - em rigor, não faz parte do grupo; aparece por lá e por lá fica, a instâncias de Marcello e perante a desconfiança inicial dos restantes três, que encaravam a reclusão com espírito misógino.

A decadência progressiva do grupo é patética! Algumas imagens são inolvidáveis, nomeadamente a morte de Michel Piccoli, suspenso num parapeito, em épico transe de libertação de gases... O patético acentua-se quando o instrumento viril de Marcello deixa de funcionar, suscitando nele um desconcertante desespero. Os quatro morrem de formas bizarras, mas Andrea sobrevive-lhes melancolicamente e volta para as suas funções docentes - a senhora era mestre-escola...
Para além de reflexões que pode suscitar a propósito de decadência, La Grande Bouffe foi um filme que associou Rabelais e Sade, estabelecendo-se num universo de íntima relação entre comida/sexo, prazer/dor - algo que só voltará a ser visto em algumas geniais excentricidades do realizador inglês Peter Greenaway.
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Boulevard Nostalgie (15)

LP: Herbert Pagani - Pagani a Bobino (1976)
Não foi feita ainda uma edição em CD desta gravação ao vivo de Herbert Pagani, o que é incompreensível, já que se trata de um trabalho excepcional. Pagani morreu em 1988, com apenas 44 anos, vítima de leucemia - uma desgraçada ironia para quem amava a vida e tinha uma conceito radicalmente optimista da condição humana. Aliás, uma vida que denota valores que foram sempre coerentemente assumidos como base inspiradora da sua arte, a qual não se reduziu à música. Eram valores que reflectiam uma sensibilidade libertária e ecologista, num empenhamento que era mais a um nível filosófico do que programático. A sua carreira foi feita quer no âmbito francês, quer no âmbito italiano, reflectindo o seu natural bilinguismo. Note-se que nasceu na Líbia no seio de uma família judia italianizada e que a sua vida adulta decorreu entre Itália e França.
O LP em apreço notabilizou-se, sobretudo, pelo tema L'Amitié - uma "hino instântâneo" que teve na época alguma repercussão. Contudo, está longe ser apenas um desfile de temas, já que obedece a um plano conceptual, construído em torno de valores e vivências do artista, num tom de arrebatado lirismo e emotividade. Ou seja, é um espectáculo que transcende o plano musical e que obedece a um guião de tipo quase teatral... Existem muitos temas musicais de elevada qualidade (destaco Leçons de Peinture, Serenade...) e declamações, que fazem a ligação entre eles. É esta intrínseca qualidade artistica que permite transcender o cliché da vulgata ideológica e confere intemporalidade.
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segunda-feira, outubro 11, 2004

Boulevard Nostalgie (14)

Aimer à perdre la raison



Ah, c'est toujours toi que l'on blesse

C'est toujours ton miroir brisé,

Mon pauvre bonheur ma faiblesse

Toi qu'on insulte et qu'on délaisse

Dans toute chair martyrisée.



Aimer à perdre la raison

Aimer à n'en savoir que dire

À n'avoir que toi d'horizon

Et ne connaître de saisons

Que par la douleur de partir

Aimer à perdre la raison.



La faim la fatigue et le froid,

Toutes les misères du monde,

C'est par mon amour que j'y crois

En elles je porte ma croix

Et de leurs nuits ma nuit se fonde
Louis Aragon

Boulevard Nostalgie (13)

CD- Jean Ferrat - Ferrat chante Aragon (1971)
Este LP de Jean Ferrat é um perfeito exemplo de como a canção francesa é inexcedível na arte de adaptar poemas. Neste caso, Jean Ferrat faz um trabalho sublime com alguns dos mais conhecidos poemas de Louis Aragon. O lirismo das palavras é totalmente correspondido pela composição, arranjos e voz. Um particular estado de graça parece ter passado por aqui...
De notar que esta versão em CD corresponde à original, que é preferível a uma versão posterior, com arranjos diferentes.
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segunda-feira, outubro 04, 2004

Boulevard Nostalgie (12)

CD: Salvatore Adamo - Adamo Vol 2 (La Nuit) (1965)
Antes de mais, este CD faz parte de uma colecção da editora francesa Magic Records que é um exemplo magnífico de como se pode reeditar velhos LP's de uma forma que é um exercício de reconstituição, pois existe o cuidado de recuperar o design original, que chega, inclusive, ao pormenor de dar à etiqueta do suporte a aparência do vinil. É, portanto, um produto adequado para coleccionadores ou simples nostálgicos. Diga-se, desde já, que este não é um dos melhores LP's de Adamo, contudo, apresenta uma particularidade: tem um tema cantado em italiano, Dolce Paola, que nunca teve versão noutro idioma. É um tema muito bonito que constitui uma dedicatória à princesa italiana do mesmo nome que tinha acabado de se casar com o herdeiro do trono belga. Note-se que os grandes êxitos de Adamo foram sempre originalmente cantados em francês, mas todos tiveram versões suas cantadas em italiano e espanhol. Algumas foram cantadas também em línguas tão insólitas como o japonês. Esta colecção da Magic Records apresenta algumas dessas versões comuns e exóticas como bonus tracks.
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Boulevard Nostalgie (11)

Salvatore Adamo
Adamo nasceu na Sicilia, mas, ainda na primeira infância, os seus pais emigraram para uma cidade industrial da Valónia, Bélgica. Nos anos 60 tornou-se um dos maiores nomes da música popular francófona, com grande projecção mundial. Foi um ídolo - o maior que a Bélgica jamais alguma vez teve, com a licença de Jacques Brel, que, enfim, teve um registo artístico diferente (curiosamente outro ídolo belga seu contemporâneo foi Rocco Granata, também italo-descendente) A voz melancólica ajustava perfeitamente com um ar angelical, sendo esta a base de uma pose romântica que consituiu o seu sucesso. Contudo, nesses tempos, estes fenómenos de popularidade não implicavam necessariamente má qualidade musical. Foi sempre um excelente cantor, servido por magníficas composições.

Boulevard Nostalgie (10)

Les Cornichons
Eis a prosaica letrinha de Les Cornichons (provavelmente com algum duplo sentido...) - canção que tem tanto de simples como de brilhante. Curiosamente parece que a versão original é norte-americana, mas, dessa, pouco transcendeu...
On est parti, samedi, dans une grosse voiture,
Faire tous ensemble un grand pique-nique dans la nature,
En emportant des paniers, des bouteilles, des paquets,
Et la radio !
Des cornichons
De la moutarde
Du pain, du beurre
Des p'tits oignons
Des confitures
Et des oeufs durs
Des cornichons
Du corned-beef
Et des biscottes
Des macarons
Un tire-bouchons
Des petits-beurre
Et de la bière
Des cornichons
On n'avait rien oublié, c'est maman qui a tout fait
Elle avait travaillé trois jours sans s'arrêter
Pour préparer les paniers, les bouteilles, les paquets
Et la radio !
Le poulet froid
La mayonnaise
Le chocolat
Les champignons
Les ouvre-boîtes
Et les tomates
Les cornichons
Mais quand on est arrivé, on a trouvé la pluie
C'qu'on avait oublié, c'était les parapluies
On a ramené les paniers, les bouteilles, les paquets
Et la radio !
On est rentré
Manger à la maison
Le fromage et les boîtes
Les confitures et les cornichons
La moutarde et le beurre
La mayonnaise et les cornichons
Le poulet, les biscottes
Les oeufs durs et puis les cornichons

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